quinta-feira, 9 de abril de 2020

Flores Perdidas de Alice Hart de Holly Ringland



Este foi sem dúvida, um dos melhores livros que li em 2019, talvez o 2º melhor livro lido, logo após o "Tempo entre Costuras" de Maria Dueñas.
Que  "livraço" este!! Pedra preciosa, por um lado, pelo aspeto magnífico que apresenta, por outro, pela densidade da história que nos apresenta, cheio de ingredientes que nos dão que pensar.

Todo ele ilustrado com maravilhosas flores desenhadas a tinta preta e que vão acompanhando a história da personagem principal, desde a capa, passando pelo índice e abertura de capítulos.

Cada capítulo abre com uma determinada flor, pertencente à vasta flora silvestre do território australiano (daqui se pode concluir que até acerca da flora Australiana podemos aprender) e cada capítulo tem, portando, um determinado significado dado pela flor que o apresenta. Trata-se de uma linguagem própria - a linguagem das flores - aprendida desde cedo com a mãe de Alice, consolidada com a avó e que a continua a acompanhar vida fora.

A ervilha-do-deserto-de-sturt é talvez a flor que me marcou mais, não só porque é descrita como pertencente a uma paisagem surpreendente do deserto australiano, como pelo significado profundo que tem para Alice e, quando se lê a paisagem que é descrita, cheia do colorido destas flores é absolutamente emocionante!

Bem, mas voltando à história, que se quer explicada de forma ligeira, porque caso contrário perde a piada toda ! Alice ainda é uma criança quando o livro começa. Vive com os pais junto à costa, portanto perto do mar, mas Alice mal sai da periferia da sua casa, e, quando acompanha o pai ao surf, este ensina-a a manter-se em cima de uma prancha, mas também é extremamente severo com a menina quando ela, por descuido, se desequilibra...este pai ultrapassa até a categoria de "severo", ele é mesmo mau e violento - para a mãe de Alice e para ela própria. Um dia, a menina arrisca-se a ir até à biblioteca da vila vizinha e quando lá entra sente-se absolutamente encantada com tantos livros que vê, a sua paixão por livros e pela leitura aumenta cada vez mais.

Imagem do Pixabay: Ervilha-do-deserto-de-Sturt
O livro tem duas partes distintas, quase até três partes, uma em que Alice é criança e vive com os pais, outra em que a protagonista é já adulta (jovem) e vive numa quinta da avó paterna que é produtora de flores para venda e, podemos considerar uma outra parte, em que Alice vai para o interior Australiano e vive sozinha, sendo que arranja trabalho num...e ...já estou a escrever muito o que não pode ser, pois não se pretende revelar tudo desta história maravilhosa :-).

Há um tema de extrema importância abordado aqui - violência doméstica. É descrito de uma forma tão dolorosa que por vezes nos custam algumas passagens, mas é importante lê-las e sentir se é admissível permitir esta ou outro tipo de violência nas nossas vidas.
Não conhecia a autora, desconheço se escreveu mais livros, mas este, meu Deus é maravilhoso! Vale mesmo a pena pegar nele de devorá-lo num só trago, enjoy!

400 páginas
Porto Editora
Autora: Holly Ringland
*****a minha classificação no GoodReads

quarta-feira, 8 de abril de 2020

O Oceano no fim do caminho de Neil Gaiman

Já não atualizava este blog há uma catrafada de tempo, mas isso é porque não me disciplino, acabo por gastar tempo com imensas coisas aqui e ali e, quando vou ver, já passou todo o tempo que tinha! Não sei se acontece com outros, mas os dias passam com as rotinas de sempre e algo um pouco diferente do habitual já não se encaixa!! Não devemos deixar que isto aconteça e o truque talvez seja incluir as tarefas que queremos mesmo fazer, na nossa rotina habitual.

Se escrever no blog fosse uma rotina habitual, ela era, com toda a certeza feita! Se escrever fizesse parte da rotina, eu teria de escrever...e por aí vai ...

Como já não atualizava leituras há imenso tempo, tenho muitos dos 23 livros lidos em 2019 por registar aqui! Como para mim, os livros são intemporais, podendo ser lidos em qualquer momento ou período da vida, acho que faz sentido deixar aqui a minha opinião dos que fui lendo...

Este, de Neil Gaiman, foi o primeiro do mundo fantástico do autor que li. É estranho primeiro, mas depois, entranha-se. Neil Gaiman dá-nos todo um mundo esquisito onde trapos são pessoas, onde pessoas podem ser monstros estranhos de outro mundo, sendo que o "outro mundo" pode estar nas traseiras de um quintal relativamente vizinho à nossa própria casa. Não sei bem se o que estou a dizer faz algum sentido, mas a história também tem pouco sentido e, por isso, estou na onda.

Valeu a pena conhecer o autor e a sua escrita. A história é difícil de relatar, mas mais ou menos posso dizer que se trata de uma criança de cerca de 7 anos, um rapaz tímido, com poucos amigos na escola, meio anti-social até, que começa a viver uma história fantástica, assim para o aterrorizante quando tem de ceder o seu quarto a uma ama que vai viver para a casa da família deste menino. As funções desta senhora, vão ser as de tomar conta deste rapaz e da irmã dele...

A história complica-se quando o nosso rapazinho percebe qual o verdadeiro ser que é a tal ama. E depois mete trapos velhos, podres e esfarrapados, costuras que emendam as almas e tanto mais que não vale a pena falar, porque isso era já dizer muito! 

Existiram momentos em que gostei imenso, outros estranhíssimos em que tive de reler partes e outros em que estava um bocado farta da leitura, mas Neil Gaiman é um autor a repetir sim senhora!

183 páginas
Autor: Neil Gaiman
Editora: Editorial Presença
*** e mais meia (inexistente no Gooreads).

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

A cor do fogo de Nora Roberts


A cor do fogo é o terceiro volume da trilogia da ilha das três irmãs. Não é habitual para mim ler sagas, trilogias ou seja o que for que tenha continuação. Nos filmes tenho para mim que só muito raramente as continuações seja do que for têm qualidade, porque às tantas parece que se está a criar algo forçado para que a história continue e isso não gosto, às vezes até tenho a sensação que se estraga a história original! Com esta trilogia sucedeu que gostei do primeiro, o segundo não estava mal mas...e o terceiro custou-me um pouco a mastigar tanto que demorei mais do que era suposto.
É uma história que não deixa de ser fácil de se ler mas fiquei com aquela sensação de história forçada aqui e ali só porque tinha que existir para rematar esta trilogia falando da Mia, a única das três mulheres bruxas da ilha, descendentes das três irmãs fundadoras da ilha das três irmãs.

Há algo que está iminente para acontecer que vai ser o duelo final desta trilogia e que só Mia poderá deter. Mia é das três a mais impulsiva e talvez a mais poderosa, porque assume desde sempre os poderes mágicos que tem e os desenvolve também desde sempre. Ora há um príncipe encantado, desta feita - Sam Logan que após dez anos de ausência surge novamente na ilha onde também ele foi criado e cresceu. Porquê é que aparece na ilha só após 10 anos? Para gerir um hotel que pertencia à sua família, porque se foi embora? Bem há explicações que ficam assim meias esquisitas e forçadas, mas enfim...

E depois do duelo do qual depende até a continuidade da ilha...bem depois só lendo para ver o que acontece, mas de facto nada me surpreende por assim além neste livro.

317 páginas
Autora: Nora Roberts
Editora: Chá das Cinco



Contos do Gato Vadio de Jeffrey Archer

Estou cada vez mais a chegar à conclusão de que gosto de contos. Pequenas histórias que começam e acabam rapidamente, não sem antes nos passarem alguma mensagem que é forte, não proporcional ao tamanho da história (na maior parte das vezes). 

Sei que muitos dos que não gostam de contos têm esta opinião porque parece que queriam mais acerca daquela história, porque são demasiado curtas, mas o que é facto é que são intensas, pelo menos a maior parte dos contos que tenho lido, fico sempre com a sensação que transmitiram tudo o que era necessário e de forma eficaz.

Este foi o primeiro livro que li deste famoso autor. Fiquei muito surpreendida quando descobri que da sua biografia de vida fazia parte a prisão. Jeffrey Archer foi condenado a 4 anos prisão por obstrução à justiça, no entanto ao fim de 2 anos já tinha a sua liberdade (quando tentei pesquisar mais sobre este assunto, vi sempre uma informação reduzida pelo que não sei bem ao certo do que se tratou, mas também não interessa). Certo é que esta experiência na prisão deverá ter dado ao autor a fluidez para escrever sobre pessoas que teriam sido condenadas a passar uns tempos no presídio por um ou outro motivo. Este livro contém algumas dessas histórias, não sei se baseadas em factos reais ou apenas terão sido inspiradas por contactos com pessoas e histórias de vida real que as levaram à prisão.

Destes contos todos, gostei particularmente do " O homem que assaltou a sua própria estação de correios" em que um casal já idoso, muito reconhecido na terra onde reside desenha um plano do arco da velha para se safar de um dado imbróglio e sair com a capacidade monetária comprar uma casita de férias em Albufeira :-). Num outro conto, cujo nome não me lembro acrescente-se que o livro foi requisitado na biblioteca e já está entregue (talvez seja "não beber água da torneira"), o marido arquiteta um plano para matar a mulher com água da torneira de um hotel em S. Petersburgo, que tem avisos por todo o lado "não beber água da torneira". O plano não corre como ele imaginou e até eu fiquei de boca aberta quando descobri isto.

Todos os contos têm uma pitada de humor (às vezes humor negro).

Gostei de ler, sem dúvida, mas diria que não foi uma leitura excelente, mas sim mediana.


Autor: Jeffrey Archer

Editora: Publicações Europa-América

terça-feira, 16 de julho de 2019

Entre o Céu e a Terra de Nora Roberts

Entre o Céu e a Terra é o segundo livro da triologia das três irmãs da Nora Roberts. Se no primeiro a história se centra na Nell, o elemento ar, dos três que representam as personagens principais desta triologia, neste segundo volume é a Ripley, elemento terra que é o foco da história.
Ripley é irmã de Zack que aqui já surge casado com Nell. Tem um feitio meio para o bruto, o que condiz com a sua profissão de delegada. É ela e o irmão que zelam pela proteção da ilha e mantêm a ordem do local, Ripley, tal como Mia e Nell tem poderes mágicos que lhe foram conferidos pelas suas antepassadas, no entanto, longe dela aceitar tais poderes! Nega sempre as coisas que lhe parecem ser mais esotéricas, já se afastou da sua grande amiga de infância - Mia que ao contrário de Ripley aceita todas as suas capacidades e competências mágicas, estuda-as e desenvolve-as ainda mais. A ilha das três irmãs torna-se famosa pelo que aconteceu no primeiro livro - Nell fingiu a sua morte para fugir das garras ameaçadoras e violentas do seu anterior marido, um empresário famoso e com muito dinheiro. Ora, quando ele descobre que a "sua" Nell tinha fugido para a ilha das três irmãs parte para o local, à procura dela e...bem é melhor lerem o livro :-). Atraído pelos pormenores mais esotéricos desta história do passado recente, surge um especialista em ciências ocultas para estudar os fenómenos mágicos que dão fama à ilha.

O encontro entre este novo visitante da ilha - Mac e Ripley é algo agridoce, se por um lado ela se sente fortemente atraída por Mac, detesta todos os apetrechos e o autentico "estaminé" que vêm com este cientista do oculto, para além de que ela rejeita sempre qualquer ideia de que são os poderes mágicos que ela tem que fazem movimentar as parafernálias de instrumentos que ele tem no chalé que alugou à Mia.

E é neste jogo de gato e rato que se desenrola a história, sempre com a balança a pender para o lado do romance e da aceitação deste homem por parte de Ripley, como sendo o homem da sua vida. Mas, pelo meio, ou antes, mais para o fim, é claro que os poderes mágicos das três irmãs seriam postos à prova por males que testam a força de Ripley...mais, mais só lendo ! 

Não se pode dizer que é fantástico, mas gostei bastante, lê-se rapidamente e como já conhecemos as personagens é uma espécie de voltar a casa. Neste momento já estou a ler o último livro desta triologia - a cor do fogo, que fala sobre Mia.


317 páginas
Autora: Nora Roberts
Editora: Chá das Cinco

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Gratidão de Oliver Sacks

"Aos oitenta anos, as marcas do declínio não podem deixar de ser demasiado visíveis. As nossas reações são um pouco mais lentas, os nomes escapam-nos com maior frequência e torna-se forçoso que poupemos mais as nossas energias, mas, apesar de tudo isso, podemos sentir-nos por vezes cheios de energia e de vida, de maneira nenhuma "velhos"."


Oliver Sacks escreveu este pequeno enorme livro perto da sua morte - aos 82 anos, sendo que tem a plena consciência que não chegará a ser "bismuto", o elemento 83 da tabela periódica. Desde criança apaixonado pela biologia e ciências em geral, cedo faz um paralelo entre os seus aniversários e os elementos da tabela periódica, assim, refere que aos 82 anos é "chumbo", correspondente ao elemento 82 da tabela periódica.

A mim, que nunca tinha passado esta ideia pela cabeça pensei que é uma bela equivalência, reveladora do amor profundo que o autor tinha pela vida na sua pura essência, sim, porque atrás de sucessivas camadas está a química orgânica, as moléculas e os átomos de que todos nós somos feitos.
Este é na realidade um retrato autobiográfico em que o autor vai relatando vários episódios da sua vida, de médico, mas também e essencialmente de pessoa, cheio de energia e vontade pela vida em si, por viajar, nadar, conhecer, compreender tudo o que o rodeia e por tudo isto, pela vida em si que teve transmito-nos que acima de tudo se sente privilegiado por cá, nesta Terra ter passado e por ser um ser consciente dessa mesma vida, de ser um ator e ao mesmo tempo um observador.
Imagem de Clker-Free-Vector-Images por Pixabay

Palavras para quê? Extraordinário é o livro e o homem que o escreve. Para além deste tem muitos mais que um dia vou ter o privilégio de ler, pois as suas palavras são sapientes. Há até quem diga que gratidão é dos sentimentos mais poderosos que podemos ter, não aquela que nos faz dizer, educadamente, "obrigada" ao condutor que nos cede passagem ou à senhora que vende legumes na praça, este agradecimento é sem dúvida importante, mas a gratidão poderosa é aquela que abre o coração e faz sentir um calor cá dentro e uma elevação como há poucos sentimentos que o façam, aquela gratidão que também Carl Sagan refere com esta frase: "diante a vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época consigo."

Que mais dizer sobre este livro de apenas 100 páginas que tem tanto, mas tanto sumo? Excelente, não percam a oportunidade de o ler e de perceber que o conceito "velho" é perfeitamente ilusório...depende muito da perspetiva de quem interpreta esta palavra que por vezes é tão cruel, outras vezes não!

100 páginas
Relógio D´Água
Autor: Oliver Sacks


quarta-feira, 10 de julho de 2019

Rugas de Paco Roca

TBR (leia-se "TO BE READ") do início do ano, onde vais tu? Pois é nem sei para que servem as TBR!! Eu furo completamente o esquema, sou totalmente desobediente :-). Esta novela gráfica não estava de todo na minha TBR do início do ano, na qual me propus ler 50 livros, sendo que só publiquei aqui 17 dos que estavam planeados. Desta lista, ainda não li os 17 e mais ainda ...ando a ler outros que estão fora desta TBR!! Acrescento que provavelmente aos 17 vou conseguir chegar, uma vez que já li 13 e estamos a meio do ano, mas 50?! WHAT?!! Ui que ambiciosa eu fui!! 
Falando desta novela gráfica...maravilhosa...foi um livro de que ouvia falar imenso nos vários booktubers que sigo, mas este pequeno GRANDE livro estava completamente esgotado, no entanto, ficou sempre na minha wishlist (na wook - vou acrescentando livros que quero comprar), e um belo dia este magnífico livro passou a estar disponível!! É claro que não hesitei e pimba comprei logo. Sinceramente não sei como consegui comprar pois ele continua esgotado na wook, foi uma janela mágica que abriu para mim (sorte :-).

Esta história acompanha o percurso de Emílio quando este é internado num lar de 3ª idade. O filho desesperado sem saber o que mais fazer para cuidar do pai e vendo que ele está cada vez mais alheado da realidade, decide que a melhor opção é encaminhar Emílio para um sítio em que consigam cuidar dele e dar-lhe a atenção devida. Logo Emílio arranja um colega de quarto - Miguel - que o vai orientar nos seus primeiros tempos no lar. 
Emílio sofre de Alzheimer, e a sua capacidade cognitiva degrada-se sucessivamente, criando situações tristes, mas que se tornam, inevitavelmente, cómicas.

Os colegas do lar têm todos, como é óbvio, as suas dificuldades que vão piorando com a idade, alguns têm problemas motores, outros auditivos, muitos esquecem-se do que disseram há instantes, outros têm fraca visão, enfim, um conjunto de problemas que torna difícil e quase hilariante o convívio ou a socialização entre uns e outros. Temos contacto com casos que podiam ser reais (e eventualmente o autor baseou-se em casos que presenciou na vida real), que nos transmitem carinho e preocupação com os personagens, empatia e compreensão. Afinal todos nós já fomos crianças, adolescentes e jovens, com sonhos e experiências várias e, se lá chegarmos, todos nós iremos um dia passar a ser velhos, pessoas com uma história mais longa atrás do que à frente da nossa existência e há que ter respeito, consideração e sobretudo afeição e amor. Até os que trabalham neste lar, os enfermeiros que cuidam destes séniores, são mostrados com uma grande carga de paciência, compreensão e carinho pelos que lá estão hospedados.

Os desenhos não são efetivamente o mais importante do livro, mas são claros, traço simples, e ilustram muito bem tudo o que temos que compreender ao longo da história. Lê-se muito rapidamente e vale muito a pena até para ficarmos conscientes de todos estes problemas que às vezes, por não serem diretamente connosco, nos passam ao lado.

Paco Roca é efetivamente um autor que quero ler mais, até porque ouvi falar de outras novelas gráficas que me parecem ser bem interessantes! É o caso da "A Casa", livro do qual já ouvi boas recomendações.

Autor: Paco Roca
Bertrand Editora
100 páginas


literatura-billboard

Imagem do cabeçalho do blogue de "GimpWorkshop"

Imagem do cabeçalho do blogue de "GimpWorkshop"
Fantasia, Mágico, Surreal. De utilização gratuita.

A Fada do Lar de Sophie Kinsella

Abençoada hora quando decidi ler este livro em férias de verão...este é o livro ideal para levar nas férias! Tão divertido que nos embaraça,...