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sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Canibais de Michael Crichton

Este livro é muito diferente de todos os que Michael Crichton escreveu. Normalmente este autor escrevia histórias de ficção científica, ou mais especificamente, thrillers científicos, como foi o caso de Parque Jurássico ou a Esfera - este último lido e adorado por mim! 

Esta história tem uma parte ficcional mas também se baseia em relatos verídicos de uma viagem levada a cabo por Ahmad Ibn Fadlan, representante do poderoso califa de Bagdade. Este, quase "cronista", escreveu acerca de uma viagem às terras do Norte - Escandinávia (que inclui a Dinamarca, Suécia e a Noruega), na companhia dos Vikings.

Este livro inicia com Ibn Fadlan a ser "castigado" por se ter metido com uma jovem mulher, esposa de um velho rico e bem colocado na sociedade de Bagdade. Desta forma é enviado em missão em direção à terra dos turcos. A história desenvolve-se e, perto do rio Volga (Rússia), Ibn Fadlan tem um primeiro contacto com os Vikings que descreve como "homens do Norte":

" Vi com os meus próprios olhos como os homens do Norte tinham chegado com as suas mercadorias, e montado acampamento ao longo do Volga. Nunca vi um povo tão gigante: são altos como palmeiras, e de compleição corada e ruiva. Não usam camisola nem cafetãs, mas entre is homens usam um vestuário de tecido tosco, que é preso de um lado, para uma mão permanecer livre."

O que mais gostei neste livro foi a descrição dos povos e culturas que diferiam completamente do que estava habituado Ibn Fadlan, já que este era árabe com uma cultura completamente distinta do que foi encontrar em terras da Escandinávia. Espantava o facto destes homens terem diversas entidades que adoravam e não um Deus como Alá. Fica chocado com a falta de higiene que estes "bárbaros" têm e com a sexualidade desenfreada das mulheres do Norte.

Mais para a frente na história, Ibn Fadlan é levado, contra a sua vontade, como o elemento número 13 do grupo de Vikings (para dar sorte), que arrancam ao encontro de outros homens ainda mais bárbaros, temíveis e sanguinários, supostamente canibais. A partir desta altura, descrevem-se horrores e o livro torna-se meio sanguinário, mas não deixa de ser interessante pois é quase um relato do que este homem árabe, desencaixado da cultura nórdica e gélida, vai observando, embora ele próprio tenha um papel de guerreiro a certa altura, lutando ao lado do grupo de Vikings do qual é obrigado a fazer parte.

É curto este livro e é utilizada uma linguagem simples, embora os relatos sejam antigos.

Não foi um livro que gostasse de forma apaixonante, mas foi no mínimo interessante! 

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 


  • Espanto;
  • Interesse;
  • Curiosidade;
  • Horror;
  • Apreensão;
  • Medo;
  • Aventura.
🌠Ler quando:

- Se quer conhecer um pouco de culturas e povos diferentes dos nossos;

- lhe apetece algo distinto de romances ou formas "regulares" de escrita, ou seja, ler uma espécie de crónicas de um viajante (antigo);

- se é curioso a propósito dos povos do norte (Vikings) e da mitologia do norte.

Foi também feito um filme baseado nesta história: "The Eaters of the Dead".



Título: Canibais

227 páginas.

Autor: Michael Crichton

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Marina de Carlos Ruiz Zafón

 Este foi o meu primeiro livro de Zafón. Nem sei bem o que dizer dele, talvez o que mais se saliente é que é escuro, meio macabro, próprio para ler nesta época em que quase estamos a chegar ao Halloween! 

Sinceramente até achei algo confuso, não tive realmente muita sorte pois tenho cá os livros da Sombra do Vento, dos quais só ouço coisas positivas e que este autor tem uma escrita extraordinária e que consegue elaborar histórias fantásticas...Marina é uma história bem escrita, sem sombra de dúvida, mas o enredo é muito estranho, pelo menos para mim foi.

Óscar é um rapaz orfão que vive num seminário perto de umas ruas esconsas, nos meandros da parte velha de Barcelona. O que mais gosta de fazer é escapulir-se do orfanato e meter-se nas ruelas com casarões decrépitos, com jardins há muito por arranjar e cheiro a esgotos e águas estagnadas. Um dia, nas suas voltas, Óscar encontra um casarão que lhe prende a atenção e é assim que conhece a família que passa a ser "sua" por uns tempos, a família de duas pessoas que se têm apenas um ao outro - Germán (o pai de Marina) e Marina.

Com Marina, Óscar aventura-se a partes ainda mais velhas e abandonadas de Barcelona onde encontram um velho barracão com algo que não estavam de todo à espera! Esta história envolve um cemitério e mortos ...ora que melhor para esta época?! 

Esta história tem várias dentro dela!! Parece mesmo uma Matrioska, o livro é pequeno e ainda assim rico porque desenvolve a história de cada uma das personagens que vai surgindo e no fim temos uma rede de ligações que se torna compreensível, mas muito complexa e cheia de vibrações misteriosas e assustadoras, típico cenário de Halloween...toca, sem dúvida, no terror. 

Sobressai uma história de amizade que passa a ser uma paixão (a de Óscar e Marina) e várias de amor que não acabam nada bem, muito dolorosas e sofridas...

Talvez, o que mais me prendeu e não esquecerei neste livro (afinal um livro marca-nos, se não o esquecermos facilmente) é a descrição da parte velha de Barcelona, tão nítida, tão vivida que parece estarmos ali também, par a par com os personagens, correndo e fugindo no mundo subterrâneo das canalizações velhas da cidade, ou observando, com os olhos de óscar, os casarões que quase caem de podres, outrora bem tratados, mas que agora parecem ser casas assombradas.

Diria que vale a pena ler e que é uma história diferente e sem dúvida bem escrita! 

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Terror;
  • Horror;
  • Amor;
  • Tristeza;
  • Solidão;
  • Ansiedade;
  • Suspense;
  • Aventura;
  • Amizade;
  • Medo.
🌠Ler para:

- sentir vibes de Halloween :-)

- viajar por Barcelona sem sair do lugar;

- ler uma história que se abre como uma Matrioska revelando as histórias sucessivas atrás de cada uma das personagens.

- entrar numa história meio creepy.


Título: Marina

302 páginas.

Autor: Carlos Ruiz Zafón

Editora: Planeta

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Célula Adormecida de Nuno Nepomuceno

 

Já tinha ouvido falar muito bem dos livros deste autor, orgulhosamente para todos nós, português! 

Esta história acompanha várias personagens, contando pouco a pouco o percurso, ou se quiserem, o passado de todas elas. Dá-nos uma perspetiva do que é estar na pele de pessoas que chegam à Europa com "uma mão à frente e outra atrás", migrantes, literalmente com apenas a roupa que têm no corpo, na tentativa de alcançarem uma vida melhor. Uma vida sem conflitos; com pão à mesa; com trabalho; com condições para viver e não apenas sobreviver. A pergunta que coloco sempre é...se eu estivesse naquelas condições, não faria o mesmo? Não tentaria atravessar o mar, sob pena de morrer, para tentar viver, em vez de sobreviver? 

Sentimos como nascem aquelas emoções tão negativas, como é o medo, a revolta e por último o ódio e a injustiça...quase que é palpável que podia acontecer a qualquer um, ser humano, se estivesse nas mesmas condições. Tudo depende das escolhas que fazemos no momento. Por vezes, não temos o discernimento ou a capacidade de fazer as escolhas mais acertadas, mais pacíficas...talvez seja isso que nos diferencia, talvez nada mais do que isso.

A par de tudo isto Afonso Catalão, especialista em Ciência Política e Estudos Orientais vai investigar o que realmente se passou quando um seu aluno - Ibrahim se barrica num autocarro em pleno Marquês de Pombal, Lisboa e faz explodir uma bomba matando os seus passageiros e deixando depois surpreendido o próprio Afonso Catalão...o seu aluno, que transformação ele teria passado ? Não o reconhecia capaz de um atentado, quem estaria por detrás daquele atentado?! 

O que mais me impressionou foi a história de Sarita que, com a sua família, vem da Síria, atravessando o Mar Egeu (Grécia) para a Europa. Acompanhamos a simplicidade desta família, o amor pelas tradições que têm, a sua cultura árabe, o respeito que têm uns pelos outros, e acima de tudo por Alá ao qual dirigem as suas preces com um amor profundo e respeito imenso. Abominam a violência e vivem com o duro trabalho do dia-à-dia, sempre com boa disposição, com alegria de estarem juntos...bem nem todos, o irmão de Sarita, vê-se em revolta, numa angústia completa e conseguimos compreender a razão de tais sentimentos.

Ao mesmo tempo, Catalão vai descrevendo o seu próprio percurso e a sua passagem por Istambul. O seu enorme amor - Fatima, pela qual se converte ao Islamismo. Mas os corvos são sinal de mau presságio, como diz Catalão, pelo que ao longo do livro, vão acontecendo várias desgraças que no fim se ligam num entrelaçado de encontros e desencontros. As razões para determinados acontecimentos, afinal não eram o que aparentavam ser...

Gostei imenso da escrita do autor, da história e de entrar nesta forma de ser árabe. 

O conhecimento é de facto o que separa as pessoas da ignorância e a ignorância pode proteger-nos de muitas associações estúpidas e até perigosas. É claro que já tenho todos (menos o último) livros da série Afonso Catalão e um destes dias, com toda a certeza darei continuidade a estas leituras.

Ahh já agora, gostei também do jeito pacífico, alentejano e também simples deste agente secreto :-).

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Empatia;
  • Humildade;
  • Simplicidade;
  • Injustiça;
  • Raiva;
  • Incompreensão.

🌠Ler quando:

- Quer aprender mais sobre outras culturas (particularmente a árabe);

- Precisa de entender que a humanidade é uma só;

- É importante pôr-se ma pele dos outros (sentir o que o outro sente);

- Se anda baralhado de ideias e confunde-se religião com qualquer forma de agressão e violência contra si e contra os outros;

- Precisa de entender que todas as religiões e culturas têm um fundo bom e merecem ser respeitadas e compreendidas;

- É importante verificar que devemos respeitar e entender as tradições de outros povos e culturas e ao fazê-lo estamos a ser mais humanos.


Fica a aqui um site onde podem ouvir alguns episódios deste livro (podcast)

Ficheiros Catalão

Outros livros desta série:

Pecados Santos (2º da série)

A Última Ceia (3º da série)

A Morte do Papa (4º da série) 

O  Cardeal (5º da série)


Título: Célula Adormecida

Comprar pela WOOK (link de afiliado)

460 páginas

Autor: Nuno Nepomuceno

Editora: Cultura Editora





terça-feira, 9 de março de 2021

Um Pequeno Favor de Darcy Bell


Este é um thriller nada de especial, mas também nada de deitar fora...um "assim-assim", portanto.

As personagens desta história são todas estranhas e com passados obscuros. Temos a Stephanie que é mãe de uma criança de 4-5 anos que anda na cresce - o Milles, autora de um blog para mães (mães galinha). Está sempre em cima da sua cria e vive para Milles. Existe Emily, uma elegante profissional do mundo da moda, sempre "in", muito chique, que também tem um filho - o Nick, da idade de Milles e seu grande amigo. Há uma terceira personagem na história, cujo papel é revelado mais tarde, o marido de Emily, homem do mundo das finanças e ausente, até meio do livro.

Emily e Stephanie tornam-se grandes amigas e confidentes. Vamos sabendo da história que é fachada, há outra história atrás da que primeiramente é revelada. Mas o livro começa precisamente com Stephanie a relatar no seu blog que a sua querida amiga, Emily, desapareceu sem deixar rasto. Um dia Emily pediu a Stephanie para ficar com o seu filho, subentendo que à noite regressava. Emily não regressou, nem nessa noite, nem nos dias seguintes. Stephanie deixa um apelo desesperado às outras mães, leitoras do seu blog, que se encontrarem alguém parecido com a descrição que faz da amiga, não hesitem em contactar.

Começamos por perceber que quando Stephanie escreve no seu blog, uma boa parte é omitida, mentira ou não revelada. Surgem pouco a pouco "podres" do passado desta mãe bloguista, coisas que nunca são ditas no blog (claro). A imagem que passa é de uma super mãe, super amiga e super mulher, dedicada 100% ao seu filho Milles. Por outro lado, Emily também tem uma cota razoável de segredos, que não revela à sua grande amiga (que afinal nem é assim tão grande amiga, ou será!?). David é o marido "trouxa", peão da história que é usado quando mais convém (mas está convencido que é parte importante das decisões que são tomadas pela sua mulher, Emily).

As crianças aqui surgem como "elementos figurantes" da história. Estão lá, aparecem nos cenários, são ingénuos, inocentes e brincam ou fazem birras, são testemunhas quando algo acontece de importante, mas é só isso.

O que achei eu? Nem sei bem...é um livro que se lê bem, vai decorrendo a uma boa velocidade de leitura, mas sinceramente, não fez aquele WOW que estou à espera num bom livro! Também achei tudo muito irreal (isto é os passados terríficos e incrédulos das personagens). Parece que foram escolhidos elementos que pudessem chocar os leitores, porque um personagem assim é que teria intensidade suficiente para a história. 

Ahh, depois senti que todos os outros personagens aceitaram muito bem tudo o que acontece de "non sense", como se fosse muito normal alguém que é dado como morto voltar a ter a sua vida normal e por aí fora...

Bom mesmo é que tem filme :-)) e do que ouvi falar, está bem interessante (ainda não o vi!). Será que este é um dos casos em que vale mais ver o filme do que ler o livro?



Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Angustia; 
  • Desconfiança;
  • Maldade;
  • Traição.

🌠Ler quando:

- Se é muito ingénuo e se acredita que só existem pessoas boas na vida.

- Se acabou de ler um romance muito fofinho e cheio de mel em que tudo acaba bem.

- Se não consegue perceber que infâncias muito más podem resultar em adultos psicopatas.


301 páginas

Autor: Darcey Bell

Editora: Bertrand Editora

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

O Salva-Vidas de Stephen Crane

 Aqui está a prova de que um livro muito pequeno (com 63 páginas), uma história curta, pode ser um grande livro, uma grande história! 

Não sei quanto a vocês, mas quando começa a chegar o final do ano e eu ainda não atingi a meta de leitura do Goodreads, proposta por mim no início do ano, fico com comichões e variações (só para rimar é claro :-) e desato a ver se não tenho livros parados na estante que me permitam cumprir a dita meta (este ano estava reduzida a 30 livros e ainda assim só tinha 26 lidos!). Não que vá escolher qualquer coisa para ler (no desespero...) nunca, jamais, porque tudo o que entra cá em casa foi escolhido com muita devoção e muitas opiniões lidas ou ouvidas em booktubers...pronto, por acaso, este não foi o caso ! :-)).

O Salva-Vidas de Stephen Crane foi um daqueles livros que estão na seção dos 4,99 eur na Wook ou mais baixo ainda, e não sei porquê chamou-me à atenção. Longe de perceber o reduzido tamanho que tinha, o livro quando chegou cá a casa revelou-se um mini-livro e só passado um ano é que lhe peguei...ou seja, agora, e adorei! 

A história transporta-nos para dentro de um pequeno bote, num mar revolto, com ondas bem grandes, espuma e água gelada por todo o lado e o autor consegue realmente colocar-nos, a nós leitores, neste cenário húmido e gélido. Com 4 personagens apenas: o maquinista; o cozinheiro; o capitão e o jornalista, a história vai-se desenvolvendo, rápida e com muita vontade nossa de ver qual o desfecho.

É muito curta a história, mas igualmente bem escrita e claramente visualizamos todas as aflições destes 4 homens que nunca deixam de ser cordiais uns para com os outros. 

"- Vens substituir-me por um bocado? - perguntou, resignado.
- Claro que sim Billie - disse o jornalista, acordando e arrastando-se de forma a ficar sentado. Trocaram de lugares com cuidado e o maquinista, aconchegando-se na água do mar ao lado do cozinheiro, pareceu adormecer instantaneamente."
Imagem de Myriams-Fotos por Pixabay

É claro que a dada altura só querem saber se estes 4 corajosos homens sobreviveram...e terão de ler o livrinho para descobrir isso! Que aqui não são feitas revelações, mais do que as necessárias, o prazer, esse está mesmo nas leituras.

63 páginas
Autor: Stephen Crane
Editora: Estrofes & Versos

domingo, 26 de julho de 2020

Em fuga de Peter May

Este é um bom thriller para quebrar aquela falta de vontade que nos dá de ler coisas chatas, monótonas, lentas e que não avançam. Aqui não há esse problema pois a história voa.

Embora o tivesse achado nada de especial, é muito rápida a sua leitura pois a narrativa é envolvente e sem darmos por isso avançamos bastante em pouco tempo.

Esta história gira à volta de 4 velhotes (Dave, Jack, Maurie e Luke) que decidem consertar algumas pontas soltas que deixaram, lá atrás, no seu passado. Explicando melhor, a iniciativa de regressarem a Londres vai ser de Maurie, um dos amigos que agora está às portas da morte com cancro, acamado num hospital. Depois de  de ter lido a notícia da morte de um sujeito do seu passado e de uma história em comum com os tais amigos, insiste com eles que tem que voltar e assim regressam todos.

Não nos surpreende em demasia pois não sendo demasiado óbvio, também não é extremamente difícil antecipar alguns acontecimentos deste policial. E o final, embora seja um pouco surpreendente, porque não estamos à espera (pelo menos completamente) do desfecho, também não é assim espetacular, mas é uma leitura que nos envolve e prende.

Saliento um aspeto que achei ternurento - a relação entre avó (Jack) e o neto (Ricky), pois ao transportar o neto para esta aventura Jack pensa também estar a devolver-lhe uma "vida a sério" que não passa por estar sentado à frente do PC horas a fio em jogos e outras coisas do género. Jack trata muitas vezes o neto por "filho" o que achei bem bonito, até porque nos é mostrada a fase da vida de Jack em que ele próprio era um jovem imaturo (o livro desenvolve-se em duas épocas - anos 60-70 e 2015). Ricky, que no início não tem o avô em boa consideração, muito por conta da influência dos próprios pais, já mais para o final do livro reconhece que o avô foi um aventureiro com uma vida digna de ser vivida! 

A perspetiva de Ricky quando diz que considerava que os velhos eram velhos e parecia que nunca tinham sido jovens, não deixa de ser pertinente, pois muitos jovens têm esta forma exata de pensar das pessoas mais velhas (e basta que estas pessoas tenham 40 anos ou mais...). Com as histórias do avô, contadas na primeira pessoa, Ricky passa a ter uma noção muito diferente da vida e dos "velhos".

Sei que este autor tem vários outros livros e que este nem é o que é dos melhores. E ao pesquisar mais sobre o autor, descobri que tinha escrito um livro, lançado em abril deste ano (que timing curioso, mesmo em cima da pandemia) com o nome "lockdown" que retrata Londres, como a cidade epicentro de uma virulenta e intensa pandemia em que os hospitais rebentam pelas costuras...bem, esperemos então pela sua tradução para português pois me parece que a leitura vai ser rápida! 

387 páginas
Autor: Peter May
Editora: Marcador


quinta-feira, 16 de abril de 2020

Febre de Nick Louth

Este foi o primeiro livro que li em 2020 e, curioso, que se enquadra perfeitamente na época que estamos a viver agora! Tão a propósito veio esta leitura e eu que não sabia o que viria a acontecer  toda esta pandemia do coronovírus! 

Alguém, que num voo para Amesterdão transportava um tupperware com um conteúdo inédito...um mosquito, mas não era um mosquito qualquer! Ele transportava dentro de si uma carga letal, capaz infetar qualquer normal mortal com um tipo de malária fulminante. E eis que esse tupperware é aberto, durante o próprio voo, consequências não só para os passageiros desse voo, como também para muita gente com a qual o mosquito teve o azar de se cruzar (ou sorte para o mosquito). Sabemos também que se reproduzem velozmente os mosquitos...

A doença mortal começa a espalhar-se e não há vacina para este tipo de malária, as descrições do efeito da doença são muito gráficas e impressionantes e o livro em si, é rápido, portanto daqueles thrillers que se lêem muito bem.

No meio disto tudo, há interesses (muitos) como já seria de esperar. Grandes farmacêuticas são aqui retratadas como grandes e poderosas que olham só ao lucro... e muito dinheiro está envolvido na detenção de uma patente para uma vacina, no conhecimento para uma possível cura...

Há dois tempos marcados nesta narrativa (um que relata o que foi sucedendo no passado com a Erica e em forma de diário e outro que relata a atualidade e até pelo menos dois narradores. A verdade contada sob dois (pelo menos) pontos de vista, o que gostei bastante, até porque são partes da história que vão afunilando para o mesmo fim. No início há coisas que não percebemos, mas depois tudo se encaixa como se fossem peças de um puzzle.

O livro é de 2015, mas bem atual portanto...

376 páginas
Autor: Nick Louth
Editora: Jacarandá Editora
****a minha classificação no GoodReads

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Aqueles que merecem morrer de Peter Swanson

Este é um thriller de arrepiar a espinha, desde o princípio até ao fim. Arrepia a espinha não por ser uma história de horror completo, mas porque as descobertas e reviravoltas que a história nos apresenta faz-nos mexer os neurónios e subir o nível de adrenalina e isso é o que se quer (pelo menos volta e meia) de um livro.

Um homem e uma mulher (Ted e Lily) encontram-se no aeroporto e, depois de várias bebidas no terminal à espera de um voo para Boston, entram numa espécie de acordo...é que todos temos de morrer e que tal apressar a morte de quem não merece viver ? Este é o pensamento profundo de Lily uma das personagens, fortemente psicopata e talvez das principais, senão mesmo a principal da história. 

Quando menos esperamos, a história que era conduzida de uma forma, tem uma reviravolta daquelas e já não vai pelo caminho inicial e por outro que nos surpreende completamente. E de surpresa em surpresa se vai lendo este livro, viciante e pequeno, portanto de rápida leitura. Está escrito dando-nos a perspetiva de várias das personagens, na primeira pessoa, capítulo a capítulo. 

Muitas mentiras e segredos escuros aliás, profundamente escuros, que desenham o perfil de cada um dos personagens, sendo talvez a mais "dark" delas todas - a Lily. Lily tem uma infância estranha, negligente, diria que infeliz e desde cedo faz coisas que não deveriam ser feitas por ninguém, muito menos por quem é tão jovem (e começa cedo). Ela começa a fazer estas coisas para se proteger a si e a quem ama (por exemplo uma gata, a Bess), isto porque é filha de pais completamente negligentes, do género - se queres comer desenrasca-te...o que andas a fazer é lá contigo ...o que estes pais gostavam era de festarolas, bebidas e tal. 

O interesse de Lily por livros é enorme, ela refugia-se na leitura desde cedo, e isto é uma coisa que um leitor viciado gosta sempre de ler nos livros. Um livro que nos fale de livros é sempre uma ótima redundância ! Matematicamente falando, é o quadrado do livro que estamos a ler, ou o cubo :-).

Peter Swanson escreve bem, tirando o fôlego ao leitor e criando momentos de reviravoltas completas (plot twist) e foram estas as que me fizeram chegar a uma classificação de 4 estrelas e não de três, isto porque de início não me estava a agradar assim tanto, mas vamos num sentido que de repente vira por completo e isso fez com que eu subisse esta narrativa na minha consideração.

277 páginas
Autora: Peter Swanson
Editora: Editorial Presença
****a minha classificação no GoodReads

domingo, 30 de junho de 2019

Bem-vindos a Joyland

Aqui está o meu primeiro livro de Stephen King - "Bem-Vindos a Joyland". Não é daqueles aterrorizadores de que tanto se fala quando deste autor se trata. É uma história de um rapaz pré-universitário que para esquecer a namorada e ganhar uns cobres vai para a Carolina do Norte onde se encontra um parque de diversões, meio para o velho, e que na época de Verão, contrata sempre pessoal de reforço.

Devin, é um bom rapaz e entra numa de tudo fazer para esquecer Wendy, a namorada que deixa para trás quando embarca nesta aventura, ou antes, a namorada que já o tinha deixado a ele para trás quando decidiu ir viver com uma amiga para longe dele. Como se trata de um jovem que se dá bem com todos, todos o protegem e quando começa a alimentar-se mal e a entrar numa onda depressiva, não faltam vozes amigas a quererem que ele arribe de vez. 

Ao longo da história Devin vai criando novos laços, e Wendy às tantas já tinha passado à história.

É em Joyland que encontra grandes amigos (alguns vão permanecer na sua história pessoal) e também é em Joyland que vai ter contacto com uma assombração presa no comboio fantasma - uma rapariga morta por um homem que ainda não foi apanhado, assassino este que ainda nem se conseguiu identificar até aos dias em que Devin foi para lá trabalhar.

A história é passada em dois tempos diferentes, melhor, ao longo de toda a história Devin relata o que aconteceu naquele verão e volta e meia vem ao presente para explicar uma ou outra coisa que está acontecer ou aconteceu numa época posterior ao Verão na Joyland.

O livro prende e a história é rápida dando aquela vontade de progredir rapidamente nas páginas de modo a sabermos quem foi, quem está por trás de todo o mistério e o que se está passar...há pormenores que não encaixam a 100% e relativamente à capa da edição portuguesa escolhida pela Bertrand Editora, sinceramente nem sei bem porquê é que escolheram o palhaço, embora goste das letras e da roda lá atrás - Carolina Spin, mas sem dúvida que a capa da versão original, quanto a mim, é bem mais ilustrativa da história, ou seja, tem mais a ver.

O autor cria todo um cenário e ambiente de feira, em que se fala numa linguagem própria, em que há rotinas específicas e personagens com  fatos típicos exibindo o Howie (o cão feliz), símbolo daquele parque temático (até este poderia ser mais representativo para a capa!).

Não é uma história daquelas que me vá marcar para a vida e também não é daquelas histórias que metam muito medo, por isso quem quiser começar com Stephen King e não souber o que ler para primeiro, penso que esta é uma boa hipótese.

Autor: Stephan King
Bertrand Editora
253 páginas

domingo, 31 de março de 2019

O Homem de Giz de J. Tudor

Pronto já ando a "furar" a minha de lista de livros a ler para este ano a toda a velocidade e de toda a forma e feitio e para isso basta dar uma voltinha inocente na biblioteca. Torna-se portanto irresistível por lá andar, no meio das prateleiras, sem trazer comigo 2 ou 3 livros que já me tinham despertado a atenção. Desta vez trouxe debaixo do meu braço este - o Homem de Giz de Tudor e desta feita intercalei com a última carta de amor de Jojo Moyes.
Sobre o livro aquilo que melhor o traduz para um leitor àvido de leituras é que ele é rápido, de um fôlego só e quase ficamos sem ar, porque ao ler duas linhas queremos ler mais quatro, ao ler quatro mais oito e vai daí a leitura assemelha-se a uma progressão geométrica que não pára de crescer :-).
Gostei muito, pois prende e nos exige uma continua leitura sem grandes paragens, no entanto (e eis que me torno cada vez mais uma leitora ultra exigente, enfim...), não gostei da tradução e não gostei de todo, pois não gosto dos termos "garoto", ou "monte de merda", ou outras frases que francamente só desvalorizaram a escrita, pareciam coisas mal encaixadas, meio deslocadas, mas o todo não fica desvalorizado, ou antes, a história não fica desvalorizada. 
Também existiram outras partes que ficaram meio estranhas e mal ajustadas no meu raciocínio, há partes que não consegui concluir se eram apenas imaginação da personagem ou se de facto teriam acontecido e se sim, a acontecerem, não se percebe então o desfecho, com "culpados" que não correspondem ao andamento da história...dá a sensação que a autora nos desvia as atenções com acontecimentos quase "non sense" para que seja pouco expectável o desfecho...ainda assim, como disse é muito rápida a leitura e prende-nos.
Gosto de thriller, gostei por exemplo da rapariga do comboio (bastante) e até certo ponto pareceu-me mais coeso e coerente na sua narrativa, do que este, mas ainda não digo que thriller é a minha praia, porque não é! Até agora os livros que mais me tocaram foram os de romance e talvez particularmente, romance histórico. Seja como for, ainda há tanto para percorrer neste caminho delicioso da leitura...
Ahhh sobre o conteúdo?! Pronto também posso explicar um cheirinho...
Um grupo de adolescentes, lá pelos anos 80, com as suas bicicletas exploram o mundo, a floresta lá perto das suas casas e jogam os seus jogos, arranjam as suas brincadeiras. Surge um professor novo na vila, fisicamente diferente do habitual, é estranho, misterioso e propõe à nossa personagem principal uma brincadeira nova...mensagens escritas a giz. O grupo de adolescentes, cada um com a sua história familiar por trás, começa a entrar neste novo "jogo" - mensagens através do giz escritas em diversos sítios e com códigos próprios ....e descobrem coisas horríveis que mais tarde, bem mais tarde se descobrem, ou parcialmente ficam descobertas, porque alguns pequenos pormenores ficam escondidos...talvez para sempre!

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

O Símbolo Perdido de Dan Brown

"O cubo era uma caixa enorme, sem janelas. Cada centímetro das paredes interiores e teto estava coberto por uma tela rígida de fibra de chumbo revestida de titânio, dando a impressão de uma jaula gigantesca construída dentro de um recinto de cimento(...). Apesar da ciência noética usar tecnologias de ponta, as descobertas em si eram muito mais místicas do que as frias e sofisticadas máquinas que as produziam. A matéria que relevava da magia e do mito estava a tornar-se rapidamente realidade, à medida que novas chocantes informações chegavam de todos os lados, todas elas apoiando a ideologia básica da ciência noética - o potencial inexplorado da mente humana.

A tese global era simples: Ainda mal começámos a descobrir as nossas capacidades mentais e espirituais."

Este é apenas um cheirinho do conteúdo deste livro, no qual fiquei a conhecer o termo: "ciência noética".

Robert Langdon é novamente o protagonista principal, cujos serviços e conhecimentos infindáveis na área da simbologia são requeridos para desvendar mais mistérios insondáveis. Desta vez, incluem uma cientista da área da noética e o seu laboratório XPTO muito à frente, feito para estudar a noética (esta ciência, procura estabelecer um paralelo entre o mundo físico, material e a capacidade infinita e ainda muito desconhecida da mente humana. Até que ponto os pensamentos influenciam a realidade?). É claro que as avançadas pesquisas nesta área conseguidas por esta cientista não agradam a muita gente pelo que sucedem perseguições, mortes, coisas esquisitas e misteriosas todo o tempo e faz-nos ficar viciados, completamente agarrados ao livro até que se resolvam todos os mistérios e esclarecidos todos os segredos...

Dan Brown é sem dúvida um autor que prende e que muito embora os seus livros sejam assim para o "pequeno calhamacinho" :-), não damos conta das páginas que têm e queremos sempre que haja mais...vale muito a pena ler e sobretudo para pessoas como eu que adoram temas ligados ao esoterismo, misticismo and so on! Enjoy! 


Autor: Dan Brown
571 páginas
Bertrand Editora


sexta-feira, 27 de julho de 2018

A rapariga no comboio de Paula Hawkins


Ora aqui está um livro que me prendeu desde a primeira página até à última linha do livro! Eu lia sentada no comboio (coincidência com o título :-), lia em pé, à espera do autocarro ou sentada no autocarro, em todos os pedaços que encontrava, tempos livres entre trabalho (daquele que nos dá dinheirito ao fim do mês) e do outro que temos que fazer só porque temos uma casa e família.

A rapariga no comboio é Rachel, talvez a personagem que acompanhamos mais ao longo do livro, mas, o que é interessante é que somos levados a "estar na pele" de várias personagens, todas elas mulheres, e que nos mostram os acontecimentos sob a perspectivas delas.
O livro transmite alguns valores, assim meio sem querer, porque Rachel é alguém com uma auto-estima baixíssima que pensa ter culpa de tudo de mau que lhe acontece na vida.  A dada altura da sua vida Rachel começa a beber e isso traz-lhe muitos amargos de boca, como o do apagão total da memória acerca dos acontecimentos...
Também somos surpreendidos porque à partida, a maior de nós não iria concluir o que acontece no livro, isto é, não é óbvio e ainda bem, porque caso contrário seria muito previsível e nós gostamos  é de coisas que nos surpreendam e nos levem a pensar. E é melhor não escrever mais pois tenho receio de "spoilar" a coisa, o que não teria piadinha nenhuma! 

Sobre a autora ...
Paula Hawkins era jornalista e, pasme-se, na área financeira. Ora números e thrillers talvez conjuguem, pois este resultou e muito bem, com 2 milhões de livros vendidos em 3 meses não é para qualquer um! Estreou-se com este livro e já está por aí outro cujas opiniões não são tão boas "Escrito na Água". É óbvio que fiquei com vontade de o ler e mais...já não me lembrava que os Thrillers eram tão cativantes.

Editora: Topseller
Páginas: 384 que se leem num ápice
Tema: Thriller


Este livro já se encontra adaptado em filme e para quem quer ver (só depois de ler o livro, ou não :-) aqui fica:


literatura-billboard

Imagem do cabeçalho do blogue de "GimpWorkshop"

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