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segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

A Grande Solidão de Kristin Hannah

 

Este foi o meu primeiro livro terminado em 2023 (yehhh). Tenho a impressão que também vai ser o melhor do ano e se tal não acontecer, de certo que estará entre os melhores do ano.

Esta autora escreve de uma forma tão intensa que estamos, de um momento para o outro, dentro da história e, depois, torna-se muito difícil largar. Página após página queremos "devorar" mais um bocadinho da história. Tudo o que existe de vida real fica "apagado" quando estamos a ler este livro. Penso que este feito, poucos autores conseguem fazê-lo. Nada de resto existe aqui, a não ser as personagens e as paisagens que, neste caso, são avassaladoras e transmitem-nos as mais diversas sensações.
Leni ou Lenora, é uma rapariga de 13 anos quando a família se muda para o Alasca, a Terra mais distante e fria do planeta. Distante de tudo o que é grande metrópole, distante de luzes, de trânsito, de pessoas, de prédios, enfim, podia-se até dizer, distante da civilização tal como a que conhecemos no mundo citadino onde, a maior parte dos que lá habitam, procuram algum conforto e "qualidade de vida".
No Alasca há pouco de conforto e nesta época (anos 70) nem eletricidade ou TV existia! 

A história inicia-se em 1974, dá um salto para 1978, segue até 1986 e, por fim, há uma carta escrita pela Leni, já em 2009. Contudo, a maior parte da ação decorre entre 1974 e 1986. 

Imagem composta. Imagem de base de Noel Bauza por Pixabay







A família de Leni — ela e os pais, herda uma terra algures ou "nenhures" no Alasca, Fairbanks. O pai de Leni, como não consegue adaptar-se nem assentar em parte alguma dos EUA, decide aceitar e sente que é a grande oportunidade da família. Esta decisão vem também da sequência de uma vida extremamente instável, tanto no aspeto emocional como no económico. De facto, Ernt, o pai da família, é um ex-militar, traumatizado da guerra do Vietnam, tendo por isso, explosões de humor, raramente ou nunca controladas e que fazem temer mãe e filha (temer e com muita razão, porque neste livro há bastante violência doméstica à mistura).

Chegados ao Alasca, a luta pela sobrevivência no inverno é enorme, mas os vizinhos da família recém chegada, são atentos e vão ajudando no que podem. Os três fazem o que podem para sobreviver aos meses de inverno intenso onde pouca luz há. 

A imagem que o livro passa, é uma pequena cabana, muita neve e frio, uma salamandra sempre com lenha a arder e muito salmão enlatado e fumado para alimentar a família. A família também recorre à caça, abundante pelo menos no verão. Embora seja duro viver neste local, quem para lá vai sente que finalmente chegou a casa. Diz-se que quem para lá vai, ou foge de alguma coisa e não quer ser jamais encontrado ou vai à procura de alguma coisa que ainda não encontrou em parte alguma. E o Alasca oferece, mas também tira brutalmente, e aqui pode-se entender: até a própria vida! 

Leni no seu percurso duro, passa por muito, mas reconhece que o Alasca é a sua zona de conforto, o seu local de eleição e, isso, de alguma forma apazigua-a. Conhece Matthew ainda nos bancos de escola e entre eles surge um enorme amor. A história podia ter tudo para ser fácil e maravilhosa, mas a vida dá uma volta gigante e Leni, terá de lutar e chorar bastante para concretizar os seus sonhos.

Esta é uma história de amor (em todas as suas formas); de encontros e reencontros; de paisagens magníficas; de vida selvagem deslumbrante; de esforço; de medo; de dor, tudo embrulhado numa escrita que flui como se escorregasse por nós adentro !

palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:
  • Frio;
  • Neve e gelo;
  • Estações do ano;
  • Montanhas;
  • Dor;
  • Amor;
  • Resiliência.

🌠Ler para:

- sentir o que é viver numa terra gelada e muito distante de tudo;

- aprender a sobreviver na natureza selvagem;

- sentir medo e alegria como se estivesse nos pés das personagens;

- perceber que em meios difíceis e quando a natureza é rude e agressiva, as pessoas unem-se como se fossem da própria família;

-viajar até ao Alasca, sem sair de casa e no entanto sentir como se estivesse lá! 


Título: A Grande Solidão.

456 páginas.

Kristin Hannah

Editora: Bertrand Editora

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Almoço de Domingo de José Luis Peixoto

Com uma escrita sublime, José Luis Peixoto conduz-nos através da vida do grande empresário da Delta cafés, o senhor Rui Nabeiro. Este livro nem sempre é de fácil leitura, pois muitas vezes parece que estamos em fluxo de consciência. O autor alterna entre a primeira pessoa, como se estivesse nos pés do personagem principal — Nabeiro, outras vezes, a história é contada na terceira pessoa.

Há frases que ficam marcadas — coloquei post-its em várias páginas do livro, pois são únicas, são tão magníficas e, ao mesmo tempo, tão simples que foram as partes que mais gostei de ler. Passo a transcrever duas destas frases, sem, penso eu, correr o risco de dar denunciar a história:

"Se deixámos de ser quem éramos, quem passámos a ser? Ou será que não deixámos de ser quem éramos e passamos a saber melhor quem sempre fomos? "

"O silêncio é quebrado por uma explosão, estilhaça-se o silêncio em mil pedaços." 

A todo o momento somos recordados que o Sr. Rui não é e nunca foi doutor e que não quer ser tratado como tal. As suas origens são muito humildes e temos a prova disso mesmo ao longo de toda a história, onde lemos várias partes da infância e da adolescência deste empresário de Campo Maior.

Rui Nabeiro fez também muito pela sua terra - Alentejo, Campo Maior e pelas suas gentes, pelo que é reconhecido não só em Campo Maior, como também em Espanha, onde desde cedo foi para negociar o seu café. 

Através desta história cheia de idas e vindas do passado para o presente e deste para o passado, vamos percorrendo a vida de Nabeiro, vamos conhecendo um pouco da vida dos seus pais que a tanto custo foram criando os filhos, dos seus irmãos e do tio mais próximo, que talvez o tenha influenciado mais.  Compreendemos como nasceu a ideia da fábrica da Delta e que Nabeiro trata com reverência e reconhecimento todos os seus trabalhadores e que estes lhe reconhecem mérito e lhe são dedicados, tendo por ele um enorme respeito e consideração. Este respeito que Nabeiro tem por toda a gente e que é sem dúvida retribuído, é muito visível nesta passagem:

" O meu tio Joaquim ensinou-me a ir onde for preciso, e falar com as pessoa. Vale a pena falar até com aqueles que não nos dão uma oportunidade, que nos sujeitam à pior injustiça. Custa, mas vale a pena. O mais certo será que a gente goste dessas pessoas e que, afinal, essas pessoas acabem por gostar da gente."

Claro está que fiquei cheia de vontade de ler mais livros deste autor e que "Galveias" é daqueles que mais tenho curiosidade em ler.


palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:
  • Respeito e consideração
  • Perseverança e não desistência;
  • Não desistência de sonhos;
  • Ideias e criatividade;
  • Luta;
  • União;
  • Família.

🌠Ler para:

- saber mais acerca de personalidades importantes portuguesas;

- matar a curiosidade acerca das vivências nos anos 20 a 30 em Portugal;

-  reviver ou saber como foi vivido o 25 de abril por pessoas do povo (trabalhadores de fábricas);

- ficar a conhecer o dono da Delta cafés e a sua relação com a sua valiosa família.



Título: Almoço de Domingo 

267 páginas.

Autor: José Luis Peixoto 

Editora: Quetzal





quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Afirma Pereira de Antonio Tabucchi

 Este é um pequeno livro com muito recheio! 

Pereira é um jornalista que exerce a sua atividade nos anos em que também Salazar governava.

Aqui "afirma" é de dizer com certeza, não duvidava que era assim...e é muito engraçado como, ao longo de toda a história, o autor escreve na terceira pessoa, aplicando imensas vezes o verbo afirmar. Por exemplo:"Afirma que não o copiou todo, copiou só algumas linhas..."; " Pereira arrependeu-se, afirma...". Esta particularidade, dá um tom de graça ao texto, aliás, há aqui e além umas notas de humor que divertem o leitor. 

Não direi muito, além do que está escrito nas badanas do livro, porque sendo um livro pequeno, se escrever muito sobre ele, acabo por denunciar a história toda e não quero fazê-lo! Mas, devo dizer que este jornalista da época da ditadura, anda no limiar de consciência, percebe-se que não quer ir contra o que está estipulado, o que é a política vigente. Deve obediência ao seu Diretor, mas ao mesmo tempo, tem uma enorme vontade de afirmar a sua voz !! E é esta "guerra" de consciência que diverte o leitor. E embora seja divertida a história é também dura, porque não se inibe de ir dizendo umas verdades e, a dada altura, torna-se mesmo cruel.

Pereira adora beber a sua limonada (com carradas de açúcar) e come a sua habitual omeleta, com salsa, no café Orquídea. É assim que ganha uma barriga jeitosa e se sente anafado. Fala com a sua esposa, só que esta é apenas um retrato em cima de um móvel de sua casa. Trabalha na seção cultural do "Lisboa" e, atreve-se a traduzir autores franceses, mais liberais, que vão contra os ideais conservadores do regime português nesta época. Atreve-se a ir contra a vontade do seu Diretor, que lhe pede mais autores portugueses. O seu chefe, pede-lhe que seja mais patriota, o que significa, para Pereira, muito "mais do mesmo"...ora Pereira acha isto aborrecido de morte. Por falar em morte, este tema atrai Pereira, e anda de volta dele até encontrar um jovem que contrata, como estagiário, para escrever necrológios (elogios fúnebres) de autores que ainda não morreram, mas que nunca se sabe se vão morrer de um dia para o outro e assim, o jornalista encontra-se precavido! 

Mas, as coisas não lhe correm como deseja e a história agudiza-se, o que seria de prever num regime com censura e opressor, como era o da época...

Vale muito a pena ler este livrinho e diria que já é um clássico.

Encontra-se também em formato de Graphic Novel e esta deve ser mesmo muito boa e que com toda a certeza, se devora de um trago :-).


A minha edição é ainda da coleção Mil Folhas do Público.


palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:

  • Censura;
  • Ditadura;
  • Liberdade de expressão;
  • Divertimento;
  • Livros e autores;
  • Artigos de opinião;
  • Cultura;
  • Dar voz à Voz.

🌠Ler:

- quando queremos perceber como funcionava a censura;

- livros curtos e com uma escrita relativamente simples;

- queremos aprender mais sobre autores franceses (clássicos);

- quando acreditamos na liberdade de expressão;

- quando queremos alguma coisa com uma pitada de humor (quase negro). 


Título: Afirma Pereira

216 páginas.

Autor: Antonio Tabucchi

Editora: Dom Quixote 


Fica também o livro em formato de Graphic Novel, para quem quer ler neste formato mais atrativo! 

Esta obra foi também adaptada ao cinema italiano: Afirma Pereira filme.

sábado, 17 de dezembro de 2022

O Terceiro Anjo de Alice Hoffman

 Este não é o primeiro livro que leio de Hoffman, e de ambos gostei!Os enredos de Alice Hoffman são sempre originais, não caem em lugares comuns, de maneira nenhuma! 

As histórias são meio estranhas, mas por isso mesmo é que vão cativando.

O Terceiro Anjo é a história contada em três épocas diferentes, três anos distintos:

Começa em 1999, depois passa-se em 1966 e por fim em 1952.

As histórias independentes umas das outras têm elos que as unem e não compreendemos completamente as três histórias até chegarmos ao final do livro que no fundo encerra e liga tudo, como se de um grande laço se tratasse. É uma espécie de cebola ou matrioska, se quiserem, com várias camadas.

Cada uma das histórias é contada por uma mulher, que está a viver a sua vida no ano respetivo em que conta a história, Madeline; Frieda e Lucy, todas se apaixonam por homens que lhes transformam e tocam nas vidas, de alguma maneira, e nem sempre da melhor forma...

É pequeno este livro (220 páginas), mas estão aqui escritas algumas passagens muito interessantes, como esta, por exemplo:

"Tanto quanto sei os fantasmas são a essência de uma pessoa filtrada até aos aspetos mais básicos. Um círculo de iluminação vibrante. Supostamente, é disso que todos somos feitos". Sim, porque a história também inclui um fantasma (ou talvez não...muito interessante quando se descobre de que se trata afinal).

E, melhor ainda para quem gosta de ler e de escrever, uma das personagens é apaixonada por livros e por escrever histórias! 

Esta autora escreve de uma forma muito clara, embora não ofereça tudo ao leitor, de uma só vez, é saborosa a leitura das linhas que escreve. Há também uma certa magia nas suas palavras e isso agrada-me bastante.


palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:

  • Ligações;
  • Diversas partes que fazem parte de um Todo;
  • Histórias que se tocam de alguma forma;
  • Magia;
  • Espiritualidades;
  • Amantes de livros e de leituras;
  • Esperança e fé.

🌠Ler quando:

- se gosta de algum realismo mágico.

- se acredita em anjos.

- se pensa que os espíritos são apenas fantasmas.

- se gosta de livros, escrita e leituras.

- se gosta de histórias que se passam em Hotéis.


Título: O Terceiro Anjo 

220 páginas.

Autor: Alice Hoffman

Editora: ASA

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Um Estranho na Cidade de Kristin Hannah

Este foi o meu primeiro livro lido desta famosissíma autora. "A Grande Solidão " e o "O Rouxinol", são dois grandes títulos de Kristinn Hannah, com críticas muito positivas, no entanto, escolhi este como primeira leitura. O objetivo era ler a partir dos que são menos bons ou não tão falados para os outros que são comentados como sendo maravilhosos!

Esta é a história de três irmãs que ficam sem mãe muito cedo. O pai sempre mostrou ser duro e quase sem sentimentos, ou antes, nunca os conseguia expressar. As meninas crescem muito unidas umas às outras e cada uma, como é natural, com uma personalidade marcada e diferente das restantes duas.

Kristin Hannah caracteriza muito bem as personagens de modo a que sejam quase palpáveis, muito reais. Vivi Ann, a irmã mais nova é talvez a mais central desta história pois o busílis da questão vai desenrolar-se à volta desta personagem. Encantadora e capaz de atrair qualquer homem, é uma mulher sonhadora, com os pés mal assentes na Terra. Domadora de cavalos e com um dom natural para tal, centra a sua vida nos rodeos, corridas, de cavalos e eventos que prepara e organiza na grande propriedade da família (Grey), um terreno enorme.

Winona a irmã mais velha, é advogada e com uma baixa auto estima relativa à sua imagem. Tens uns quilos a mais, e pensa que isso condiciona todos os seus relacionamentos. É muito inteligente e super perspicaz, conseguindo ganhar muitos dos casos mais complicados do distrito.

Aurora, a irmã do meio, tem um casamento que se arrasta há anos, filhos e a autora descreve-a com aquele aspeto de doméstica a tempo inteiro, que vive para organizar a casa, fazer refeições, tomar conta dos filhos e ...nada a dizer se não ambicionasse mais do que isto. A imagem que passa ao leitor é um constante aperto com a vida que tem, como se gritasse. "quero expandir-me", o tempo todo. É das três, a que se sente obrigada a unir e conciliar, a geradora da paz na família, como uma boa mãe de todos e para todos, com os seus próprios problemas, mas habituada a olhar e cuidar dos outros e não de si...

E tudo estava bem e organizado, na paz do Senhor (como se costuma dizer...), Vivi Ann noiva de Luke, um rapazinho bem apessoado e com formação em veterinária. Eis senão quando, surge Dallas, conhecedor profundo de cavalos, que se apresentou para trabalhar no rancho da família Grey e que foi de imediato contratado pela Winona. Dallas tem um espírito rebelde, quase selvagem, faz o que lhe apetece e quando lhe apetece. Descendente de índios (nativo-americanos), tem marcas profundas de uma infância que teve tudo menos de feliz...é alvo fácil para preconceitos dos populares, se há alguém que se possa culpar, ele tem perfil para isso...

E é isto que é possível dizer sem entrar em spoiler  :-).
Devo dizer que esta leitura foi um pouco arrastada para mim, que só se torna verdadeiramente interessante lá para o meio do livro, no entanto, bom na mesma! 

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • união;
  • família;
  • amor;
  • fé;
  • sonhos;
  • determinação;
  • esperança;
  • liberdade;
  • persistência.
🌠Ler quando:

- se gosta de livros com julgamentos e tribunal;

- se acredita que a justiça pode tardar, mas acontece...

- se precisa de ler qualquer coisa onde a família se destaca pela sua união e ao mesmo tempo, pelos seus permanentes conflitos porque todos são diferentes...

- se gosta de dramas que acontecem entre irmãs;

- se gosta de livros que envolvem cavalos, ranchos, rodeos na costa oeste dos EUA. 


Título: Um Estranho na Cidade

414 páginas.

Autor: Kristin Hannah

Editora: Bertrand 



domingo, 31 de julho de 2022

Cinco Dias em Paris de Danielle Steel

Gostei bastante desta história. Embora seja daquelas que se podem ler entre leituras mais pesadas, sem relevância excepcional , é agradável e vai sendo veloz a sua leitura.

Foi a primeira vez que li alguma coisa desta autora tão famosa. Percebi que sabe contar histórias muito bem. A leitura é fácil e simples e o enredo até podia ser uma história real, embora muito romanceada, mas que sabe muito bem ler!

Peter é um homem honesto e com valores que coloca acima de tudo, no entanto, pelo seu sogro e casamento, vai fazendo várias concessões até que surge o dia em que a sua integridade e valores são postos em causa. 

No meio multimilionário das farmacêuticas em que a pressão é enorme vê-se entre a espada e a parede...optará pela sua integridade e honestidade ou passará a linha do vermelho, vergando-se às vontades autoritárias do sogro e da mulher ?

Num encontro em Paris realizado no âmbito de trabalho, para o seu patrão (o próprio sogro), conhece uma mulher que o fascina e que reencontra (após alguns outros encontros casuais pelo Hotel) um dia à noite nadando na piscina. Esta mulher, de nome Olivia Thatcher, estava a passar uma temporada em Paris para desanuviar dos seus "fantasmas" pessoais. Com vários problemas surgidos no seu casamento, não se podia dizer que era uma esposa feliz, com a vida dos seus sonhos. De facto, sentia-se posta de lado pelo próprio marido, um ser político da ribalta ao qual só interessavam as câmaras e o aspeto que transparecia para o público em geral. É certo que desta forma, "solidão" era o nome do meio de Olivia Thatcher.

Cliché ou não, os dois acabam por se encontrar e ter grandes conversas, como se fossem grandes amigos e conhecidos há séculos. Na companhia um do outro, começam a sentir-se menos sós...e quiça, mais apaixonados.

Estas duas personagens têm de facto algumas coisas em comum, a primeira de todas - a solidão, o não ter ninguém que realmente os oiça e os veja - acaba por ser o motor que os atrai intensamente um para o outro. A segunda coisa em comum - o casamento de fachada, no qual permanecem por puro comodismo e desconhecimento que há possibilidades bem melhores do que se acomodarem.

O cenário - Paris - tem tudo para resultar certo neste livro (como poucas páginas :-).

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Amor;
  • ternura;
  • paixão;
  • amizade;
  • desprezo;
  • manipulação;
  • aparências;
  • ilusões;
  • esperança.

🌠Ler quando:
nos apetece uma leitura leve e descontraída (q.b);
- precisamos de dar animo e alento à nossa vida;
- não nos conformamos com menos do que a felicidade;
- sentimos que precisamos de bater o pé e afirmar a nossa verdade;
- acreditamos que há amores apaixonantes e intensos.


Título: Cinco Dias em Paris 

205 páginas.

Autor: Danielle Stelle 

Editora: Bertrand

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Uma questão de conveniência de Sayaka Murata

Uma questão de conveniência é um livro diferente, mas muito interessante, uma vez que de forma quase subtil, vai abordando algumas questões pertinentes da sociedade japonesa, sobretudo no que toca às mulheres.

Keiko é uma moça nova, ainda estudante universitária quando se perde, num dos seus percursos e encontra o "aquário" vazio que viria a ser uma loja de conveniência, num bairro elegante, cheio de edifícios altos e perto de uma estação de metro. Candidata-se a um emprego em part-time, porque lhe atrai a ideia de um dinheirinho extra. Telefona para o anúncio de pedido de pessoal que encontra afixado e de imediato é contratada.

A família de Keiko fica feliz porque esta rapariga sempre foi estranha nas suas atitudes e pensamentos, tinha uma forma de reagir aos acontecimentos de vida que não era habitual no resto das crianças da sua idade, e embora a família já estivesse habituada a este tipo de reações, havia sempre um certo embaraço e até vergonha.

Keiko torna-se adulta, vai viver para um apartamento super pequeno, mas tem a sua independência e a família sente-se feliz com estas. Keiko não segue o caminho da irmã que se casa e arranja trabalho permanente, tem filhos e segue a vida "normal". Esta trabalhadora, eternamente "temporária", nem namorado arranja (espante-se) e continua eternamente, funcionária de uma loja de conveniência (a mesma...). Sempre satisfeita na organização perfeita das prateleiras e no atendimento sorridente e atencioso dos clientes. 

Keiko sabe os códigos de barras dos produtos, os preços específicos e assimila as rotinas desta loja que passa a ser a razão da sua existência. Como vai percebendo que a sua reação às coisas não é a que a maioria das pessoas espera, vai repetindo comportamentos, respostas, modos de ser e até de se vestir e apresentar aos outros.

Um dia acontece o inesperado...Keiko arranja um namorado, mas este vai moldando a vida de Keiko e transformando-a em algo que ela não está habituada, não é o seu padrão e começa a sentir-se desconfortável. Terá esta mulher de 36 anos, a coragem de voltar para o que sente ser a "sua praia"?! Terá Keiko a determinação de confrontar o namorado e a vida de modo a assumir o que verdadeiramente a faz sentir-se bem? 

Gostei bastante desta perspetiva que nos dá esta autora japonesa e é dos pouco livros que leio deste país. É muito interessante ler acerca de outras posturas, outras culturas, outras formas de se estar e ser e realmente, poucas coisas para além dos livros nos conseguem dar!

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • inconformismo;
  • diferença;
  • respeito;
  • cultura;
  • afirmação;
  • conforto;
  • conveniência.
🌠Ler quando:

- queremos algo diferente e rápido de se ler;

- nos apetece ter um contacto com uma cultura diferente da ocidental;

- se não acreditamos que podemos ser felizes com pequenas coisas;

- se pensamos que a rotina e os padrões nos dão o conforto do dia-a-dia.


Título: Uma questão de conveniência

155 páginas.

Autor: Sayaka Murata

Editora: D.Quixote


Ahh, é um livro pequeno com uma letra grande e por isso mesmo lê-se muito rapidamente! 

domingo, 2 de janeiro de 2022

O Guardião dos Objetos Perdidos de Ruth Hogan

 Este livro é maravilhoso! É a sensação que se fica no fim de o ler. 

Certo que há alguma confusão no início pois há duas linhas de tempo (passado e presente) e várias histórias que se desenvolvem em paralelo, no entanto tudo se liga no final e se entrelaça com uma ternura infinita.

A história começa com Anthony Peardew, já idoso e quando morre, passa em testamento, a sua amada propriedade, jardins e casa (Pádua) para Laura, governanta e amiga, de Anthony. O que Laura desconhece é que Anthony tem uma enorme coleção de objetos que foi encontrando pela vida fora, guardando e etiquetando com a data e local onde foram encontrados.

Laura herda assim Pádua, a misteriosa e encantadora propriedade de Anthony, mas também fica com um pedido importante de Anthony: restituir os objetos perdidos que ele foi encontrando e que estão no seu atulhado escritório. Como se desenrascará ela? Dizia o velho senhor que se apenas um objeto restituído fizesse alguém sentir-se melhor, então já teria valido a pena! 

Ao longo do livro são encantadoras as pequenas histórias que estes objetos vão contando, como se fossem partes vivas da memória de alguém que os perdeu. E curioso que o este livro também tem escritores muito bons (como Anthony e Boomer) e muito maus, como Portia (irmã de Boomer). Portanto é um livro que envolve vidas de quem escreve e edita livros e das histórias que estes contam.

Também conseguimos perceber que o dinheiro não dita a um coração ternurento e que um coração ternurento pode não ter muito dinheiro, mas, neste caso, tem boas ideias, amor e criatividade.

Há também Eunice que ambiciona escrever um livro e nunca chega a fazê-lo para se dedicar à vida de Boomer, o seu grande amigo e chefe que também adora filmes, estabelecendo-se entre eles quase um código de linguagem cinéfila.

Há também que já tenha morrido, mas anda a assombrar Pádua de modo a que se encontre um objeto perdido muito importante na vida de Anthony e Therese e por causa desse mesmo objeto, a vida de Eunice "cruza" com a vida de Laura! Ou seja, é um verdadeiro emaranhado de ligações subtis que se vão revelando ao longo do livro e que se compreendem apenas nas últimas páginas do livro! 

Subtil, muito bem escrito, criativo e cheio de ternura é este livro.

Vale imenso a pena lê-lo! 

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Ternura;
  • Cuidado;
  • Atenção;
  • Respeito;
  • Tolerância;
  • Carinho;
  • Amor.
🌠Ler quando:

- nos apetece uma história quentinha e ternurenta;

- temos a intuição que está tudo ligado, mas não sabemos como;

- gostamos de colecionar coisas e objetos porque acreditamos que estão ligados a pequenas memórias;

- acreditamos que espaços, lugares e coisas têm de alguma forma uma "alma". 


Título: O Guardião dos Objetos Perdidos

262 páginas.

Autor: Ruth Hogan

Editorial Presença


sexta-feira, 2 de abril de 2021

Boneca de Luxo de Truman Capote

Livro de estreia com este autor famosíssimo e um verdadeiro clássico. Livrinho pequeno, com menos de 100 páginas, mas muito saboroso! 

A história é a de uma jovem mulher - Holly - que leva à perdição muitos homens de várias classes económicas que, de forma invariável, caem aos seus pés, rendidos ao seu charme. 

Holly, vimos a saber, já tarde na história, não teve a melhor das infâncias, pelo que foge de casa. Depois disso, vai passar por várias fases sendo que o narrador, que conhecemos pelo nome "Fred", mas que muito provavelmente não se chama assim, conta esta narrativa retratando dois momentos - passado - a que decorreu no prédio onde era vizinho de Holly e presente - em que já não vive nessa casa e não tem contacto com a Holly.

Holly tem apenas 19 anos, é irreverente, faz o que lhe apetece e cumpre um lema seu que é ser honesta para consigo própria. Trata quase todos os homens por "querido" e faz deles uns funcionários ao seu serviço. Todos lutam pela sua estima e atenção.

A nossa protagonista tem um irmão "Fred" com o qual não contacta há muito tempo, mas por ter por ele uma infinita ternura, quando encontra o narrador da história, passa a chamar-lhe Fred também, sem qualquer interesse de lhe conhecer o seu nome verdadeiro.

O seu humor é muito variável, muito instável, com altos e baixos inconstantes. De volta e meia é atormentada por picos de ansiedade e eu diria mesmo de pânico, a que chama "ferro em brasa". Começou a perceber que ir ao Tiffany´s ver aquela gente toda muito bem vestida, cheirar as pratas e as carteiras de pele de crocodilo davam-lhe alento e ânimo, por isso, sempre que se sente assim, apanha um táxi e lá vai ela ao Tiffany's. O que mais quer na vida é nunca deixar de ser ela própria, quando um dia for tomar o pequeno-almoço ao Tiffany's. É daqui que vem o nome do filme e do livro na língua original - Breakfast at Tiffany's.

Fica aqui o trailer do filme (que eu também tenho que ver...):


Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Irreverência;
  • Liberdade;
  • Inconformidade;
  • Honestidade

🌠Ler para:

- valorizar conteúdo em poucas páginas;

- percorrer locais de Nova York sem sair do lugar;

- perceber que também na década de 40-50, mulheres determinadas quebravam os valores vigentes;

- recordar o conceito "igual a si próprio(a)".


Comprar pela wook (link de afiliado) 

95 páginas

Autor: Truman Capote

Editora: Coleção Mil Folhas - Público

domingo, 28 de março de 2021

Um dia naquele inverno de Sveva Casati Mondignani


 Quando começa a história, Leónie é uma bela mulher na casa dos 40 e tal, mas ao longo de vários capítulos curtos que se leem muito bem, o passado vai sendo intercalado com o presente.

Este romance é mais um daqueles que conseguem aquecer o coração, bem ao jeito de Sveva. É uma história de família, que percorre várias gerações e nos vai mostrando a personalidade de cada um dos membros Cantoni.

Nem todos os que dela fazem parte pertencem a uma classe rica e abastada desde o berço. Alguns, foram crescendo a pulso e conquistando o seu lugar na empresa e residência que agora é palco da história. Leónie é uma dessas personagens com uma infância pobre e difícil, mas que acaba por conquistar o coração de Guido seu marido e único filho do empresário que detém a o "império" das torneiras, fonte de riqueza e herança de família. No entanto, há muitos segredos nesta família que são camuflados ou escondidos ao longo dos anos e acabam por ser conhecidos, não pelos protagonistas, mas sempre por outras bocas que vão contando as histórias marcantes, ao longo do tempo, com este ou aquele personagem.

Leónie acaba por ter os seus segredos também e o maior deles é que no dia 22 de dezembro, desaparece misteriosamente, faça chuva ou faça sol, para aparecer no dia seguinte ou no próprio dia, mais radiosa do que nunca. Esta é uma mulher devota à família que se vai tornando, quase de ano após ano, cada vez maior, para alegria dos mais velhos e do seu próprio marido.

Leónie adora a família que tem, os sogros e marido, os filhos...mas há sempre um senão no relacionamento com Guido...é que também este esconde os seus segredos que só anos mais tarde acabam por ser desvendados pelo sogro de Leónie.

Ao longo desta saga familiar vamos também percebendo como foi a infância triste de Leónie e como esta moldou o seu futuro. Ela prometeu a si própria, desde tenra idade, que iria ter uma grande família, iria amar e ser amada. E consegue isso muito bem...não fosse aquela pedrinha no sapato, aquele grande segredo que esconde e que se repete todos os dias 22 de dezembro, ano após ano.

Todos vão fazendo as suas escolhas nesta história, todos vão optando por seguir para um lado ou para o outro e penso que a maior escolha será revelada ao fim do livro. 

As relações entre todos os familiares, o amor que é transferido de geração para geração, não obstante o feitio difícil de alguns dos seus personagens, o aceitar o outro como ele é e ultrapassar as dificuldades e maldades da vida foi o que me soube melhor. E é sempre muito curioso que no fim dos livros desta autora fico sempre com um vazio, que me parece ser o ter de desapegar daquelas personagens. Sim sim, parece que fico mesmo com saudade dos seus protagonistas, porque Sveva Mondignani tem o poder de criar histórias nas quais fazemos parte da própria família.

Já li vários dos livros da autora e acho que não existiu um que não gostasse! A sério, que delícia de romances 💓


Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Conforto;
  • Aconchego;
  • Calor no coração;
  • Amor;
  • Esperança;
  • Determinação.

🌠Ler quando:

- quer aquecer o coração;

- quer sentir o amor de uma família;

- precisa de uma história leve e quente para intercalar com uma outra história pesada e fria;

- pensa que só os "já ricos" podem ser ricos e que os pobres, continuarão pobres para toda a vida.


381 páginas

Autora: Sveva Casati Mondignani

Editora: Porto Editora


sábado, 6 de março de 2021

A Pequena Farmácia Literária de Elena Molin


 Que livro M.A.R.A.V.I.L.H.O.S.O!! Simplesmente adorei! 

Blu é uma rapariga nos trintas e tais, a caminho dos 40. Tem grandes sonhos, adora ler e vai sempre fazendo trabalhos em que está por conta de um patrão qualquer. Sente-se infeliz porque não está verdadeiramente realizada (quem estaria se tivesse montanhas de sonhos por concretizar?!).

Blue vive com amigas num apartamento algures em Florença...e só por aqui o livro já é bom, parece que percorremos as ruas daquela cidade italiana e vamos sentados com Blue, na sua bicicleta, quando ela vai para o local onde trabalha.

Surge a oportunidade de Blue abrir a sua própria livraria e ela agarra-a com unhas e dentes. É pequeno o espaço, mas Blue vai na fé. E as amigas, companheiras de sempre, ajudam Blue nos preparativos da abertura e tudo mais.

O livro tem partes hilariantes, ri-me bastante, até porque a escrita de Elena Molini é, por vezes, muito cómica. Se é verdade que é um livro que nos deixa bem dispostos e muito divertidos, tem também mensagens que vão passando, quase que de forma inconsciente: a importância de uma amizade sólida, o valor da persistência e não desistência dos nossos sonhos, o apelo à criatividade e o amor profundo e consistente pelos livros.

Blue faz muitas menções a livros da sua vida, ficamos é claro, com vontade de os ler e de os adquirir (única coisa menos boa), mas há sempre a esperança de os encontrar numa boa biblioteca e com isso poupar dinheiro :-).

Também senti algures um certo realismo mágico que acaba por não ser bem isso...mas também não posso contar. No fim, uma ideia brilhante vai salvar Blue e a sua livraria da falência, essa grande ideia é a de vender livros com bulas, como se fossem medicamentos, isto é, com indicações terapêuticas, efeitos colaterais, dosagens, etc. No final do livro, encontram-se algumas destas bulas com a descrição dos respetivos "medicamentos" que são os livros.

O mais interessante disto tudo é que a "Piccola Farmacia Letteraria" existe mesmo e Elena Molini, a autora deste livro, é a sua proprietária. Fica aqui o website: https://www.piccolafarmacialetteraria.it/


😊Emoções /Sentimentos mágicas despertadas com este livro: 

  • Amizade; 
  • União;
  • Criatividade.
  • Persistência.
  • Positivismo.
  • Alegria.

🌠Ler quando:

- Quiser intercalar com outras leituras mais pesadas.

- Sentir-se quase a desistir de um projeto da sua vida.

- Quiser saber o que é a criatividade e como ela surge.

- Duvidar que pode existir uma amizade profunda e solidária.

- Quiser visitar (sem sair do lugar) as ruas de Florença (Itália).


263 páginas

Autor: Elena Molini

Editora: Editorial Presença

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Um convite muito especial de Trisha Ashley

 Morno, é como classifico este livro. A história arrasta-se ao longo das suas 469 páginas e a dada altura só queremos mesmo é terminá-lo! Estive imenso tempo a ler este livro que, infelizmente, foi o primeiro que li desta autora! 

Trisha Ashley tem outros livros que se passam na época do Natal, e pelos vistos, todos eles são engraçados, histórias agradáveis e leves de se lerem nesta época. Portanto, posso concluir que não fiz a escolha acertada no que toca a livros desta autora. Não me entendam mal...este não é um livro mau (caso contrário não escreveria sobre ele), mas é um livro "assim-assim" e valeu em determinados momentos pelo espírito de Natal que transmitiu. Conseguimos sentir os aromas, as emoções de carinho, de amizade, a união familiar, as luzinhas a piscar, o frio e a neve do local onde se passa a história (que aliás é gelado), as decorações de Natal, as comemorações e tradições do local naquela época festiva e isso é bom! É então um verdadeiro livro com espírito natalício...aliás a capa é muito bonita e está de acordo com a época. Mas, embora esteja de acordo com a época e seja belíssima, a personagem da capa nada tem a ver com a personagem da história, que aliás tem o cabelo azul durante uma boa parte do tempo...

Meg é quem nós vamos acompanhar ao longo do livro e está a recuperar de uma pneumonia que a prendeu durante uns tempos num hospital. A história inicia-se com a saída dela do hospital e a retoma da sua vida como pintora de retratos. Meg gosta muito do que faz e, o que faz, resulta sempre em quadros com muita pinta, com muita arte! De tal forma que Clara e Henrique, pessoas que à partida não a conhecem, querem que Meg lhes faça um retrato uma vez que Clara viu um retrato de uma amiga feito por Meg...e gostou muito. É desta forma que Meg, mal acabada de sair do hospital e ainda em recuperação é de imediato convidada para passar uns dias em Starstone Edge e, assim, fazer o tão desejado retrato daquele simpático casal. Meg rejeita logo a ideia, mas a insistência de Clara é absoluta e Meg acaba por ir.

Em Starstone revê um antigo colega da faculdade com o qual teve uma história meio estranha que é desvendada, muito a custo, ao longo do livro (parece que esta história tem a obrigação de se arrastar tanto quanto o resto do livro) e para além desta surpresa acontecem algumas outras surpresas. No entanto, são muitas  páginas para acontecimentos banais do tipo, ir escolher a árvore de Natal, colocar as decorações natalícias, lanchar coisas deliciosas, passear os cães, etc. 

Seja como for e, incrivelmente, dei por mim a ter saudades das personagens quando terminei o livro (deve ter sido pelo tempo que passei a lê-lo ...quase que também eram da minha família!). E não há dúvida nenhuma que todo o livro transpira o Natal e isso foi ótimo.

😊Emoções Mágicas despertadas com este livro: 

  • amizade; 
  • união;
  • calor humano.

🌠Pequenas magias que são realizadas com este livro:

- sentir os aromas e o calor humano da época natalícia;

- entrar no espírito natalício;

- compreender a união entre pessoas que gostam umas das outras.


469 páginas

Autor: Trisha Ashley

Editora: Leya

sábado, 9 de janeiro de 2021

Testamento de Maria de Colm Tóibím

 Não conhecia mesmo este autor, e este livro, bem pequeno, foi comprado naquelas pesquisas que eu costumo fazer na WOOK, em livros muito baratinhos (pesquisa pelo preço mais baixo). Não sei porquê, este chamou-me a atenção e nem sei bem se na altura terei compreendido de que se tratava. Passado um ano, lá o li!

Trata-se da visão de Maria, mãe de Jesus, nos últimos dias antes da morte crucificado na cruz. Retrata uma mulher profundamente só, profundamente angustiada, profundamente triste, pela morte do filho e por viver numa situação de medo permanente. 

É um livro pequeno, mas muito duro, porque nos dá uma perspetiva à qual não estamos habituados quando falamos da vida de Jesus, quando lemos acerca da sua família. 

É claro que é uma história ficcionada, mas não sabemos como foram de facto os sentimentos de uma mãe (como outra mãe qualquer e sem a idealização que todos fazemos acerca de Nossa Senhora, mãe de Jesus), sobre a dor do seu filho, e o martírio que foi ver o seu filho pregado na cruz. 

Somos confrontados com as emoções de Maria e quase que há uma certa intimidade entre a personagem e o leitor, fala-nos quase "ao ouvido". A história toda é contada numa espécie de sussurro, às escondidas,  pois Maria sente-se constantemente perseguida. 

É-nos passada a ideia de que Pilatos não seria o principal carrasco de Jesus, mas sim todo povo que o condena à viva voz.

A capa, branca com o título a dourado,  é sóbria, simples e quase minimalista (não fossem as letras de um trecho de texto que contem).

É um livro diferente, porque eu não estava à espera, mas abriu-me a consciência para o que terá sentido de facto Maria, uma mãe, quando esteve perante aquele horror todo. Se o por alturas do Natal, bom para se ler nesta época.

" Ele era esse menino que eu dera à luz e agora estava mais indefeso que nunca. Quando era recém-nascido e eu pegava nele ao colo e velava por ele, meus pensamentos eram perpassados pela ideia de que, eu teria alguém para velar por mim quando estivesse a morrer, para cuidar do meu corpo depois de morrer."

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Angústia;
  • Desespero;
  • Compaixão;
  • Amor;
  • Drama.
🌠Ler quando:

- Não percebe o que é o sentimento de uma mãe com o sofrimento do filho.

- Não compreende o que é o sentimento de perseguição.

- Não entende o que é estar inseguro.

- Quer ter uma perspetiva diferente do que foi ser mãe de Jesus.


109 páginas

Autor: Colm Tóibím

Editora: Bertrand    

sábado, 5 de dezembro de 2020

Sete Dias para a Eternidade de Marc Levy

 


Este livro começou muitíssimo bem, com uma ideia interessante e desenvolvimento "sobre rodas", no entanto, logo arrefeceu pois parece que tudo foi meio artificializado e encaixado para "andar para a frente" e chegar ao fim! Pena, porque todos os livros deste autor, que li até agora, foram muito bons, ou antes, foram para mim leituras de 4 a 5 estrelas.

A base desta história gira à volta de um desafio entre Deus e o diabo. Cansados de andar às turras e em guerras pelo poder (ora agora mando eu e depois mandas tu, ora agora as coisas vão correr muito mal e depois vão correr muito bem e vice-versa), decidem estabelecer um desafio que, a ser ganho, dará a regência da Terra para toda a eternidade. Assim, quem ganhasse este desafio poderia mandar e, se fosse o bem, correria tudo sempre às mil maravilhas e seria o paraíso na Terra e caso contrário, o mal a ganhar tornaria a Terra um local infernal.

Cada um dos "presidentes", quer do céu quer do inferno, escolhe o seu melhor e mais eficiente anjo que tem a missão de liderar todo o processo que conduzirá à vitória ou de uma ou de outra parte.

"...Para atestar a legitimidade daquele a quem incumbirá reger a Terra durante o próximo milénio, lançámos um último desafio cujos termos estão descritos abaixo:

Durante sete dias, enviaremos aos homens aquele ou aquela que considerarmos como o melhor dos nossos agentes. O mais capaz de levar a humanidade para o bem ou ou para o mal dará a vitória ao seu campo, prelúdio à fusão das nossas duas instituições. O poder de administrar o novo mundo será dado ao vencedor."

Ora lido este texto, perto do início, pensamos logo (isto promete...), mas depois as coisas começam a ser algo mal encaixadas, não compreendi diversas situações, sucedem diversos acontecimentos paralelos como a relação entre Zofia (o anjo do bem) e a sua senhoria ou a sua melhor amiga, há explosões estranhas só para subentender que o mal vai no encalço do bem, mas tudo um pouco forçado. 

Acontece portanto, algo que não era suposto acontecer, ou antes, que o leitor percebe que não era suposto acontecer, mas no fim, chegamos à conclusão que afinal até estava previsto e seria uma espécie de batota feita por Deus (confuso!).

Não diria que é um livro que não se deve ler pois seria perda de tempo, nada disso, gostei qb, mas o qb realmente já não me satisfaz e este ano foram vários assim (mornos, que não me aqueceram verdadeiramente).


Às vezes ponho-me a pensar o que tem de ter um livro para ser um cinco estrelas...acho que não é algo racional (não completamente), penso  que me tem de envolver, fazer saltar para dentro da história, ser coerente desde o princípio até ao final, ser uma história bem contada, tocar na alma...isto é extremamente subjetivo e tem a ver com a própria história de cada um dos leitores que lê um mesmo livro. Penso que é por isto mesmo que para uns o livro pode ser um 5 estrelas e para outros 2 estrelas...mas é também por isto que os livros são extraordinários!! 

sábado, 3 de outubro de 2020

Lago Perdido de Sarah Addison Allen


Quando li comentários acerca dos livros desta autora - Sarah Addison Allen - fiquei logo com vontade de ler. Realismo mágico é uma das "correntes" que mais gosto. 

Um dos livros que me marcou profundamente, lido há já muito muito tempo foi o "Como Água para Chocolate", cheio de partes que poderiam ser consideradas como realismo mágico (de Laura Esquível), aliás, Laura Esquível, durante muito tempo foi mesmo a minha autora preferida. 

Infelizmente depois de dois livros lidos desta autora - "A Árvore dos Segredos" e agora este "Lago Perdido", o sabor com que fiquei não foi assim tão mágico. Se fosse calibrado como se tratasse de uma temperatura, esta seria amena - bom, mas morno.

A história anda a volta de uma pequena família, mãe e filha que perdem o marido/pai e ao dar de caras com um postal do Lago Perdido, numa arca cheia de velharias resolvem ir ao encontro desse local. A proprietária é uma velha tia (Eby) de Kate, que fica feliz por ter a sobrinha finalmente por perto e também ela própria com uma vida passada cheia de aventuras.

Kate, após um ano em letargia total devido ao choque de ter perdido o marido num acidente de bicicleta, fica aos cuidados atentos da sua sogra que se encarrega da vida de Kate e Devin (a filhota de 8 anos de Kate) para a frente tomando decisões que são do seu interesse (maioritariamente) e sem consultar a nora.

Quando Kate decide tomar pulso à sua vida, tomando decisões firmes acerca do seu futuro e da sua filha, a sogra não acha muita piada...a semana que iriam passar, mãe e filha, nas instalações do empreendimento do Lago Perdido, prolonga-se por mais tempo do que inicialmente previsto e Kate começa a sentir-se cada vez mais viva! 

O realismo mágico acontece ligado ao local e a um determinado jacaré (Aligator) que vai surgindo de quando em vez no lago, mas este animal só é visto pela Devin e está relacionado também com outra história...ou seja há diversas ligações que não deixam de ser misteriosas e de ter um quê de mágico. 

Ainda assim, as autoras latinas conseguem tornar o realismo mágico bem mais orgânico e extraordinariamente bem escrito (que me desculpem as norte americanas).

Foram três estrelas,  talvez até três estrelas e meia, porque não deixa de ser uma leitura leve, agradável que vai fazendo ligações bonitas e nos fazem relaxar e passar uns bons momentos a ler.


278 páginas
Autor: Sarah Addison Allen
Editora: Leya

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Flores Perdidas de Alice Hart de Holly Ringland



Este foi sem dúvida, um dos melhores livros que li em 2019, talvez o 2º melhor livro lido, logo após o "Tempo entre Costuras" de Maria Dueñas.
Que  "livraço" este!! Pedra preciosa, por um lado, pelo aspeto magnífico que apresenta, por outro, pela densidade da história que nos apresenta, cheio de ingredientes que nos dão que pensar.

Todo ele ilustrado com maravilhosas flores desenhadas a tinta preta e que vão acompanhando a história da personagem principal, desde a capa, passando pelo índice e abertura de capítulos.

Cada capítulo abre com uma determinada flor, pertencente à vasta flora silvestre do território australiano (daqui se pode concluir que até acerca da flora Australiana podemos aprender) e cada capítulo tem, portando, um determinado significado dado pela flor que o apresenta. Trata-se de uma linguagem própria - a linguagem das flores - aprendida desde cedo com a mãe de Alice, consolidada com a avó e que a continua a acompanhar vida fora.

A ervilha-do-deserto-de-sturt é talvez a flor que me marcou mais, não só porque é descrita como pertencente a uma paisagem surpreendente do deserto australiano, como pelo significado profundo que tem para Alice e, quando se lê a paisagem que é descrita, cheia do colorido destas flores é absolutamente emocionante!

Bem, mas voltando à história, que se quer explicada de forma ligeira, porque caso contrário perde a piada toda ! Alice ainda é uma criança quando o livro começa. Vive com os pais junto à costa, portanto perto do mar, mas Alice mal sai da periferia da sua casa, e, quando acompanha o pai ao surf, este ensina-a a manter-se em cima de uma prancha, mas também é extremamente severo com a menina quando ela, por descuido, se desequilibra...este pai ultrapassa até a categoria de "severo", ele é mesmo mau e violento - para a mãe de Alice e para ela própria. Um dia, a menina arrisca-se a ir até à biblioteca da vila vizinha e quando lá entra sente-se absolutamente encantada com tantos livros que vê, a sua paixão por livros e pela leitura aumenta cada vez mais.

Imagem do Pixabay: Ervilha-do-deserto-de-Sturt
O livro tem duas partes distintas, quase até três partes, uma em que Alice é criança e vive com os pais, outra em que a protagonista é já adulta (jovem) e vive numa quinta da avó paterna que é produtora de flores para venda e, podemos considerar uma outra parte, em que Alice vai para o interior Australiano e vive sozinha, sendo que arranja trabalho num...e ...já estou a escrever muito o que não pode ser, pois não se pretende revelar tudo desta história maravilhosa :-).

Há um tema de extrema importância abordado aqui - violência doméstica. É descrito de uma forma tão dolorosa que por vezes nos custam algumas passagens, mas é importante lê-las e sentir se é admissível permitir esta ou outro tipo de violência nas nossas vidas.
Não conhecia a autora, desconheço se escreveu mais livros, mas este, meu Deus é maravilhoso! Vale mesmo a pena pegar nele de devorá-lo num só trago, enjoy!

400 páginas
Porto Editora
Autora: Holly Ringland
*****a minha classificação no GoodReads

terça-feira, 16 de abril de 2019

A menina que engoliu uma nuvem do tamanho da Torre Eiffel de Romain Puértolas

Vou fazer esta opinião muito a quente pois acabei de ler este livro maravilhoso. Esta sensação de encantamento foi aumentando até que culminou com o términus da história.
O autor (e é a primeira vez que leio qualquer coisa dele, mas fiquei ávida por mais histórias dele), usa o non sense ao longo de toda a história, possivelmente muitos leitores soltarão gargalhadas por tantos disparates engraçados ao longo da história, o que não foi o meu caso. Gostei muito de todos os disparates (que nem são assim tão disparatados e têm sempre algo maior por trás), mas nunca me ri em riso solto e largo, terei eventualmente, numa ou noutra situação sorrido.

Inicia-se a história com um controlador de tráfego aéreo contando uma história rocambolesca a um barbeiro/cabeleireiro que pensamos nós, nada tem a ver com a dita. A história é acerca de uma mulher carteiro (ou antes carteira porque é mulher :-), que por amor a uma filha, consegue abrir asas (leia-se braços) e voar para perto da pequena...e não vai de avião porque precisamente nesse dia há uma nuvem de cinzas provocada pela erupção de um vulcão (cujo nome é intragável - Eyjafjallajökull) lá no norte e que efetivamente e na vida real, entrou mesmo em erupção (até com este tipo de coisas o autor brinca). 

Ora bem, eu que até mais de meio do livro estava nas 4 estrelas (para dar no goodreads), quando começo a abeirar-me do fim, céus, desato num pranto solto como há muito (se é que alguma vez me aconteceu isto com um livro) não me acontecia! Tudo ficou claro, brilhante aliás e o autor dá-nos de uma penada só uma volta de 360º  (ou 270º porque caso contrário ficaríamos no mesmo lugar :-) e um livro que poderia ser uma espécie de ficção romântica (se é que isto existe) passa a ser uma realidade dura e ainda assim maravilhosa, encantadora e super ternurenta. Este livro foi o primeiro deste ano (e creio, o primeiro em muitos anos) que me fez chorar assim em pranto, fazer lágrimas escorrer (e das gordas) na minha cara, até porque, não era esperado este final e só muito para o fim é que começamos a vislumbrar um cheirinho do tipo de final que leva esta magnífica história. 

Amor é a palavra chave que se repete sob variados nomes, debaixo de muitas "peles", amor é o principal sentimento que se eleva em cada um dos acontecimentos do livro. Cada frase, tem atrás de si tantas aprendizagens, tem tanto que quer transmitir, que penso eu, é um dos livros que deve ser relido para conseguirmos apanhar tudo, mesmo tudo que o autor quer transmitir e mesmo assim talvez seja possível ficarmos aquém. Parabéns a Romain Puértolas!! Fantástico livro que ADOREI!! 

E também adorei a capa e contracapa que está uma delícia (tal qual como a história).

Autor: Romain Puértolas
Editora: Porto Editora
197 páginas

sexta-feira, 5 de abril de 2019

A última carta de amor de Jojo Moyes

Este foi o primeiro livro que li desta autora e percebi logo que não foi grande escolha, devia ter começado por outros dos quais ouvi falar muito bem. 
As primeiras páginas foram confusas, não consegui encaixar logo. A separação de capítulos vai-se fazendo com pequenos textos que correspondem a mensagens curtas, escritas por e-mail, mensagem de texto enviada por telemóvel (na atualidade) ou por cartas de amor escritas em folha de papel a caneta (num tempo passado).

A história passa-se em duas épocas diferentes - 1960 e 2005. Com duas protagonistas que são diferentes na sua maneira de estar mas ao mesmo tempo com percursos pessoais que têm algumas semelhanças.

Uma das mulheres é casada com um senhor do "amianto", rico à custa de uma empresa que possui para isolamentos e coberturas que na sua constituição, usam aquele material. O amianto é extremamente prejudicial para a saúde (mas na época é recente a descoberta desta fatídica relação).

Outra das mulheres, personagem principal desta história, é jornalista e por um acaso descobre uma carta de amor da primeira dirigida ao seu amante Boot.

A leitura foi lenta até cerca de meio do livro, com idas à frente e a trás no tempo, meio cansativas, mas a história começa a desenvolver-se lá mais para a frente e até a surpreender. Embora eu fosse mais ou menos descobrindo pequenos desfechos que iam acontecendo, não deixou de ser agradável, mas não foi um romance que fez tchannnannan, infelizmente não. Seja como for, vou e quero ler mais livros desta autora e parece que são bastantes.

E com isto cada vez mais estou a boicotar os livros a que propus a ler em 2019 ..acho que este não constava! E já entraram vários (e continuam a entrar) que não estavam na minha lista de leituras para este ano !! Enfim...


Autor: Jojo Moyes
Editora: Porto Editora
449 páginas

domingo, 3 de março de 2019

Cafuné de Mário Zambujal

Este livro - Cafuné -  foi o primeiro que li do autor, talvez não tenha sido a escolha acertada para o primeiro, talvez devesse ter começado com o tão famoso "Crónica dos bons malandros" e talvez não tenha sido nada disto a fazer a diferença na minha opinião, o que é facto é que não posso dizer "não gostei", mas posso dizer "não faz mesmo o meu género de leitura" ou "não me fez vibrar" ou ainda: "não é definitivamente para mim".

Um livro, para ser realmente bom (para mim), deve tocar-me na alma, emocionar-me, fazer-me rir ou chorar ou as duas coisas, dar-me calafrios, transmitir-me alguma ansiedade, um toque de adrenalina, querer saber mais e mais até terminar...neste caso, a leitura não conseguiu cativar-me e às tantas, porque estava numa espécie de ressaca literária.

Tinha acabado de ler "Tempo entre Costuras" de Maria Dueñas e esta foi uma leitura de me tirar o fôlego, rápida, envolvente, quente, marcante, eu sei lá, de tal maneira que quis escolher um livro, que depois deste fosse mais leve, mais divertido e de certa maneira, Cafuné foi mais leve e divertido. O "leve", no entanto, transportou-me para um cenário de uma Lisboa meia apodrecida em costumes, para brejeirices, alguma ou muita promiscuidade, embora tudo isto escrito, é claro, de forma muito bem feita, com um tipo de humor muito característico de Mário Zambujal e muita história à mistura, que nos faz viajar até 1800 e piquinhos, época em que Napoleão e as suas tropas invadiam Portugal e a família real se pisgava a sete pés (ou antes, a navegar para o Brasil).  Nesta época ainda se vivia com muito receio do que tinha acontecido não há muito tempo, a 1 de novembro de 1755, o grande terramoto que se fez sentir intensamente em Lisboa. A justiça era bem pior do que a que existe nos nossos dias, ou antes, melhor dizendo, não existiria justiça a qual se fazia, na grande parte das vezes, por conta própria, matando que se entendia matar, por questões que tinham a ver com o que acontecia no leito conjugal ou com o que estava relacionado com a honra dos homens em relação às moçoilas que se queriam desposar. Os assuntos de cama e a promiscuidade era mais que muita, casados ou não, da realeza ou do povo, os amantes e as amantes eram coisa vulgar e muito se falava no diz que disse e não disse e tal e coisa.

Divertido é sim e escrito de uma forma diferente do habitual. Aprendi ou fiz a revisão de muitos temas que tinha esquecido da história portuguesa, no entanto, confesso que neste momento, não me encheu as medidas. Seja como for, quero ler muito mais do autor e só depois opinar com maior consistência.


Autor: Mário Zambujal
Editora: Clube do Autor
243 páginas

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A filha da minha melhor amiga de Dorothy Koomson

Dorothy Koomson é uma autora que gosto de ler. De leitura fácil, as linhas soltam-se como se de um novelo se tratasse e, surpreende, porque por vezes encaminha-nos para um lado e afinal vamos por outro diferente. Gosto disto! Quando os autores nos dão a volta e lá vamos nós numa montanha russa de emoções. E num dado momento o coração quase parou porque realmente eu não estava nada nada à espera de determinado acontecimento dramático! 

"A filha da minha melhor amiga" mostra-nos que quando a vida nos choca e nos confronta com alguma coisa que pensamos não sermos capazes de fazer, quando encostados contra uma parede dura, rugosa e fria, escolhemos o bom caminho, o que está correto fazer, aquilo que nos torna humanos - bons seres humanos.

A personagem principal (Kamryn Matika) fica com a missão, dada pela sua melhor amiga que morre com leucemia, de tomar conta de uma menina linda loirinha e muito branquinha. Com um tom de pele muito diferente do seu rapidamente se vê confrontada com reações bem estúpidas e desagradáveis da parte de quem interage com a personagem que se torna mãe adotiva de Tegan (ou Tiga como amorosamente a trata). 

Para além desta mudança brusca na sua vida, a de ser mãe de uma menina com 5 anos quase a fazer 6, Matika tem um historial amoroso confuso e que envolve... (..não posso dizer :-)). A história vai ficando clara, capitulo a capitulo e a escrita de Dorothy Koomson recorre muitas vezes a figuras de estilo que me colocaram muitos sorrisos no rosto, pois resultam muito bem!! 

Fica aqui um desses exemplos em que através das palavras a autora nos dá a imagem perfeita dos sentimentos das personagens:

Ele retribuiu o meu olhar, de modo firme e direto. Com o riso das crianças, as conversas dos adultos, o choro dos bebés, e os sons produzidos pelos animais como pano de fundo. As sementes tinham sido plantadas na tarde do dia anterior. Regadas à noite, agora, ganhavam raízes enquanto vigorosos rebentos verdes irrompiam da terra. Bastariam mais algumas horas para que este sentimento que nutríamos um pelo outro desabrochasse e se transformasse num pomar de completo ódio".

Espetacular

E devo dizer que este é um livro muito bem classificado no "goodreads", senão vejam: goodreads
literatura-billboard

Imagem do cabeçalho do blogue de "GimpWorkshop"

Imagem do cabeçalho do blogue de "GimpWorkshop"
Fantasia, Mágico, Surreal. De utilização gratuita.

A Fada do Lar de Sophie Kinsella

Abençoada hora quando decidi ler este livro em férias de verão...este é o livro ideal para levar nas férias! Tão divertido que nos embaraça,...