domingo, 2 de janeiro de 2022

O Guardião dos Objetos Perdidos de Ruth Hogan

 Este livro é maravilhoso! É a sensação que se fica no fim de o ler. 

Certo que há alguma confusão no início pois há duas linhas de tempo (passado e presente) e várias histórias que se desenvolvem em paralelo, no entanto tudo se liga no final e se entrelaça com uma ternura infinita.

A história começa com Anthony Peardew, já idoso e quando morre, passa em testamento, a sua amada propriedade, jardins e casa (Pádua) para Laura, governanta e amiga, de Anthony. O que Laura desconhece é que Anthony tem uma enorme coleção de objetos que foi encontrando pela vida fora, guardando e etiquetando com a data e local onde foram encontrados.

Laura herda assim Pádua, a misteriosa e encantadora propriedade de Anthony, mas também fica com um pedido importante de Anthony: restituir os objetos perdidos que ele foi encontrando e que estão no seu atulhado escritório. Como se desenrascará ela? Dizia o velho senhor que se apenas um objeto restituído fizesse alguém sentir-se melhor, então já teria valido a pena! 

Ao longo do livro são encantadoras as pequenas histórias que estes objetos vão contando, como se fossem partes vivas da memória de alguém que os perdeu. E curioso que o este livro também tem escritores muito bons (como Anthony e Boomer) e muito maus, como Portia (irmã de Boomer). Portanto é um livro que envolve vidas de quem escreve e edita livros e das histórias que estes contam.

Também conseguimos perceber que o dinheiro não dita a um coração ternurento e que um coração ternurento pode não ter muito dinheiro, mas, neste caso, tem boas ideias, amor e criatividade.

Há também Eunice que ambiciona escrever um livro e nunca chega a fazê-lo para se dedicar à vida de Boomer, o seu grande amigo e chefe que também adora filmes, estabelecendo-se entre eles quase um código de linguagem cinéfila.

Há também que já tenha morrido, mas anda a assombrar Pádua de modo a que se encontre um objeto perdido muito importante na vida de Anthony e Therese e por causa desse mesmo objeto, a vida de Eunice "cruza" com a vida de Laura! Ou seja, é um verdadeiro emaranhado de ligações subtis que se vão revelando ao longo do livro e que se compreendem apenas nas últimas páginas do livro! 

Subtil, muito bem escrito, criativo e cheio de ternura é este livro.

Vale imenso a pena lê-lo! 

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Ternura;
  • Cuidado;
  • Atenção;
  • Respeito;
  • Tolerância;
  • Carinho;
  • Amor.
🌠Ler quando:

- nos apetece uma história quentinha e ternurenta;

- temos a intuição que está tudo ligado, mas não sabemos como;

- gostamos de colecionar coisas e objetos porque acreditamos que estão ligados a pequenas memórias;

- acreditamos que espaços, lugares e coisas têm de alguma forma uma "alma". 


Título: O Guardião dos Objetos Perdidos

262 páginas.

Autor: Ruth Hogan

Editorial Presença


sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Canibais de Michael Crichton

Este livro é muito diferente de todos os que Michael Crichton escreveu. Normalmente este autor escrevia histórias de ficção científica, ou mais especificamente, thrillers científicos, como foi o caso de Parque Jurássico ou a Esfera - este último lido e adorado por mim! 

Esta história tem uma parte ficcional mas também se baseia em relatos verídicos de uma viagem levada a cabo por Ahmad Ibn Fadlan, representante do poderoso califa de Bagdade. Este, quase "cronista", escreveu acerca de uma viagem às terras do Norte - Escandinávia (que inclui a Dinamarca, Suécia e a Noruega), na companhia dos Vikings.

Este livro inicia com Ibn Fadlan a ser "castigado" por se ter metido com uma jovem mulher, esposa de um velho rico e bem colocado na sociedade de Bagdade. Desta forma é enviado em missão em direção à terra dos turcos. A história desenvolve-se e, perto do rio Volga (Rússia), Ibn Fadlan tem um primeiro contacto com os Vikings que descreve como "homens do Norte":

" Vi com os meus próprios olhos como os homens do Norte tinham chegado com as suas mercadorias, e montado acampamento ao longo do Volga. Nunca vi um povo tão gigante: são altos como palmeiras, e de compleição corada e ruiva. Não usam camisola nem cafetãs, mas entre is homens usam um vestuário de tecido tosco, que é preso de um lado, para uma mão permanecer livre."

O que mais gostei neste livro foi a descrição dos povos e culturas que diferiam completamente do que estava habituado Ibn Fadlan, já que este era árabe com uma cultura completamente distinta do que foi encontrar em terras da Escandinávia. Espantava o facto destes homens terem diversas entidades que adoravam e não um Deus como Alá. Fica chocado com a falta de higiene que estes "bárbaros" têm e com a sexualidade desenfreada das mulheres do Norte.

Mais para a frente na história, Ibn Fadlan é levado, contra a sua vontade, como o elemento número 13 do grupo de Vikings (para dar sorte), que arrancam ao encontro de outros homens ainda mais bárbaros, temíveis e sanguinários, supostamente canibais. A partir desta altura, descrevem-se horrores e o livro torna-se meio sanguinário, mas não deixa de ser interessante pois é quase um relato do que este homem árabe, desencaixado da cultura nórdica e gélida, vai observando, embora ele próprio tenha um papel de guerreiro a certa altura, lutando ao lado do grupo de Vikings do qual é obrigado a fazer parte.

É curto este livro e é utilizada uma linguagem simples, embora os relatos sejam antigos.

Não foi um livro que gostasse de forma apaixonante, mas foi no mínimo interessante! 

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 


  • Espanto;
  • Interesse;
  • Curiosidade;
  • Horror;
  • Apreensão;
  • Medo;
  • Aventura.
🌠Ler quando:

- Se quer conhecer um pouco de culturas e povos diferentes dos nossos;

- lhe apetece algo distinto de romances ou formas "regulares" de escrita, ou seja, ler uma espécie de crónicas de um viajante (antigo);

- se é curioso a propósito dos povos do norte (Vikings) e da mitologia do norte.

Foi também feito um filme baseado nesta história: "The Eaters of the Dead".



Título: Canibais

227 páginas.

Autor: Michael Crichton

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Marina de Carlos Ruiz Zafón

 Este foi o meu primeiro livro de Zafón. Nem sei bem o que dizer dele, talvez o que mais se saliente é que é escuro, meio macabro, próprio para ler nesta época em que quase estamos a chegar ao Halloween! 

Sinceramente até achei algo confuso, não tive realmente muita sorte pois tenho cá os livros da Sombra do Vento, dos quais só ouço coisas positivas e que este autor tem uma escrita extraordinária e que consegue elaborar histórias fantásticas...Marina é uma história bem escrita, sem sombra de dúvida, mas o enredo é muito estranho, pelo menos para mim foi.

Óscar é um rapaz orfão que vive num seminário perto de umas ruas esconsas, nos meandros da parte velha de Barcelona. O que mais gosta de fazer é escapulir-se do orfanato e meter-se nas ruelas com casarões decrépitos, com jardins há muito por arranjar e cheiro a esgotos e águas estagnadas. Um dia, nas suas voltas, Óscar encontra um casarão que lhe prende a atenção e é assim que conhece a família que passa a ser "sua" por uns tempos, a família de duas pessoas que se têm apenas um ao outro - Germán (o pai de Marina) e Marina.

Com Marina, Óscar aventura-se a partes ainda mais velhas e abandonadas de Barcelona onde encontram um velho barracão com algo que não estavam de todo à espera! Esta história envolve um cemitério e mortos ...ora que melhor para esta época?! 

Esta história tem várias dentro dela!! Parece mesmo uma Matrioska, o livro é pequeno e ainda assim rico porque desenvolve a história de cada uma das personagens que vai surgindo e no fim temos uma rede de ligações que se torna compreensível, mas muito complexa e cheia de vibrações misteriosas e assustadoras, típico cenário de Halloween...toca, sem dúvida, no terror. 

Sobressai uma história de amizade que passa a ser uma paixão (a de Óscar e Marina) e várias de amor que não acabam nada bem, muito dolorosas e sofridas...

Talvez, o que mais me prendeu e não esquecerei neste livro (afinal um livro marca-nos, se não o esquecermos facilmente) é a descrição da parte velha de Barcelona, tão nítida, tão vivida que parece estarmos ali também, par a par com os personagens, correndo e fugindo no mundo subterrâneo das canalizações velhas da cidade, ou observando, com os olhos de óscar, os casarões que quase caem de podres, outrora bem tratados, mas que agora parecem ser casas assombradas.

Diria que vale a pena ler e que é uma história diferente e sem dúvida bem escrita! 

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Terror;
  • Horror;
  • Amor;
  • Tristeza;
  • Solidão;
  • Ansiedade;
  • Suspense;
  • Aventura;
  • Amizade;
  • Medo.
🌠Ler para:

- sentir vibes de Halloween :-)

- viajar por Barcelona sem sair do lugar;

- ler uma história que se abre como uma Matrioska revelando as histórias sucessivas atrás de cada uma das personagens.

- entrar numa história meio creepy.


Título: Marina

302 páginas.

Autor: Carlos Ruiz Zafón

Editora: Planeta

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Esfera de Michael Crichton


Estão a ver aqueles livros cuja história visualizamos o tempo todo? Altamente susceptível de ser adaptada para cinema (como mais tarde, acabou por ser).  Volta, não volta, a maior parte dos livros de Michael Crichton, são adaptados para cinema e talvez "Parque Jurássico" seja o filme adaptado das obras dele, o mais conhecido.

Ora, como iniciei por dizer, se é susceptível de ser adaptado, provavelmente  porque é uma daquelas narrativas galopantes que nos tiram o fôlego a cada encruzilhada, ainda para mais, trata-se de ficção científica. Concluo que cada vez mais gosto do que escreveu este autor (infelizmente já falecido).

A história começa quando é encontrado um objeto não identificado no fundo do oceano, pacífico sul.  Tratava-se de uma esfera perfeita, dificilmente produzida por humanos, pelo menos com os conhecimentos atuais. É assim contratada uma equipa de cientistas das mais diversas áreas (antropólogo; zoóloga; matemático; biólogo marinho e um psicólogo) que tentam descortinar o que terá acontecido, qual a origem de tal objeto e para que fins se destina. É assim que descem até ao fundo do mar, onde permanecem, sem qualquer contacto com o exterior (são impedidos de telefonar ou contactar de alguma forma com as respetivas famílias) e a missão é mantida secreta da população em geral e apenas militares e governo sabem. Acompanhamos de perto Norman, o psicólogo do grupo, no filme interpretado por Dustin Hoffman, que de alguma forma é a personagem mais marcante e talvez se destaque de todos os outros.

Imagem de PublicDomainPictures por Pixabay
Imagem de PublicDomainPictures por Pixabay 

Até descobrirem alguma coisa e desvendarem minimamente aquele mistério, muitas coisas acontecem, mais uma vez, como é característico deste autor, o livro vai-se tornando num thriller psicológico, com conclusões que me pareceram muito interessantes e nada esperadas! Vão-se misturando momentos de suspense, em que temos vontade de passar página após página sem parar. Há verdadeiros monstros marinhos que vão aparecendo, criaturas que supostamente não deveriam ter a morfologia/fisiologia que apresentam e que tornam a história ainda mais emocionante.

Fartei-me de procurar o filme (que por vezes passa nos canais habituais da TV), mas não consegui, seja como for, vou tentando porque quero mesmo ver como ficou a adaptação.

O filme tem como atores: Dustin Hoffman; Sharon Stone e Samuel L. Jackson ...só por aqui já queria ver! 

Este é um livro velhinho, não sei se é possível encontrá-lo à venda, eu encontrei na Livraria Solidária da Boutique da Cultura e devo dizer que já adquiri a maior parte dos livros deste autor :-) é mesmo um género que me cativa.

Fica o trailer do filme para abrir o apetite:



Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Ansiedade;
  • Suspense;
  • Aventura;
  • Desconfiança;
  • Medo.
🌠Ler quando:

- Apetece ler algo que é um non stop incrível (ler sofregamente);

- Se gosta de ficção científica e de ciências em geral; 

- queremos intercalar com livros de leitura mais lenta;

- queremos ler livros que estejam adaptados ao cinema;

- se gostamos do meio marinho ou se pelo contrário queremos desafiar os nossos medos acerca das profundezas do mar.


Título: Esfera

346 páginas.

Autor: Michael Crichton

Editora: Publicações Europa América



segunda-feira, 31 de maio de 2021

Segredos da Mente Milionária de T. Harv Eker

 Há quem diga que este livro é um dos primeiros a ler, um "clássico" de quem ler sobre educação financeira. 
A tendência que tenho para me "educar financeiramente falando" é muito recente. Desde que percebi que a nossa riqueza ou pobreza está mais dependente da nossa mente e escolhas que fazemos do que propriamente das "condicionantes da vida",  tento lançar-me a tudo o que mexe sobre o assunto (bem, tudo o que mexe não tanto, mas procuro estudar sobre o assunto...).

Como também oiço youtubers que falam sobre finanças e que aconselham livros desta área, esta leitura foi uma das primeiras que me foi aconselhada e há muito que andava para a ler. Não me arrependi, e fiquei muitíssimo espantada ao perceber que o autor abordava a temática quase sob ponto de vista espiritual, como se tratasse até de uma questão energética WOW. Claro que me prendeu desde logo! 

Conseguimos ler coisas como:

"Quando fazemos uma declaração em voz alta, a energia que ela liberta vibra por todas as células do nosso corpo".

"Em vez de economizar para tempos de vacas magras concentre-se um guardar para os dias felizes, ou para o dia em que alcançar a liberdade financeira. Nesta caso segundo a lei da intenção, é exatamente isso que obterá."

Portanto o livro segue por aqui e caminha por uma série de princípios e declarações que quanto a mim, fazem todo o sentido e são como esta declaração aqui abaixo:

Observo os meus pensamentos e só alimento aqueles que me fortalecem.

Agora diga:

Tenho uma mente milionária!

Ok, para muitos isto pode ser conversa de tótó típica de livro de auto ajuda e se calhar até é! Mas, desde a primeira à última página, este livro coincidiu com o que penso e conduz quem o lê a alcançar objetivos determinados, ou antes constrói toda uma mindset para concretizar objetivos concretos da área financeira. Sente-se aqui alguma persistência e insistência em algumas linhas que não deixam de ser úteis até para outros campos da vida, até porque o dinheiro não deixa de ser assim uma espécie de energia que atraímos, ou não, consoante os nossos próprios pensamentos. Tal como estes condicionam outro tipo de coisas que atraímos, ou não, para as nossas vidas.

"Pensamentos conduzem a sentimentos. Sentimentos conduzem a ações. Ações conduzem a resultados."

O estar de bem com a vida, ter objetivos bem determinados, abençoar o que se tem ou quem tem o que desejamos também, afastarmo-nos de quem é tóxico (pensamentos que nos condicionam ou nos limitam), ser alegre e grato pelas pequenas e grandes conquistas...sim, sim, agora está mesmo a parecer um livro de desenvolvimento pessoal e espiritual, mas soube-me muitíssimo bem ler e é daqueles que se pode repetir em partes ou no todo e se deve sublinhar, reter e apontar, grafitar e post it tar :-).


Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Persistência;
  • Positividade;
  • Confiança;
  • Capacidade;
  • Determinação;
  • Tenacidade.

🌠Ler quando:

- Acredita que os seus objetivos e determinações dependem mais de si do que de outras condicionantes da vida;

- Não acredita que é capaz de alcançar algo;

- Precisa de coragem e determinação para começar a orientar as suas finanças;

- Tem objetivos claros e não sabe como concretizá-los;

- Acredita que é capaz de alcançar a independência financeira;

- Não percebe como a nossa educação e limitações nos condicionam e impedem de concretizar objetivos grandiosos.

Fica aqui um vídeo da Arata Academy (que eu aconselho vivamente mesmo para outros assuntos).

Título: Os segredos da mente milionária

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229 páginas

Autor: T. Harv Eker

Editora: Marcador




sexta-feira, 28 de maio de 2021

Célula Adormecida de Nuno Nepomuceno

 

Já tinha ouvido falar muito bem dos livros deste autor, orgulhosamente para todos nós, português! 

Esta história acompanha várias personagens, contando pouco a pouco o percurso, ou se quiserem, o passado de todas elas. Dá-nos uma perspetiva do que é estar na pele de pessoas que chegam à Europa com "uma mão à frente e outra atrás", migrantes, literalmente com apenas a roupa que têm no corpo, na tentativa de alcançarem uma vida melhor. Uma vida sem conflitos; com pão à mesa; com trabalho; com condições para viver e não apenas sobreviver. A pergunta que coloco sempre é...se eu estivesse naquelas condições, não faria o mesmo? Não tentaria atravessar o mar, sob pena de morrer, para tentar viver, em vez de sobreviver? 

Sentimos como nascem aquelas emoções tão negativas, como é o medo, a revolta e por último o ódio e a injustiça...quase que é palpável que podia acontecer a qualquer um, ser humano, se estivesse nas mesmas condições. Tudo depende das escolhas que fazemos no momento. Por vezes, não temos o discernimento ou a capacidade de fazer as escolhas mais acertadas, mais pacíficas...talvez seja isso que nos diferencia, talvez nada mais do que isso.

A par de tudo isto Afonso Catalão, especialista em Ciência Política e Estudos Orientais vai investigar o que realmente se passou quando um seu aluno - Ibrahim se barrica num autocarro em pleno Marquês de Pombal, Lisboa e faz explodir uma bomba matando os seus passageiros e deixando depois surpreendido o próprio Afonso Catalão...o seu aluno, que transformação ele teria passado ? Não o reconhecia capaz de um atentado, quem estaria por detrás daquele atentado?! 

O que mais me impressionou foi a história de Sarita que, com a sua família, vem da Síria, atravessando o Mar Egeu (Grécia) para a Europa. Acompanhamos a simplicidade desta família, o amor pelas tradições que têm, a sua cultura árabe, o respeito que têm uns pelos outros, e acima de tudo por Alá ao qual dirigem as suas preces com um amor profundo e respeito imenso. Abominam a violência e vivem com o duro trabalho do dia-à-dia, sempre com boa disposição, com alegria de estarem juntos...bem nem todos, o irmão de Sarita, vê-se em revolta, numa angústia completa e conseguimos compreender a razão de tais sentimentos.

Ao mesmo tempo, Catalão vai descrevendo o seu próprio percurso e a sua passagem por Istambul. O seu enorme amor - Fatima, pela qual se converte ao Islamismo. Mas os corvos são sinal de mau presságio, como diz Catalão, pelo que ao longo do livro, vão acontecendo várias desgraças que no fim se ligam num entrelaçado de encontros e desencontros. As razões para determinados acontecimentos, afinal não eram o que aparentavam ser...

Gostei imenso da escrita do autor, da história e de entrar nesta forma de ser árabe. 

O conhecimento é de facto o que separa as pessoas da ignorância e a ignorância pode proteger-nos de muitas associações estúpidas e até perigosas. É claro que já tenho todos (menos o último) livros da série Afonso Catalão e um destes dias, com toda a certeza darei continuidade a estas leituras.

Ahh já agora, gostei também do jeito pacífico, alentejano e também simples deste agente secreto :-).

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Empatia;
  • Humildade;
  • Simplicidade;
  • Injustiça;
  • Raiva;
  • Incompreensão.

🌠Ler quando:

- Quer aprender mais sobre outras culturas (particularmente a árabe);

- Precisa de entender que a humanidade é uma só;

- É importante pôr-se ma pele dos outros (sentir o que o outro sente);

- Se anda baralhado de ideias e confunde-se religião com qualquer forma de agressão e violência contra si e contra os outros;

- Precisa de entender que todas as religiões e culturas têm um fundo bom e merecem ser respeitadas e compreendidas;

- É importante verificar que devemos respeitar e entender as tradições de outros povos e culturas e ao fazê-lo estamos a ser mais humanos.


Fica a aqui um site onde podem ouvir alguns episódios deste livro (podcast)

Ficheiros Catalão

Outros livros desta série:

Pecados Santos (2º da série)

A Última Ceia (3º da série)

A Morte do Papa (4º da série) 

O  Cardeal (5º da série)


Título: Célula Adormecida

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460 páginas

Autor: Nuno Nepomuceno

Editora: Cultura Editora





sexta-feira, 2 de abril de 2021

Boneca de Luxo de Truman Capote

Livro de estreia com este autor famosíssimo e um verdadeiro clássico. Livrinho pequeno, com menos de 100 páginas, mas muito saboroso! 

A história é a de uma jovem mulher - Holly - que leva à perdição muitos homens de várias classes económicas que, de forma invariável, caem aos seus pés, rendidos ao seu charme. 

Holly, vimos a saber, já tarde na história, não teve a melhor das infâncias, pelo que foge de casa. Depois disso, vai passar por várias fases sendo que o narrador, que conhecemos pelo nome "Fred", mas que muito provavelmente não se chama assim, conta esta narrativa retratando dois momentos - passado - a que decorreu no prédio onde era vizinho de Holly e presente - em que já não vive nessa casa e não tem contacto com a Holly.

Holly tem apenas 19 anos, é irreverente, faz o que lhe apetece e cumpre um lema seu que é ser honesta para consigo própria. Trata quase todos os homens por "querido" e faz deles uns funcionários ao seu serviço. Todos lutam pela sua estima e atenção.

A nossa protagonista tem um irmão "Fred" com o qual não contacta há muito tempo, mas por ter por ele uma infinita ternura, quando encontra o narrador da história, passa a chamar-lhe Fred também, sem qualquer interesse de lhe conhecer o seu nome verdadeiro.

O seu humor é muito variável, muito instável, com altos e baixos inconstantes. De volta e meia é atormentada por picos de ansiedade e eu diria mesmo de pânico, a que chama "ferro em brasa". Começou a perceber que ir ao Tiffany´s ver aquela gente toda muito bem vestida, cheirar as pratas e as carteiras de pele de crocodilo davam-lhe alento e ânimo, por isso, sempre que se sente assim, apanha um táxi e lá vai ela ao Tiffany's. O que mais quer na vida é nunca deixar de ser ela própria, quando um dia for tomar o pequeno-almoço ao Tiffany's. É daqui que vem o nome do filme e do livro na língua original - Breakfast at Tiffany's.

Fica aqui o trailer do filme (que eu também tenho que ver...):


Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Irreverência;
  • Liberdade;
  • Inconformidade;
  • Honestidade

🌠Ler para:

- valorizar conteúdo em poucas páginas;

- percorrer locais de Nova York sem sair do lugar;

- perceber que também na década de 40-50, mulheres determinadas quebravam os valores vigentes;

- recordar o conceito "igual a si próprio(a)".


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95 páginas

Autor: Truman Capote

Editora: Coleção Mil Folhas - Público

literatura-billboard

Imagem do cabeçalho do blogue de "GimpWorkshop"

Imagem do cabeçalho do blogue de "GimpWorkshop"
Fantasia, Mágico, Surreal. De utilização gratuita.

A Fada do Lar de Sophie Kinsella

Abençoada hora quando decidi ler este livro em férias de verão...este é o livro ideal para levar nas férias! Tão divertido que nos embaraça,...