segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

O Planeta Branco de Miguel Sousa Tavares

Uma tripulação de astronautas partiu da Terra, mais precisamente de África, em direção a um local, fora do sistema solar, que pudesse ter água. Era urgente descobrir água para levá-la para a Terra. Este nosso querido planeta, nesta história, está pelas ruas da amargura, triste e com uma grande falta de água, muitos incêndios, secas e destruição da camada de ozono: 

 "Também sobre as cidades, um halo cor-de-rosa, às vezes avermelhado, mostrava que poluição atmosférica, que tornava o ar envenenado e fazia aquecer todo o planeta, porque destruía a camada de ozono que protege a Terra. De ano para ano, os cientistas vinham notando que o buraco da camada de ozono, provocado pela poluição e pelos incêndios, tornava a Terra mais quente e mais indefesa."

 Ítaca - 3000 é a nave que os leva para fora do sistema solar, mas o problema é que Ítaca se desvia da rota original e vai parar a um planeta branco, fora do sistema solar e muito distante, dir-se-ia tão distante, que poderia tratar-se de uma outra realidade, uma realidade paralela! Na Terra já ninguém tinha esperança de contactar novamente com a tripulação de Ítaca, consideravam que a nave se tinha evaporado no espaço, sem deixar rasto...quando de repente, surge novamente contacto com a base em África. 
Os astronautas regressaram a Terra, com indicação de uma possível rota correta para um outro planeta onde haveria a esperança de obter água, esse líquido precioso que agora tanta falta fazia no nosso planeta. 
O estranho, no meio disto tudo, era que os astronautas daquela tripulação, pouco se lembravam do que tinha acontecido! 

 É um livro pequeno, que se lê muito bem, dirigido a uma faixa etária dos 8-12 anos e que aborda alguns temas pertinentes como a degradação do planeta e a urgência de o proteger, assim como a possibilidade de esgotamento de recursos tão essenciais como o oxigénio no ar atmosférico e a água.

Gostei bastante de o ler, uma vez que por vezes, não é fácil encontrar livros infantojuvenis que abordem as problemáticas ambientais para estas idades.
Embora as ilustrações não sejam fantásticas, acompanham muito bem o texto da história.

palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:
  • Universo;
  • Viagens espaciais;
  • Naves;
  • Seca;
  • Proteção ambiental;
  • Viagens no tempo;
  • Esperança e fé.

🌠Ler quando:

- se gostas de livros de ficção científica;

- se tem entre 8 a 100 anos :-), mas também pode ser dos 8 aos 12 anos;

- se te preocupas com o ambiente;

- se tens esperança na proteção e conservação do ambiente;

- se acreditas que há vida noutros sistemas solares.


Título: O Planeta Branco

87 páginas.

Autor: Miguel Sousa Tavares com ilustrações de Rui Sousa

Editora: Oficina do Livro






sábado, 17 de dezembro de 2022

O Terceiro Anjo de Alice Hoffman

 Este não é o primeiro livro que leio de Hoffman, e de ambos gostei!Os enredos de Alice Hoffman são sempre originais, não caem em lugares comuns, de maneira nenhuma! 

As histórias são meio estranhas, mas por isso mesmo é que vão cativando.

O Terceiro Anjo é a história contada em três épocas diferentes, três anos distintos:

Começa em 1999, depois passa-se em 1966 e por fim em 1952.

As histórias independentes umas das outras têm elos que as unem e não compreendemos completamente as três histórias até chegarmos ao final do livro que no fundo encerra e liga tudo, como se de um grande laço se tratasse. É uma espécie de cebola ou matrioska, se quiserem, com várias camadas.

Cada uma das histórias é contada por uma mulher, que está a viver a sua vida no ano respetivo em que conta a história, Madeline; Frieda e Lucy, todas se apaixonam por homens que lhes transformam e tocam nas vidas, de alguma maneira, e nem sempre da melhor forma...

É pequeno este livro (220 páginas), mas estão aqui escritas algumas passagens muito interessantes, como esta, por exemplo:

"Tanto quanto sei os fantasmas são a essência de uma pessoa filtrada até aos aspetos mais básicos. Um círculo de iluminação vibrante. Supostamente, é disso que todos somos feitos". Sim, porque a história também inclui um fantasma (ou talvez não...muito interessante quando se descobre de que se trata afinal).

E, melhor ainda para quem gosta de ler e de escrever, uma das personagens é apaixonada por livros e por escrever histórias! 

Esta autora escreve de uma forma muito clara, embora não ofereça tudo ao leitor, de uma só vez, é saborosa a leitura das linhas que escreve. Há também uma certa magia nas suas palavras e isso agrada-me bastante.


palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:

  • Ligações;
  • Diversas partes que fazem parte de um Todo;
  • Histórias que se tocam de alguma forma;
  • Magia;
  • Espiritualidades;
  • Amantes de livros e de leituras;
  • Esperança e fé.

🌠Ler quando:

- se gosta de algum realismo mágico.

- se acredita em anjos.

- se pensa que os espíritos são apenas fantasmas.

- se gosta de livros, escrita e leituras.

- se gosta de histórias que se passam em Hotéis.


Título: O Terceiro Anjo 

220 páginas.

Autor: Alice Hoffman

Editora: ASA

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Um Estranho na Cidade de Kristin Hannah

Este foi o meu primeiro livro lido desta famosissíma autora. "A Grande Solidão " e o "O Rouxinol", são dois grandes títulos de Kristinn Hannah, com críticas muito positivas, no entanto, escolhi este como primeira leitura. O objetivo era ler a partir dos que são menos bons ou não tão falados para os outros que são comentados como sendo maravilhosos!

Esta é a história de três irmãs que ficam sem mãe muito cedo. O pai sempre mostrou ser duro e quase sem sentimentos, ou antes, nunca os conseguia expressar. As meninas crescem muito unidas umas às outras e cada uma, como é natural, com uma personalidade marcada e diferente das restantes duas.

Kristin Hannah caracteriza muito bem as personagens de modo a que sejam quase palpáveis, muito reais. Vivi Ann, a irmã mais nova é talvez a mais central desta história pois o busílis da questão vai desenrolar-se à volta desta personagem. Encantadora e capaz de atrair qualquer homem, é uma mulher sonhadora, com os pés mal assentes na Terra. Domadora de cavalos e com um dom natural para tal, centra a sua vida nos rodeos, corridas, de cavalos e eventos que prepara e organiza na grande propriedade da família (Grey), um terreno enorme.

Winona a irmã mais velha, é advogada e com uma baixa auto estima relativa à sua imagem. Tens uns quilos a mais, e pensa que isso condiciona todos os seus relacionamentos. É muito inteligente e super perspicaz, conseguindo ganhar muitos dos casos mais complicados do distrito.

Aurora, a irmã do meio, tem um casamento que se arrasta há anos, filhos e a autora descreve-a com aquele aspeto de doméstica a tempo inteiro, que vive para organizar a casa, fazer refeições, tomar conta dos filhos e ...nada a dizer se não ambicionasse mais do que isto. A imagem que passa ao leitor é um constante aperto com a vida que tem, como se gritasse. "quero expandir-me", o tempo todo. É das três, a que se sente obrigada a unir e conciliar, a geradora da paz na família, como uma boa mãe de todos e para todos, com os seus próprios problemas, mas habituada a olhar e cuidar dos outros e não de si...

E tudo estava bem e organizado, na paz do Senhor (como se costuma dizer...), Vivi Ann noiva de Luke, um rapazinho bem apessoado e com formação em veterinária. Eis senão quando, surge Dallas, conhecedor profundo de cavalos, que se apresentou para trabalhar no rancho da família Grey e que foi de imediato contratado pela Winona. Dallas tem um espírito rebelde, quase selvagem, faz o que lhe apetece e quando lhe apetece. Descendente de índios (nativo-americanos), tem marcas profundas de uma infância que teve tudo menos de feliz...é alvo fácil para preconceitos dos populares, se há alguém que se possa culpar, ele tem perfil para isso...

E é isto que é possível dizer sem entrar em spoiler  :-).
Devo dizer que esta leitura foi um pouco arrastada para mim, que só se torna verdadeiramente interessante lá para o meio do livro, no entanto, bom na mesma! 

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • união;
  • família;
  • amor;
  • fé;
  • sonhos;
  • determinação;
  • esperança;
  • liberdade;
  • persistência.
🌠Ler quando:

- se gosta de livros com julgamentos e tribunal;

- se acredita que a justiça pode tardar, mas acontece...

- se precisa de ler qualquer coisa onde a família se destaca pela sua união e ao mesmo tempo, pelos seus permanentes conflitos porque todos são diferentes...

- se gosta de dramas que acontecem entre irmãs;

- se gosta de livros que envolvem cavalos, ranchos, rodeos na costa oeste dos EUA. 


Título: Um Estranho na Cidade

414 páginas.

Autor: Kristin Hannah

Editora: Bertrand 



domingo, 31 de julho de 2022

Cinco Dias em Paris de Danielle Steel

Gostei bastante desta história. Embora seja daquelas que se podem ler entre leituras mais pesadas, sem relevância excepcional , é agradável e vai sendo veloz a sua leitura.

Foi a primeira vez que li alguma coisa desta autora tão famosa. Percebi que sabe contar histórias muito bem. A leitura é fácil e simples e o enredo até podia ser uma história real, embora muito romanceada, mas que sabe muito bem ler!

Peter é um homem honesto e com valores que coloca acima de tudo, no entanto, pelo seu sogro e casamento, vai fazendo várias concessões até que surge o dia em que a sua integridade e valores são postos em causa. 

No meio multimilionário das farmacêuticas em que a pressão é enorme vê-se entre a espada e a parede...optará pela sua integridade e honestidade ou passará a linha do vermelho, vergando-se às vontades autoritárias do sogro e da mulher ?

Num encontro em Paris realizado no âmbito de trabalho, para o seu patrão (o próprio sogro), conhece uma mulher que o fascina e que reencontra (após alguns outros encontros casuais pelo Hotel) um dia à noite nadando na piscina. Esta mulher, de nome Olivia Thatcher, estava a passar uma temporada em Paris para desanuviar dos seus "fantasmas" pessoais. Com vários problemas surgidos no seu casamento, não se podia dizer que era uma esposa feliz, com a vida dos seus sonhos. De facto, sentia-se posta de lado pelo próprio marido, um ser político da ribalta ao qual só interessavam as câmaras e o aspeto que transparecia para o público em geral. É certo que desta forma, "solidão" era o nome do meio de Olivia Thatcher.

Cliché ou não, os dois acabam por se encontrar e ter grandes conversas, como se fossem grandes amigos e conhecidos há séculos. Na companhia um do outro, começam a sentir-se menos sós...e quiça, mais apaixonados.

Estas duas personagens têm de facto algumas coisas em comum, a primeira de todas - a solidão, o não ter ninguém que realmente os oiça e os veja - acaba por ser o motor que os atrai intensamente um para o outro. A segunda coisa em comum - o casamento de fachada, no qual permanecem por puro comodismo e desconhecimento que há possibilidades bem melhores do que se acomodarem.

O cenário - Paris - tem tudo para resultar certo neste livro (como poucas páginas :-).

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Amor;
  • ternura;
  • paixão;
  • amizade;
  • desprezo;
  • manipulação;
  • aparências;
  • ilusões;
  • esperança.

🌠Ler quando:
nos apetece uma leitura leve e descontraída (q.b);
- precisamos de dar animo e alento à nossa vida;
- não nos conformamos com menos do que a felicidade;
- sentimos que precisamos de bater o pé e afirmar a nossa verdade;
- acreditamos que há amores apaixonantes e intensos.


Título: Cinco Dias em Paris 

205 páginas.

Autor: Danielle Stelle 

Editora: Bertrand

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Desafio Summerbook Bingo (2022)

 Bem, eu que nunca entro em desafios literários (ou muito raramente), desta vez apeteceu-me ...

Então resolvi aceitar o desafio feito pela Dora Santos Marques, do Books and Movies que sigo já há algum tempo e de que gosto bastante! 

Já li algumas das categorias (poucas!!) e até agora foram todos ótimos livros lidos! Valeram bem a pena e o bom destes desafios é que vamos tirar livros ao "baú" ou seja, olhamos para aqueles que permaneciam eternamente nas estantes e que nunca lhe pegávamos, sendo que provavelmente este seja um dos objetivos, certo?! 

E quantos é que eu já li? Ora, a minha lentidão habitual permitiu-me ler apenas 4 livrinhos de que gostei (uns mais do que outros):

- A trilogia de Nova York de Paul Auster - (categoria 1: Onde gostarias de passar férias - NY :-). Embora eu saiba que há muita miséria, solidão e tristeza por aquelas bandas...mas está nos meus planos conhecer Manhattan! Livro de 3 contos que mereceu 3 estrelas...houve momentos em que gostei imenso, outros chatos como tudo...

- Na categoria "livro que vais levar contigo" (no caso de irmos passar férias a um local qualquer que não a residência, li Verity de Colleen Hoover. Gostei mas não o suficiente para lhe dar 5 estrelas. Ficou-se pelas 4 estrelinhas e não foram muito gordinhas...

- As pequenas memórias de José Saramago entrou para a categoria "livro enguiçado", já o tinha nas minhas estantes há bastante tempo (este e outros de Saramago) e não lhe pegava. Parvoíce minha porque foi delicioso, gostei de coração cheio! Dei-lhe 5 estrelas cheias.

- Terminei há bem pouco tempo o livro que escolhi para "Livro que a Dora adorou" (4) e com este preenchi uma linha yesss :-). Trata-se dos Sete Maridos de Evelyn Hugo. Super rápido de se ler, autenticamente de entreter, mas sem contudo passar algumas mensagens bem pertinentes. 4 estrelas gordinhas :-).

- Estou em progressão no "autor com quem lancharias" Longa Pétala de Mar de Isabel Allende sem dúvida, por ser uma das autoras que aprecio mais! Os livros dela são daqueles que me fazem mesmo vibrar, extraordinária escrita e de fazer saltar emoções como só os escritores latinos conseguem (bem se calhar estou a exagerar).

O balanço é tão positivo!! Penso que não conseguiria ler tanto em pouco tempo se não fosse este desafio! 

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Uma questão de conveniência de Sayaka Murata

Uma questão de conveniência é um livro diferente, mas muito interessante, uma vez que de forma quase subtil, vai abordando algumas questões pertinentes da sociedade japonesa, sobretudo no que toca às mulheres.

Keiko é uma moça nova, ainda estudante universitária quando se perde, num dos seus percursos e encontra o "aquário" vazio que viria a ser uma loja de conveniência, num bairro elegante, cheio de edifícios altos e perto de uma estação de metro. Candidata-se a um emprego em part-time, porque lhe atrai a ideia de um dinheirinho extra. Telefona para o anúncio de pedido de pessoal que encontra afixado e de imediato é contratada.

A família de Keiko fica feliz porque esta rapariga sempre foi estranha nas suas atitudes e pensamentos, tinha uma forma de reagir aos acontecimentos de vida que não era habitual no resto das crianças da sua idade, e embora a família já estivesse habituada a este tipo de reações, havia sempre um certo embaraço e até vergonha.

Keiko torna-se adulta, vai viver para um apartamento super pequeno, mas tem a sua independência e a família sente-se feliz com estas. Keiko não segue o caminho da irmã que se casa e arranja trabalho permanente, tem filhos e segue a vida "normal". Esta trabalhadora, eternamente "temporária", nem namorado arranja (espante-se) e continua eternamente, funcionária de uma loja de conveniência (a mesma...). Sempre satisfeita na organização perfeita das prateleiras e no atendimento sorridente e atencioso dos clientes. 

Keiko sabe os códigos de barras dos produtos, os preços específicos e assimila as rotinas desta loja que passa a ser a razão da sua existência. Como vai percebendo que a sua reação às coisas não é a que a maioria das pessoas espera, vai repetindo comportamentos, respostas, modos de ser e até de se vestir e apresentar aos outros.

Um dia acontece o inesperado...Keiko arranja um namorado, mas este vai moldando a vida de Keiko e transformando-a em algo que ela não está habituada, não é o seu padrão e começa a sentir-se desconfortável. Terá esta mulher de 36 anos, a coragem de voltar para o que sente ser a "sua praia"?! Terá Keiko a determinação de confrontar o namorado e a vida de modo a assumir o que verdadeiramente a faz sentir-se bem? 

Gostei bastante desta perspetiva que nos dá esta autora japonesa e é dos pouco livros que leio deste país. É muito interessante ler acerca de outras posturas, outras culturas, outras formas de se estar e ser e realmente, poucas coisas para além dos livros nos conseguem dar!

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • inconformismo;
  • diferença;
  • respeito;
  • cultura;
  • afirmação;
  • conforto;
  • conveniência.
🌠Ler quando:

- queremos algo diferente e rápido de se ler;

- nos apetece ter um contacto com uma cultura diferente da ocidental;

- se não acreditamos que podemos ser felizes com pequenas coisas;

- se pensamos que a rotina e os padrões nos dão o conforto do dia-a-dia.


Título: Uma questão de conveniência

155 páginas.

Autor: Sayaka Murata

Editora: D.Quixote


Ahh, é um livro pequeno com uma letra grande e por isso mesmo lê-se muito rapidamente! 

domingo, 2 de janeiro de 2022

O Guardião dos Objetos Perdidos de Ruth Hogan

 Este livro é maravilhoso! É a sensação que se fica no fim de o ler. 

Certo que há alguma confusão no início pois há duas linhas de tempo (passado e presente) e várias histórias que se desenvolvem em paralelo, no entanto tudo se liga no final e se entrelaça com uma ternura infinita.

A história começa com Anthony Peardew, já idoso e quando morre, passa em testamento, a sua amada propriedade, jardins e casa (Pádua) para Laura, governanta e amiga, de Anthony. O que Laura desconhece é que Anthony tem uma enorme coleção de objetos que foi encontrando pela vida fora, guardando e etiquetando com a data e local onde foram encontrados.

Laura herda assim Pádua, a misteriosa e encantadora propriedade de Anthony, mas também fica com um pedido importante de Anthony: restituir os objetos perdidos que ele foi encontrando e que estão no seu atulhado escritório. Como se desenrascará ela? Dizia o velho senhor que se apenas um objeto restituído fizesse alguém sentir-se melhor, então já teria valido a pena! 

Ao longo do livro são encantadoras as pequenas histórias que estes objetos vão contando, como se fossem partes vivas da memória de alguém que os perdeu. E curioso que o este livro também tem escritores muito bons (como Anthony e Boomer) e muito maus, como Portia (irmã de Boomer). Portanto é um livro que envolve vidas de quem escreve e edita livros e das histórias que estes contam.

Também conseguimos perceber que o dinheiro não dita a um coração ternurento e que um coração ternurento pode não ter muito dinheiro, mas, neste caso, tem boas ideias, amor e criatividade.

Há também Eunice que ambiciona escrever um livro e nunca chega a fazê-lo para se dedicar à vida de Boomer, o seu grande amigo e chefe que também adora filmes, estabelecendo-se entre eles quase um código de linguagem cinéfila.

Há também que já tenha morrido, mas anda a assombrar Pádua de modo a que se encontre um objeto perdido muito importante na vida de Anthony e Therese e por causa desse mesmo objeto, a vida de Eunice "cruza" com a vida de Laura! Ou seja, é um verdadeiro emaranhado de ligações subtis que se vão revelando ao longo do livro e que se compreendem apenas nas últimas páginas do livro! 

Subtil, muito bem escrito, criativo e cheio de ternura é este livro.

Vale imenso a pena lê-lo! 

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Ternura;
  • Cuidado;
  • Atenção;
  • Respeito;
  • Tolerância;
  • Carinho;
  • Amor.
🌠Ler quando:

- nos apetece uma história quentinha e ternurenta;

- temos a intuição que está tudo ligado, mas não sabemos como;

- gostamos de colecionar coisas e objetos porque acreditamos que estão ligados a pequenas memórias;

- acreditamos que espaços, lugares e coisas têm de alguma forma uma "alma". 


Título: O Guardião dos Objetos Perdidos

262 páginas.

Autor: Ruth Hogan

Editorial Presença


literatura-billboard

Imagem do cabeçalho do blogue de "GimpWorkshop"

Imagem do cabeçalho do blogue de "GimpWorkshop"
Fantasia, Mágico, Surreal. De utilização gratuita.

A Fada do Lar de Sophie Kinsella

Abençoada hora quando decidi ler este livro em férias de verão...este é o livro ideal para levar nas férias! Tão divertido que nos embaraça,...