sexta-feira, 26 de março de 2021

Como parar o tempo de Matt Haig

Este livro consegue transmitir mais, muito mais do que a história que o autor vai desenvolvendo. 

Tom Hazard, nasceu com uma patologia que o faz envelhecer muito muito lentamente.

Aparenta ter 40 anos, mas na realidade tem 400 ! Passou por várias épocas na Terra, testemunhou muitas atrocidades características de tempos escuros onde tudo era permitido porque a ignorância e o preconceito abundavam nestas épocas. Retrato típico da Idade Média em que se lançavam seres humanos à fogueira, só porque sim! 

Ao longo da sua longa vida, Tom conheceu vários ilustres, das mais variadas áreas, tais como: Shakespeare, Capitão Cook e Fitzgerald, este último, autor do livro "O Grande Gatsby."

A dada altura, Tom sobrevive, arrasta-se ao longo dos séculos devido a uma promessa que fez à mãe...permanecer vivo. Só que para quem como Tom vai perdendo todos os seus mais queridos, a vida passa a ser um vazio, oco e difícil de ser preenchido. Não pode, não deve criar laços com ninguém... e que nos adianta continuarmos vivos se todos os que mais amamos vão morrendo? Pior, se todos os que mais amamos podem vir a ser mortos exatamente por nossa causa? Por sermos assim uma espécie rara, muito procurada que se tem de esconder a todo custo? 

Tom, em 1599 conhece o grande amor da sua vida. Mais uma vez, em fuga de tudo e de todos o nosso homem, esbarra com a rapariga que acaba por vir a tornar-se sua mulher...

Atualmente, Tom é professor de história (o livro tem partes no passado e outras no presente). E que melhor profissão do que esta quando se testemunham tantos acontecimentos ao longo da vida? A História, de certo, seria uma disciplina vibrante se fosse lecionada por quem conheceu as suas personagens em "carne e osso" e consegue confidenciar pormenores que não vêm nos manuais! Tom, era esse professor e consegue até cativar alguns dos mais difíceis alunos...

Ao longo deste romance, fui fazendo paralelos até com os ataques de pânico (que Tom parece ter em abundância) e o reviver de momentos dramáticos do passado. Por reviver constantemente momentos profundamente tristes da sua vida (e outros que nem são assim tão tristes) a mente de Tom é uma miscelânea confusa, triste e deprimida, presa ao MEDO que o pior volte a repetir-se. O medo constante de Tom ser de algum modo "denunciado" ou apanhado de alguma forma e servir de cobaia para quem quer que quisesse estudar a sua condição, leva-o a fazer escolhas que se calhar ainda o "prendem" mais e o atiram para um fundo cada vez mais fundo do poço. Sim, talvez o medo de diferentes escolhas, os "se" da vida são determinantes para uma vida livre ou aprisionada...tudo são escolhas, as que fazemos ou as que deixamos de fazer.

É portanto um livro cheio de conteúdos que vão para lá, muito para lá da própria história que é narrada. Há imensas reflexões que se podem fazer e adorei isso! 

Esta é apenas uma das frases que me deixou de boca aberta, até porque eu sinto isto de cada de nós, habitantes deste nosso planeta:

"Já fui tantas pessoas diferentes, desempenhei tantos papéis diferentes na minha vida. Eu não sou uma pessoa. Sou um multidão num só corpo." 

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Medo; 
  • Apreensão;
  • Desconfiança;
  • Amor;
  • Esperança;
  • Renovação.

🌠Ler quando:

- sente que a vida é curta.

- não compreende que os ataques de pânico podem estar relacionados com as vivências do passado e com o medo de que se voltem a repetir.

- não acredita que podem existir amizades e amores eternos.

- precisa de se libertar do medo de escolher com liberdade :-)


318 páginas

Autor: Matt Haig

Editora: Topseller

terça-feira, 9 de março de 2021

Um Pequeno Favor de Darcy Bell


Este é um thriller nada de especial, mas também nada de deitar fora...um "assim-assim", portanto.

As personagens desta história são todas estranhas e com passados obscuros. Temos a Stephanie que é mãe de uma criança de 4-5 anos que anda na cresce - o Milles, autora de um blog para mães (mães galinha). Está sempre em cima da sua cria e vive para Milles. Existe Emily, uma elegante profissional do mundo da moda, sempre "in", muito chique, que também tem um filho - o Nick, da idade de Milles e seu grande amigo. Há uma terceira personagem na história, cujo papel é revelado mais tarde, o marido de Emily, homem do mundo das finanças e ausente, até meio do livro.

Emily e Stephanie tornam-se grandes amigas e confidentes. Vamos sabendo da história que é fachada, há outra história atrás da que primeiramente é revelada. Mas o livro começa precisamente com Stephanie a relatar no seu blog que a sua querida amiga, Emily, desapareceu sem deixar rasto. Um dia Emily pediu a Stephanie para ficar com o seu filho, subentendo que à noite regressava. Emily não regressou, nem nessa noite, nem nos dias seguintes. Stephanie deixa um apelo desesperado às outras mães, leitoras do seu blog, que se encontrarem alguém parecido com a descrição que faz da amiga, não hesitem em contactar.

Começamos por perceber que quando Stephanie escreve no seu blog, uma boa parte é omitida, mentira ou não revelada. Surgem pouco a pouco "podres" do passado desta mãe bloguista, coisas que nunca são ditas no blog (claro). A imagem que passa é de uma super mãe, super amiga e super mulher, dedicada 100% ao seu filho Milles. Por outro lado, Emily também tem uma cota razoável de segredos, que não revela à sua grande amiga (que afinal nem é assim tão grande amiga, ou será!?). David é o marido "trouxa", peão da história que é usado quando mais convém (mas está convencido que é parte importante das decisões que são tomadas pela sua mulher, Emily).

As crianças aqui surgem como "elementos figurantes" da história. Estão lá, aparecem nos cenários, são ingénuos, inocentes e brincam ou fazem birras, são testemunhas quando algo acontece de importante, mas é só isso.

O que achei eu? Nem sei bem...é um livro que se lê bem, vai decorrendo a uma boa velocidade de leitura, mas sinceramente, não fez aquele WOW que estou à espera num bom livro! Também achei tudo muito irreal (isto é os passados terríficos e incrédulos das personagens). Parece que foram escolhidos elementos que pudessem chocar os leitores, porque um personagem assim é que teria intensidade suficiente para a história. 

Ahh, depois senti que todos os outros personagens aceitaram muito bem tudo o que acontece de "non sense", como se fosse muito normal alguém que é dado como morto voltar a ter a sua vida normal e por aí fora...

Bom mesmo é que tem filme :-)) e do que ouvi falar, está bem interessante (ainda não o vi!). Será que este é um dos casos em que vale mais ver o filme do que ler o livro?



Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Angustia; 
  • Desconfiança;
  • Maldade;
  • Traição.

🌠Ler quando:

- Se é muito ingénuo e se acredita que só existem pessoas boas na vida.

- Se acabou de ler um romance muito fofinho e cheio de mel em que tudo acaba bem.

- Se não consegue perceber que infâncias muito más podem resultar em adultos psicopatas.


301 páginas

Autor: Darcey Bell

Editora: Bertrand Editora

sábado, 6 de março de 2021

A Pequena Farmácia Literária de Elena Molin


 Que livro M.A.R.A.V.I.L.H.O.S.O!! Simplesmente adorei! 

Blu é uma rapariga nos trintas e tais, a caminho dos 40. Tem grandes sonhos, adora ler e vai sempre fazendo trabalhos em que está por conta de um patrão qualquer. Sente-se infeliz porque não está verdadeiramente realizada (quem estaria se tivesse montanhas de sonhos por concretizar?!).

Blue vive com amigas num apartamento algures em Florença...e só por aqui o livro já é bom, parece que percorremos as ruas daquela cidade italiana e vamos sentados com Blue, na sua bicicleta, quando ela vai para o local onde trabalha.

Surge a oportunidade de Blue abrir a sua própria livraria e ela agarra-a com unhas e dentes. É pequeno o espaço, mas Blue vai na fé. E as amigas, companheiras de sempre, ajudam Blue nos preparativos da abertura e tudo mais.

O livro tem partes hilariantes, ri-me bastante, até porque a escrita de Elena Molini é, por vezes, muito cómica. Se é verdade que é um livro que nos deixa bem dispostos e muito divertidos, tem também mensagens que vão passando, quase que de forma inconsciente: a importância de uma amizade sólida, o valor da persistência e não desistência dos nossos sonhos, o apelo à criatividade e o amor profundo e consistente pelos livros.

Blue faz muitas menções a livros da sua vida, ficamos é claro, com vontade de os ler e de os adquirir (única coisa menos boa), mas há sempre a esperança de os encontrar numa boa biblioteca e com isso poupar dinheiro :-).

Também senti algures um certo realismo mágico que acaba por não ser bem isso...mas também não posso contar. No fim, uma ideia brilhante vai salvar Blue e a sua livraria da falência, essa grande ideia é a de vender livros com bulas, como se fossem medicamentos, isto é, com indicações terapêuticas, efeitos colaterais, dosagens, etc. No final do livro, encontram-se algumas destas bulas com a descrição dos respetivos "medicamentos" que são os livros.

O mais interessante disto tudo é que a "Piccola Farmacia Letteraria" existe mesmo e Elena Molini, a autora deste livro, é a sua proprietária. Fica aqui o website: https://www.piccolafarmacialetteraria.it/


😊Emoções /Sentimentos mágicas despertadas com este livro: 

  • Amizade; 
  • União;
  • Criatividade.
  • Persistência.
  • Positivismo.
  • Alegria.

🌠Ler quando:

- Quiser intercalar com outras leituras mais pesadas.

- Sentir-se quase a desistir de um projeto da sua vida.

- Quiser saber o que é a criatividade e como ela surge.

- Duvidar que pode existir uma amizade profunda e solidária.

- Quiser visitar (sem sair do lugar) as ruas de Florença (Itália).


263 páginas

Autor: Elena Molini

Editora: Editorial Presença

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Um convite muito especial de Trisha Ashley

 Morno, é como classifico este livro. A história arrasta-se ao longo das suas 469 páginas e a dada altura só queremos mesmo é terminá-lo! Estive imenso tempo a ler este livro que, infelizmente, foi o primeiro que li desta autora! 

Trisha Ashley tem outros livros que se passam na época do Natal, e pelos vistos, todos eles são engraçados, histórias agradáveis e leves de se lerem nesta época. Portanto, posso concluir que não fiz a escolha acertada no que toca a livros desta autora. Não me entendam mal...este não é um livro mau (caso contrário não escreveria sobre ele), mas é um livro "assim-assim" e valeu em determinados momentos pelo espírito de Natal que transmitiu. Conseguimos sentir os aromas, as emoções de carinho, de amizade, a união familiar, as luzinhas a piscar, o frio e a neve do local onde se passa a história (que aliás é gelado), as decorações de Natal, as comemorações e tradições do local naquela época festiva e isso é bom! É então um verdadeiro livro com espírito natalício...aliás a capa é muito bonita e está de acordo com a época. Mas, embora esteja de acordo com a época e seja belíssima, a personagem da capa nada tem a ver com a personagem da história, que aliás tem o cabelo azul durante uma boa parte do tempo...

Meg é quem nós vamos acompanhar ao longo do livro e está a recuperar de uma pneumonia que a prendeu durante uns tempos num hospital. A história inicia-se com a saída dela do hospital e a retoma da sua vida como pintora de retratos. Meg gosta muito do que faz e, o que faz, resulta sempre em quadros com muita pinta, com muita arte! De tal forma que Clara e Henrique, pessoas que à partida não a conhecem, querem que Meg lhes faça um retrato uma vez que Clara viu um retrato de uma amiga feito por Meg...e gostou muito. É desta forma que Meg, mal acabada de sair do hospital e ainda em recuperação é de imediato convidada para passar uns dias em Starstone Edge e, assim, fazer o tão desejado retrato daquele simpático casal. Meg rejeita logo a ideia, mas a insistência de Clara é absoluta e Meg acaba por ir.

Em Starstone revê um antigo colega da faculdade com o qual teve uma história meio estranha que é desvendada, muito a custo, ao longo do livro (parece que esta história tem a obrigação de se arrastar tanto quanto o resto do livro) e para além desta surpresa acontecem algumas outras surpresas. No entanto, são muitas  páginas para acontecimentos banais do tipo, ir escolher a árvore de Natal, colocar as decorações natalícias, lanchar coisas deliciosas, passear os cães, etc. 

Seja como for e, incrivelmente, dei por mim a ter saudades das personagens quando terminei o livro (deve ter sido pelo tempo que passei a lê-lo ...quase que também eram da minha família!). E não há dúvida nenhuma que todo o livro transpira o Natal e isso foi ótimo.

😊Emoções Mágicas despertadas com este livro: 

  • amizade; 
  • união;
  • calor humano.

🌠Pequenas magias que são realizadas com este livro:

- sentir os aromas e o calor humano da época natalícia;

- entrar no espírito natalício;

- compreender a união entre pessoas que gostam umas das outras.


469 páginas

Autor: Trisha Ashley

Editora: Leya

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Onde compro os meus livros?

 
Eu sou daquelas que pensam que os livros ainda são muito caros! Trata-se de um prazer que nos "fura os bolsos" pelo que, não é meu hábito comprar livros com o preço dito "normal". Sendo assim, ou aproveito promoções, ou compro-os em segunda mão (mas ainda em boas condições).

Como já ando nisto há algum tempo, fui listando vendedores aos quais recorro de forma recorrente (às vezes recorrente de mais :-). Bem, esta é a opinião de quem anda cá por casa e vê aparecerem, demasiadas vezes, livros pelo correio. Pois...ultimamente não os vou comprar às lojas ou aos locais onde eles estão, mando-os vir até casa, o que é bem mais confortável! Ao mesmo tempo, não andamos por aí à cata de um vírus maldoso e ao mesmo tempo aproveitamos o facto de, muitas das vezes, as taxas de entrega serem gratuitas.

É assim e, porque acho que dará jeito a muita gente (pelo menos alguns, ou antes, aos poucos que vão ler este post, neste blog desértico e perdido algures na internet), que passo a listar os sítios aos quais recorro habitualmente:

Imagem de MorningbirdPhoto por Pixabay

Livraria solidária da boutique da cultura - com preços magníficos de 1€, 3€ e 5€ (a maioria dos livros), e em excelente estado, esta livraria, localizada em Carnide, vende livrinhos em segunda mão para todos gostos e idades, e digo-vos que muitos deles são bem recentes!! Estou mesmo muito satisfeita com as minhas compras nesta livraria, cujas receitas revertem em favor da cultura e artistas (cultura esta que precisa tanto de ser ajudada neste momento de pandemia).

Esta livraria já tem uma base de pesquisa de livros, que está a ser melhorada cada vez mais e já se pode encomendar online e assim os livros são enviados para as nossas casas.

Aceitam também doações, o que é ótimo porque assim podemos deixar os livros que não "conversam connosco" ou que já lemos e não queremos nas nossas estantes, favorecendo até a tão falada "economia circular".

Alpha Livros - com imensos livros ainda muito atuais e em ótimo estado, costumo comprar, aqui, a preços também muito atrativos, não excedendo, na maior parte das vezes, os 10€. Tenho encomendado vários livrinhos que têm chegado em ótimo estado e o atendimento, através do mensager do facebook, é sempre rápido e muito simpático. De volta e meia vou lá espreitar, pois o vício de ler é enorme e não me bastam os imensos que já tenho na prateleira por ler :-)...mas quem gosta de ler considera sempre que são poucos os livros que tem, tendo em conta a enorme wishlist que continua a crescer quase todos os dias (e que existe por todo lado, desde bullet, papelinhos ao site das editoras, enfim). Mas também, para quem é leitor, que maior prazer que ir à procura de um determinado livro que apetece ler e ter vários ao seu dispor, preparadinhos para serem lidos?! 

Note do continente - e que grandes promoções esta papelaria / livraria tem, em livros novinhos em folha! E são tão habituais as promoções, existem em várias ocasiões (dia do pai, Natal, dia da mãe, dia da mulher, Páscoa, para comemorar não sei que evento ou e sei lá mais o quê. Na maior parte das vezes, quando vou ao continente e passo pela note, é uma perdição!! Há sempre uma promoção. Livros a 50%, 30%, no minímo 10%. E é claro que quem tem a app do continente ainda acumula saldo pois há sempre cupões (ou quase sempre)...é a loucura para quem gosta de ler e temos mesmo que nos conter, vai na volta regressamos a casa com uma pilha enorme de livros e lá vêm os nossos queridos entes lá de casa a dizer: "livros outra vez? Já não te chegam os que tens?!"...pah não há como responder a estas gentes tão inorantes que não nos compreendem :-))))!

Wook - com milhentas promoções durante o ano e acumulação de dinheiro em cartão, dá sempre para comprar e depois descontar o valor que fomos acumulando. Há alturas em que devolvem 100% das nossas compras (claro está, em determinadas condições). Aqui os livros são novinhos em folha e há sempre a possibilidade de procurar também coisas interessantes pelos preços mais baixos. Foi assim que encontrei vários que adorei ler, bons livros a preços absolutamente estupendos! 

Os sites que estão acima são os que habitualmente uso, no entanto, já recorri aos seguintes:

BookDepository para livros que estão em inglês (para quem é fluente ou quer treinar a língua). Já comprei para um habitante cá de casa que habitualmente, lê fição científica ou fantasia na língua original - inglês. Há verdadeiras pechinchas neste site, que tem portes, mas sem dúvida compensam pelo preço dos livros. Há em segunda mão e usados. Os que comprei foram novos, a coleção completa do I Robot de Asimov e cada um sensivelmente a 6-7€...onde conseguiria eu, em Portugal, a estes preços?! Chegaram todos em excelente estado.

Fnac - também faz ótimas promoções. Costumo comprar na loja ou mando vir para casa. Já adquiri livros a 50% ou mais...também tem uma seção de livros em inglês, bem acessíveis.

Imagem de Mystic Art Design por Pixabay 
Cultura Editora - tem feito packs de três livros a ótimos preços. Comprei aqui um pack de livros do Nuno Nepomuceno (que ainda não li, mas espero ler alguns este ano! ).

Bertrand - é raro aqui comprar, mas por vezes aproveito algumas promoções.

E claro está, em anos ditos "normais" sem pandemia, vou com muito entusiasmo à feira do livro, para a qual, agora que me lembro, tenho que começar a colocar uns tostões de parte. Acredito eu que em Maio/junho deste ano, já esteja tudo mais normalizado e lá irei alegremente! 

Ainda não sou leitora de e-books (ainda...), mas também tenho o hábito de ir a bibliotecas requisitar livros. A propósito, na maior parte dos anos e em férias de verão, costumo ir à biblioteca da minha terrinha e trago de lá uma pilha alta de livros que...acabo por não ler (pelo menos todos!).




sábado, 9 de janeiro de 2021

Testamento de Maria de Colm Tóibím

 Não conhecia mesmo este autor, e este livro, bem pequeno, foi comprado naquelas pesquisas que eu costumo fazer na WOOK, em livros muito baratinhos (pesquisa pelo preço mais baixo). Não sei porquê, este chamou-me a atenção e nem sei bem se na altura terei compreendido de que se tratava. Passado um ano, lá o li!

Trata-se da visão de Maria, mãe de Jesus, nos últimos dias antes da morte crucificado na cruz. Retrata uma mulher profundamente só, profundamente angustiada, profundamente triste, pela morte do filho e por viver numa situação de medo permanente. 

É um livro pequeno, mas muito duro, porque nos dá uma perspetiva à qual não estamos habituados quando falamos da vida de Jesus, quando lemos acerca da sua família. 

É claro que é uma história ficcionada, mas não sabemos como foram de facto os sentimentos de uma mãe (como outra mãe qualquer e sem a idealização que todos fazemos acerca de Nossa Senhora, mãe de Jesus), sobre a dor do seu filho, e o martírio que foi ver o seu filho pregado na cruz. 

Somos confrontados com as emoções de Maria e quase que há uma certa intimidade entre a personagem e o leitor, fala-nos quase "ao ouvido". A história toda é contada numa espécie de sussurro, às escondidas,  pois Maria sente-se constantemente perseguida. 

É-nos passada a ideia de que Pilatos não seria o principal carrasco de Jesus, mas sim todo povo que o condena à viva voz.

A capa, branca com o título a dourado,  é sóbria, simples e quase minimalista (não fossem as letras de um trecho de texto que contem).

É um livro diferente, porque eu não estava à espera, mas abriu-me a consciência para o que terá sentido de facto Maria, uma mãe, quando esteve perante aquele horror todo. Se o por alturas do Natal, bom para se ler nesta época.

" Ele era esse menino que eu dera à luz e agora estava mais indefeso que nunca. Quando era recém-nascido e eu pegava nele ao colo e velava por ele, meus pensamentos eram perpassados pela ideia de que, eu teria alguém para velar por mim quando estivesse a morrer, para cuidar do meu corpo depois de morrer."

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Angústia;
  • Desespero;
  • Compaixão;
  • Amor;
  • Drama.
🌠Ler quando:

- Não percebe o que é o sentimento de uma mãe com o sofrimento do filho.

- Não compreende o que é o sentimento de perseguição.

- Não entende o que é estar inseguro.

- Quer ter uma perspetiva diferente do que foi ser mãe de Jesus.


109 páginas

Autor: Colm Tóibím

Editora: Bertrand    

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

MAUS de Art Spiegelman


 Este livro, em forma de novela gráfica, é absolutamente horripilante, não por ser um mau livro, antes pelo contrário, mas porque traduz de uma forma extremamente gráfica (pois tinha que ser...) o que foram os tempos nos campos de concentração, no holocausto. Horrível, porque consegue com as suas imagens confusas e escuras, transmitir claramente o horror, a frieza, o medo, a desumanização. Apenas porque houve alguém que se lembrou argumentar sobre a supremacia da raça ariana...e cientificamente se prova, atualmente, que não há raças na humanidade, sendo que tais considerações não fazem qualquer sentido e também não colaboram para a nossa evolução enquanto humanidade. 

Tudo o que tem por base a separação e discriminação de seres humanos, revela ignorância e não nos eleva. Quando, baseando-se nesses argumentos, se usa violência e tratamento desumano, aí então fica mais claro ainda que não faz sentido (non sense)

Nunca gostei muito de ver filmes ou ler livros sobre esta temática, ao contrário do que é hábito de muitos leitores que adoram ler sobre estas temáticas, Ao contrário, ao lê-las ou ao visualizar filmes sobre o assunto, sou transportada para aqueles locais onde o ser humano deixou de o ser e não aguento muito suportar esta verdade. Uma verdade em que se cometeram atrocidades contra a humanidade. Certo sim que temos de as relembrar para não as repetir, mas não sei muito bem se relembrá-las significa automaticamente repeti-las...esperemos que sim!

Há quem diga até que a realidade é pior do que nos livros ou nos filmes, sobre este acontecimento - extermínio de judeus na II Guerra Mundial, não tenho dúvidas de que o foi - a realidade foi bem pior ao ser vivida pelos seus protagonistas, particularmente para quem foi humilhado, só por ser judeu.

Talvez tenha que ler mais sobre as causas, razões que deram origem a esta barbárie, porque sinceramente não compreendo, é algo que me ultrapassa. Colocar seres humanos a trabalharem e a sobreviverem nas condições relatadas por quem sobreviveu, é algo que por mais que tente, não consigo compreender.

Outra coisa que não conseguirei fazer (penso eu) é visitar esses locais que antes foram campos de concentração nazis. Nem consigo bem perceber porque há tanta gente a querer fazê-lo. Ir a esses locais deve ser uma carga brutalmente negativa e para isso prefiro visitar outros sítios que me façam sorrir e não sentir o meu coração pesado.

Bem, vamos à história...Art Spiegelman conta-nos a história do que se passou com o seu pai, por altura do Holocausto. Como foi parar ele, e a mãe de Art, ao campo de concentração, como vivia com medo e escondido, nos dias anteriores à invasão por parte das tropas de Hitler, e como ficou ele após tudo isto acontecer.

O livro apresenta-nos o passado, em que o pai de Art relata o que aconteceu e o presente, em que chegamos à conclusão de que apesar de ser um sobrevivente não se "salvou", na realidade, transformou-se numa pessoa super insegura e com vários apegos a coisas e a dinheiro que tornam, muito difícil, a sua convivência com os que lhe são mais próximos.

Há momentos que são confusos para mim, pois a história salta muitas vezes, quer de personagens, tempos, fiquei um pouco baralhada em várias situações e a gramática torna a leitura ainda mais complicada. Os desenhos, são realmente escuros, também confusos, muitas sombras, mas penso que foi mesmo de propósito pois passam claramente a mensagem que querem passar.

Interessante que aqui os judeus são retratados como se fossem ratos e os alemães são gatos, o que é muito sugestivo.

Para mim não foi uma leitura super magnífica, mas sem dúvida uma leitura com conteúdo e boa portanto.

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Desumanização.
  • Perseguição.
  • Compaixão.
  • Desespero.
  • Segregação.

🌠Ler quando quer aprofundar:

- O sofrimento do povo judeu na II Guerra Mundial.

- O sentimento de descriminação humana.

- O que é ser humilhado e despojado de qualquer direito humano.

- A exigência de não esquecer a história para que ela não se repita nos seus capítulos mais negros.

296 páginas
Autor: Art Spiegelman
Editora: Bertrand    
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Imagem do cabeçalho do blogue de "GimpWorkshop"

Imagem do cabeçalho do blogue de "GimpWorkshop"
Fantasia, Mágico, Surreal. De utilização gratuita.

A Fada do Lar de Sophie Kinsella

Abençoada hora quando decidi ler este livro em férias de verão...este é o livro ideal para levar nas férias! Tão divertido que nos embaraça,...