quinta-feira, 31 de agosto de 2023

A Fada do Lar de Sophie Kinsella

Abençoada hora quando decidi ler este livro em férias de verão...este é o livro ideal para levar nas férias! Tão divertido que nos embaraça, por rirmos sozinhos à beira de uma piscina ou quando estamos entre mergulhos no mar.

Samantha é uma advogada de sucesso, sempre muito atarefada. Corre de um lado para o outro a resolver várias pendências ao mesmo tempo. De tal maneira ocupa os seus dias com a sua profissão que em casa nem sabe como funciona um aspirador ou como se põe uma máquina de roupa a lavar. Este tipo de tarefas delega-as todas a outros, para ela são tarefas "menores". 

A sua mãe também é uma advogada de renome na praça e o seu irmã tem um alto cargo executivo (nem sei bem no quê). 

No jantar de anos de Samantha não aparece nem a mãe nem o irmão pois tiveram assuntos urgentes para resolver à última hora, todos relacionados com as suas obrigações profissionais. Claro está que enviam a Samantha flores e dinheiro, mandam as suas secretárias telefonar com um pedido de desculpas...a sua presença é que não podia ser ...

Precisamente no dia em que Samantha supostamente será promovida a sócia da empresa de advogados da qual faz parte, descobre que cometeu um erro gravíssimo e foge! Apanha o primeiro comboio que vê, segue, sabe Deus para onde (nem ela próprio o sabe), vai parar algures na zona mais rústica e menos urbana de Inglaterra. Londres e a sua grande agitação fica para trás.

Samantha toca a campainha de uma enorme casa que vê, apenas para pedir um copo de água e comprimidos para a sua enorme dor de cabeça. Atendem os donos da casa, muito atenciosos que de imediato concluem que Samantha está ali para uma entrevista que lhe dará acesso ao lugar de governanta. Ela não compreende logo o que se está a passar, mas depois, equívoco atrás de equívoco (com imensas gargalhadas pelo meio) acaba por aceitar o cargo...sendo que nem sabe cozinhar um ovo estrelado!! 

Pelo meio, como não podia deixar de ser, Samantha apaixona-se...

As peripécias da personagem principal são de facto muito cinéfilas, aliás esta história já tem um filme (que até é antigo). Seja como for, nada, mas nada, vai substituir este livro hilariante, por isso recomendo-o a 100% e vou querer ler muitos mais desta autora tão divertida! 

Aqui fica a adaptação do livro a filme:



palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:

  • Equívoco.
  • Humor.
  • Divertido.
  • Stress.
  • Advocacia.
  • Governanta.
  • Romance.
🌠Ler para:

- Passar um bom momento.

- Intervalar de livros mais pesados.

- Rirmos um bom pedaço.

- Compreendermos que não vale andarmos cheios de stress no nosso trabalho.

- Perceber que a vida deve e pode ter momentos para tudo e que não podemos dar demasiado valor apenas a uma das facetas da nossa vida.


Título: A Fada do Lar

391 páginas.

Autor: Sophie Kinsella

Editora: Leya (Livros D´Hoje)

AMOK de Stefan Zweig


 Este é um livro com apenas 67 páginas, que se lê em pouco tempo, mas com uma história cuja densidade é superior ao número de páginas. 

O narrador desta história é alguém que viaja no mesmo navio da personagem principal desta narrativa. Os factos que aconteceram, são a propósito de um médico, suponho que exercendo a sua profissão em Calcutá, numa colónia de cujo país não percebi bem, distante da Europa, no longínquo ano de 1912.

O narrador conta-nos que o seu aposento no navio era bafiento, encolhido e barulhento.  Para se refugiar deste sítio pouco agradável e do ruído constante das conversas ininterruptas, no convés, durante o dia por todo o lado do navio, o nosso narrador decidiu trocar os turnos: dormir de dia e manter-se no convés, arejado e solitário, durante a noite. E é precisamente aqui, num dos dias em que opta por arejar a cabeça durante a noite, que encontra uma singular pessoa que mal consegue distinguir na escuridão da noite.

Ao longo de dois ou três dias, aquele estranho, sempre acompanhado de uma garrafa de álcool (Whiskey penso eu) vai contando a sua triste história que começa algures nos trópicos. Uma mulher, altiva e arrogante ousa ir a sua casa pedir-lhe um favor. Nunca se verga, nunca ousa pedir "por favor" como pretendia o médico, nunca se coloca numa posição de alguma forma "inferior" ao seu interlocutor e este, irritado com esta atitude e tão orgulhoso e arrogante quanta a mulher que pede (nunca implorando nem se rebaixando), exige um pagamento que a mulher recusa veemente.

A mulher sai de casa do médico e este arrepende-se de não ter acedido ao pedido dela, entra em estado de alerta/agonia/fúria (amok)...persegue-a até conseguir comunicar com ela, no entanto, já é tarde e o pedido dela fica sem efeito. As consequências destas escolhas (dela e dele) não são boas nem para um, nem para o outro. 

A intensidade destas linhas é enorme, a aflição que é transmitida, é feito que mestria a que Stefan Zweig tinha na escrita. Um pequeno livro muito denso! Muito bem escrito! 

Stefan Zweig escreveu várias novelas, uma delas já li e também gostei: "24 horas na vida de uma mulher". Muitos estão publicados pela editora "Relógio D´Água" e são muito acessíveis naquelas caixinhas disponibilizadas na feira do livro de Lisboa (foi lá que comprei alguns destes livros). Valem bem a pena! 


palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:

  • Angústia.
  • Dor.
  • Viagem em navio.
  • Condição humana.
  • Orgulho.
  • Amok.
  • Século XIX.
🌠Ler para:

- Perceber as relações humanas no século XIX, particularmente em colónias.

- Aprender o conceito "amok".

- Ter contacto com a magnífica escrita de Stefan Zweig.


Título: Amok

67 páginas.

Autor: Stefan Zweig

Editora: Relógio D´Água

domingo, 30 de julho de 2023

Revelação de Michael Crichton

Imagem de fundo daqui 

 Este é mais um dos livros de Michael Crichton, autor (médico de profissão), falecido em 2008 e com uma vasta obra de publicações, muitas delas podem ser associadas ao termo "Thriller Científico". Esta designação é para aqueles livros relacionados com as ciências e tecnologia, mas que envolvem também suspense, mistério e por vezes morte. Na maior parte das vezes, estes são livros prendem-nos, do primeiro parágrafo até à última linha, fazendo-nos cavalgar pelas linhas, página após página, para responder a fios soltos como: quem foi? Mas porquê? o que está a acontecer? E lá se vai o fôlego e o sono 😳.

Revelação é o quarto livro que leio deste autor e não dou por perdida nenhuma das leituras que fiz! Fantásticos mesmo... prendem, envolvem e dão-nos a volta, apresentando um qualquer enredo de que não estávamos à espera. Ou sou eu que não tenho jeito para descobrir o que está por trás dos acontecimentos, ou de facto, ele constrói histórias que terminam de forma inusitada, com acontecimentos imprevisíveis e, disso, sem correr o risco de ser presunçosa, qualquer leitor gosta.

Vamos aos factos...este livro tem um grande tema - assédio sexual - à roda do qual anda e que até é muito atual, muito embora o cenário seja de uma grande empresa de alta tecnologia nos anos 90. Só que, tal como Michael Crichton gosta de escrever, é polémico e nada óbvio. Aqui o assédio é provocado por uma mulher acabada de ser introduzida numa empresa como chefe de divisão (sem que ninguém da empresa soubesse disto).

Sanders acorda para uma manhã em que tudo indica, será promovido. Chega atrasado porque nas rotinas matinais a mulher pede-lhe, encarecidamente, que ele trate dos pequenos-almoços das crianças. Quando chega à empresa, está um burburinho geral e espanta-se, embora aceite: quem é nomeado para chefe de divisão dos produtos avançados da DigiCom não é ele, mas Meredith, acabada de chegar de outro Estado para assumir aquele cargo a pedido do patrão da empresa.

Meredith, com uma história antiga de um namoro com Sanders, convida este para uma reunião tardia no seu gabinete. Compra vinho e ...preservativos! Curiosamente a secretária tranca a porta a pedido de Meredith. E à porta fechada, atira-se a Sanders que fica meio aparvalhado com toda esta investida e, quando a coisa aquece, Sanders começa a sentir-se tremendamente mal com toda a situação, afasta-se e sai. Meredith fica aos berros (por acaso estes berros são ouvidos pela senhora da limpeza...).

O que eu não esperava é que a história vai-se desenvolver para lados que eu não previa (pois, acontece com os livros de Michael Crichton)...muitas coisas aqui são discutidas e achei bem interessante tudo o que foi construído à volta da trama. Sanders passa por complicações difíceis até compreender o que realmente se está a passar na empresa.

Michael Critchton é mais uma vez visionário neste livro. Nos anos 90 ele já nos apresenta a realidade virtual, os sistemas de comunicação em rede, os telemóveis...enfim, nesta altura nada disto era vulgar e ele aborda até a comunicação à distância (como hoje fazemos com um zoom ou o skype).

Deixo também o trailer para o filme que foi adaptado (título original: Disclosure)



palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:

  • Relações humanas.
  • Assédio sexual.
  • Arrogância.
  • Poder.
  • Inesperado.
  • Interesses.
  • Grandes empresas.
  • Tecnologias.
  • Anos 90.

🌠Ler para:

- Ter uma visão diferente acerca de assuntos vistos apenas de uma perspetiva.

- Ter contacto com alguns aspetos da tecnologia dos anos 90

- Se gostar de enredos passados em empresas de alta tecnologia.

- Compreender que por vezes se geram relações tóxicas e de manipulação entre chefes, patrões, CEO e funcionários (empregados e assalariados).


Deixo apenas o livro em inglês pois é difícil encontrá-lo em português ...a menos que seja em segunda mão (título em português: Revelação pela editora - Difusão Cultural).

Título: Disclosure

464 páginas.

Autor: Michael Crichton.

Editora: CORNERSTONE


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Histórias num admirável...mundo invisível de Maria Amélia Loução




Este fantástico livro ensina ciências "a brincar", mais especificamente, fala-nos sobre: solo,  microrganismos lá existentes, árvores e associações tão importantes, entre as raízes e as bactérias que lhes são benéficas. Com uma linguagem bem adaptada a crianças, talvez entre os 8 e os 11 anos, vai passando a ideia de que existe uma enorme biodiversidade nos solos e que ela é extremamente importante para o equilíbrio da vida. E engraçado é que até as bactérias "más" são mostradas como tendo que existir sendo até, através delas, que as raízes conseguem produzir determinados repelentes muito úteis em lutas de defesa posteriores. Assim, estes produtos produzidos pelas raízes, "mal cheirosos" conseguem defender as "bactérias boas" e até as próprias raízes das árvores!

Não são muitos (pelo menos que eu tenha conhecimento) os livros que ensinam ciências através de histórias e quando encontro algum assim, bem escrito e com ilustrações bem pitorescas e adaptadas à história, dou-lhe um enorme valor.

A história começa com o encontro de três crianças (primos) e que descobrem, no sótão da avó (desconfio que da própria autora :-), uma pequena caixa que os transporta para diferentes épocas da humanidade. Depois, para introduzir a parte da "microbiolândia", a avó conta aos netos histórias que comprovam a maravilha da natureza e em que, na maior parte das vezes, há associações leais entre seres vivos. E, desta forma, as crianças vão ouvido aventuras que se passam num mundo de raízes e bactérias no solo.

No final do livro ainda há lugar para alguns jogos e destaque para uma espécie de glossário científico.

A autora deste livro tem um longo currículo na área biologia e é atualmente Presidente da Sociedade Portuguesa de Ecologia. São diversas as publicações de Maria Amélia Loução tal como este artigo que se pode ler aqui sobre a biodiversidade.

Encontrei também um vídeo, bem interessante, em que a autora Maria Amélia Loução (que é autora de diversos livros de caracter científico - não infantis) é entrevistada sobre a biodiversidade e a sua enorme importância, até para o combate às alterações climáticas.


palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:

  • Biodiversidade.
  • Ecologia.
  • Redes.
  • Simbioses.
  • Bactérias patogénicas.
  • Bactérias benéficas.

🌠Ler para:

- Aprender mais sobre o solo.

-Dar valor aos microrganismos do solo.

-Compreender que há associações que trazem benefícios para as raízes e para as bactérias do solo.

- Ler uma história pedagógica a crianças dos 8 aos 12 anos (e para todos os outros também).

-Aprender sobre ciências em geral e ainda fazer uns jogos no final :-).

- Fortalecer laços entre avós e netos.


Título: Histórias num admirável...mundo invisível.

42 páginas.

Autor: Maria Amélia Loução.

Ilustrações de Sandra Serra

Editora: Flamingo.


domingo, 12 de fevereiro de 2023

A Avozinha Gângster de David Walliams

Até mais de meio, estava confusa com a leitura deste livro. Sinceramente, não estava a compreender onde o autor queria chegar (se bem que não há obrigatoriedade de se chegar a lugar algum com a leitura de um livro). Que mensagem estava a passar o autor? Que valores estavam a ser transmitidos às crianças de 11 anos, nitidamente o público-alvo deste livro? Tudo indicava que estavam a ser muito focados aspetos moralmente duvidosos... 

Bem, passemos então à explicação: nesta história, temos um menino que vive com os pais sendo que nos salta à vista uma certa negligência. Os pais de Ben mal passam tempo com ele, pouco o ouvem e não consideram o que de facto gosta de fazer. Trata-se de progenitores com interesse altamente direcionado para uma grande paixão — ver concursos de danças na TV, género: "dança com as estrelas". São pessoas simples, com empregos que exigem tarefas básicas. A mãe é manicure e o pai, segurança num supermercado. São os próprios a transmitirem aquela imagem de que estão fartos das suas vidas monótonas. 

Ao longo do livro surgem partes muito divertidas em que, por exemplo, saltam as unhas postiças à mãe. Esta quando vai no carro a maquiar-se, esborrata-se toda e chega aos locais sempre com um risco a mais...de certo que qualquer pequeno ao ler estas aventuras, vai desatar a rir-se às gargalhadas (e os adultos também).

Ben, o menino da história, adora tudo o que se relaciona com canalizações (muito original), tudo o que inclua tubos e arranjos com canos, isso é que o encanta, esse é o sonho da sua vida...ser canalizador. Os pais desdenham dessa hipótese e querem desviá-lo dessa ideia, mas Ben está longe de querer o que os pais queriam que ele fosse: dançarino como a estrela de dança que veneram com todo o seu coração —o grande dançarino, Flavio Flavioli.

Os dias passam-se, o anterior igual ao que vem a seguir, sempre com refeições prontas aquecidas no micro-ondas, pouca conversa, muito espetáculo televisivo de dança e, sextas-feiras em casa da avó. É neste dia da semana que os pais de Ben vão jantar fora e se deslocam a uma sala de cinema para verem um filme no grande ecrã. "Despejam" Ben à porta da casa da avó e arrancam para o seu programa de sexta-feira à noite. 


Para Ben é um martírio. A avó cozinha couve a toda a hora, até bolo de couve come! Tem pelos no queixo e dá puns por toda a casa, usa aparelho auditivo e uma dentadura postiça. Tudo bem, ou tudo mal (dependendo da perspetiva) só que num belo dia, Ben encontra umas jóias e pedras preciosas numa lata de bolachas que a avó tinha lá por casa. Não descansa enquanto não descobre o que é aquilo. Onde as foi buscar? Quem lhas terá dado? Ela mal sai de casa quanto mais ter aquilo ali! O mistério torna-se imperioso de descobrir. Ben, super curioso pega na bicicleta e vai ter a casa da avó sem que os pais saibam.

A história desenrola-se e vem-se a saber que a avó é uma ladra, uma verdadeira gângster. Ora, aqui é que comecei a não gostar, pois aqueles valores não interessam, de todo, passar às crianças: a excitação de roubar coisas de valor, as histórias da avó quando era mais pequena e usurpou, pela primeira vez, e tal e tal (uiii o que é isto, perguntava eu), já não estava a gostar nada daquilo. De veloz leitura este livro, chega-se a determinada parte e vira tudo ao contrário. Respirei de alívio e achei muito interessante como o autor escreveu o livro e compõe tudo até chegar aquele ponto. 

Não deixa de ser um livro onde ficamos a refletir sobre pré-conceitos, o rapazinho que tinha uma ideia da avó (chata, aborrecida, que só sabia jogar scrabble, que ele nem gostava, etc), passa a ter a ideia de uma super avó, a qual Ben passa a adorar e que nada tem de chata ou de aborrecida.

E às tantas, damos conta que este livro valoriza o papel dos mais velhos e a importância de passarem tempo de qualidade juntos. Transmite a ideia de que os avós já foram jovens e têm montanhas de histórias engraçadas para contar.

Gostei bastante, claro, uma delícia que qualquer criança de 10 a 12 anos também vai adorar.

As ilustrações são bem engraçadas e dão mais piada ao livro, acompanham muito bem o que está escrito. A linguagem é muito acessível.

palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:

  • Divertimento.
  • Preconceitos.
  • Tristeza.
  • Surpresa.
  • Valorizar os mais velhos.
  • Família.
  • Ternura.
🌠Ler para:

- Dar valor ao tempo passado em família.

- Olhar os mais velhos como fonte de histórias super interessantes.

- Ter consciência de que há preconceitos que limitam de ter preconceitos.

- Crianças dos 8 aos 12 ou 13 anos (e para todos os outros também).

-Dar umas boas gargalhadas com todas as aventuras da história.


Título: A avozinha Gângster 

256 páginas.

Autor: David Walliams

Editora: Porto Editora

(1ª imagem): Imagem de fundo da Torre de Londres, atrás da capa do livro: 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

O Homem Mais Rico da Babilónia de George S. Clason

 Aqui está um livrinho para ler e reler! 

O autor deste livro, nascido em 1874, divulgava, através de panfletos distribuídos a bancos e outras entidades financeiras (isto por volta de 1926), os ensinamentos fundamentais par se alcançar o sucesso financeiro e fazia-o através de parábolas históricas (bíblicas). Talvez seja o mais antigo relato de como obter o sucesso financeiro, é um clássico desta área da educação financeira, recorrendo a ensinamentos antigos e aplicado à história das antigas civilizações da zona perto do rio Eufrates, com terras férteis e situada, sensivelmente, no que é hoje o Iraque.  uma zona conhecida pela sua prosperidade, muito devido à perícia e sabedoria humana, pois aquelas cidades estavam situadas no meio do deserto, árido e com poucos recursos naturais.

A Babilónia era conhecida como sendo uma cidade muito prospera, onde imperava a abundância. Considerada como o berço da civilização humana, desenvolveram-se áreas do saber como o direito; ciências; astronomia e arquitetura. Fizeram-se grandes obras de engenharia como a construção de grandes canais para conduzir as águas dos rios Tigre e Eufrates, para os terrenos circundantes e lá cultivar alimentos para o povo daquela região.

 Este livro, de poucas páginas (125) resulta de uma compilação de várias destas histórias bíblicas que pretendiam, partilhar de forma extremamente pedagógica, as "chaves" que acedem à riqueza e à sua manutenção.

Assim, o autor vai passando o que considera "verdades", estas verdades estão muitas vezes no final das páginas de um determinado capítulo e colocadas dentro de caixas que chamam a atenção do leitor pelo seu destaque.

Diria que é um must be read do leitor que gosta de educação financeira. Qualquer um que se esteja a iniciar nestas áreas deve ler este livro, sem dúvida. Nada difícil, ultra pedagógico, contem em si a bases/pilares de tudo o que um conhecedor dos princípios de educação financeira vai adquirir ao longo da sua vida como conhecedor destas matérias.

São histórias, várias, dentro do livro, que recorrem a hábitos, tradições, vivências naquele tempo, naquela civilização tão antiga e já tão sapiente (é uma mais-valia deste livro pois também ficamos a conhecer o funcionamento daquela antiga civilização). Embora muitas coisas também fossem horrendas (o esquema dos escravos que eram vendidos e comprados como se tratassem de mercadorias).

Deixo aqui alguns destaques (no meu caso enchi o livro de post-it, do princípio ao fim! ):

Imagem de fundo retirada do pixabay

"- Será que não poderíamos descobrir como os outros conseguem obter ouro e fazer como eles fazem? - perguntou Kobbi.

- Talvez haja um segredo que possamos aprender, se o procurarmos junto daqueles que o conhecem - replicou Bansir, pensativo."

" Assim, o sétimo e último remédio para as carteiras vazias é cultivar as próprias aptidões, estudar e tornar-se mais sábio, tornar-se mais hábil, actuando de modo a respeitar-se a si próprio. Só assim se pode adquirir autoconfiança suficiente para realizar desejos cuidadosamente ponderados."


palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:
  • Visão;
  • Determinação;
  • Resiliência;
  • Persistência;
  • Riqueza;
  • Prosperidade;
  • Vontade;
  • Capacidade;
  • Abundância.
🌠Ler para:

- Verificar que a riqueza está ao alcance de todos;

- Saber como começar a estruturar um esquema de poupança;

- Perceber que a determinação e resiliência conseguem dar cabo de qualquer dívida (haja vontade e coragem para o fazer...sem fugir da rota);

- Aprender mais sobre a antiga civilização que deu origem a conhecimentos e sabedoria que ainda hoje se aplicam;

- Ficar mais sapiente em conteúdos de literacia financeira.


Título: O Homem Mais Rico da Babilónia

128 páginas.

George S. Clason

Editora: Editorial Presença

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

A Grande Solidão de Kristin Hannah

 

Este foi o meu primeiro livro terminado em 2023 (yehhh). Tenho a impressão que também vai ser o melhor do ano e se tal não acontecer, de certo que estará entre os melhores do ano.

Esta autora escreve de uma forma tão intensa que estamos, de um momento para o outro, dentro da história e, depois, torna-se muito difícil largar. Página após página queremos "devorar" mais um bocadinho da história. Tudo o que existe de vida real fica "apagado" quando estamos a ler este livro. Penso que este feito, poucos autores conseguem fazê-lo. Nada de resto existe aqui, a não ser as personagens e as paisagens que, neste caso, são avassaladoras e transmitem-nos as mais diversas sensações.
Leni ou Lenora, é uma rapariga de 13 anos quando a família se muda para o Alasca, a Terra mais distante e fria do planeta. Distante de tudo o que é grande metrópole, distante de luzes, de trânsito, de pessoas, de prédios, enfim, podia-se até dizer, distante da civilização tal como a que conhecemos no mundo citadino onde, a maior parte dos que lá habitam, procuram algum conforto e "qualidade de vida".
No Alasca há pouco de conforto e nesta época (anos 70) nem eletricidade ou TV existia! 

A história inicia-se em 1974, dá um salto para 1978, segue até 1986 e, por fim, há uma carta escrita pela Leni, já em 2009. Contudo, a maior parte da ação decorre entre 1974 e 1986. 

Imagem composta. Imagem de base de Noel Bauza por Pixabay







A família de Leni — ela e os pais, herda uma terra algures ou "nenhures" no Alasca, Fairbanks. O pai de Leni, como não consegue adaptar-se nem assentar em parte alguma dos EUA, decide aceitar e sente que é a grande oportunidade da família. Esta decisão vem também da sequência de uma vida extremamente instável, tanto no aspeto emocional como no económico. De facto, Ernt, o pai da família, é um ex-militar, traumatizado da guerra do Vietnam, tendo por isso, explosões de humor, raramente ou nunca controladas e que fazem temer mãe e filha (temer e com muita razão, porque neste livro há bastante violência doméstica à mistura).

Chegados ao Alasca, a luta pela sobrevivência no inverno é enorme, mas os vizinhos da família recém chegada, são atentos e vão ajudando no que podem. Os três fazem o que podem para sobreviver aos meses de inverno intenso onde pouca luz há. 

A imagem que o livro passa, é uma pequena cabana, muita neve e frio, uma salamandra sempre com lenha a arder e muito salmão enlatado e fumado para alimentar a família. A família também recorre à caça, abundante pelo menos no verão. Embora seja duro viver neste local, quem para lá vai sente que finalmente chegou a casa. Diz-se que quem para lá vai, ou foge de alguma coisa e não quer ser jamais encontrado ou vai à procura de alguma coisa que ainda não encontrou em parte alguma. E o Alasca oferece, mas também tira brutalmente, e aqui pode-se entender: até a própria vida! 

Leni no seu percurso duro, passa por muito, mas reconhece que o Alasca é a sua zona de conforto, o seu local de eleição e, isso, de alguma forma apazigua-a. Conhece Matthew ainda nos bancos de escola e entre eles surge um enorme amor. A história podia ter tudo para ser fácil e maravilhosa, mas a vida dá uma volta gigante e Leni, terá de lutar e chorar bastante para concretizar os seus sonhos.

Esta é uma história de amor (em todas as suas formas); de encontros e reencontros; de paisagens magníficas; de vida selvagem deslumbrante; de esforço; de medo; de dor, tudo embrulhado numa escrita que flui como se escorregasse por nós adentro !

palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:
  • Frio;
  • Neve e gelo;
  • Estações do ano;
  • Montanhas;
  • Dor;
  • Amor;
  • Resiliência.

🌠Ler para:

- sentir o que é viver numa terra gelada e muito distante de tudo;

- aprender a sobreviver na natureza selvagem;

- sentir medo e alegria como se estivesse nos pés das personagens;

- perceber que em meios difíceis e quando a natureza é rude e agressiva, as pessoas unem-se como se fossem da própria família;

-viajar até ao Alasca, sem sair de casa e no entanto sentir como se estivesse lá! 


Título: A Grande Solidão.

456 páginas.

Kristin Hannah

Editora: Bertrand Editora

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

As pequenas memórias

 Este pequeno livro é pequeno apenas no número de páginas que tem. É riquíssimo quanto a vivências que mostram um pouco da vida deste autor Nobel da literatura (único português).

Saramago vai retratando aqui um pouco da sua vida, primeiro na Azinhaga do Ribatejo e depois em Lisboa, onde passa uns anos da sua vida e entra para a escola técnica e frequenta aulas para se formar em serralheiro mecânico. A parte das Canárias ainda não consta aqui, mas tudo o que escreve é como se estivéssemos a percorrer com ele, de mão dada, e ele a mostrar-nos como era ser aluno sentado das carteiras da escola, como era viver com a avó na aldeia, como era quando alguém errava nas palavras que escrevia nos textos da escola, como era sair de madrugada com o seu tio para vender o porco mais gordo na feira, como era o rio da sua terra — o Almonda e tantas, tantas outras magníficas vivências que só tem quem vive nestes locais onde a natureza se confundo com o Homem. 

Azinhaga do Ribatejo é perto de uma belíssima área protegida —Paúl de Boquilobo, com uma vida selvagem enorme. Saramago estava rodeado de natureza, sem telemóveis nem computadores, como é natural que fosse, naquela época. As crianças e jovens entretinham-se brincando umas com as outras, aprendendo com os adultos ou explorando a natureza que os rodeava. Deixo aqui um pequeno pedaço dessas vivências:

"Então digo à minha avó: Avó, vou dar por aí uma volta. Ela diz: vai, vai, mas não me recomenda que tenha cuidado, nesse tempo os adultos tinham mais confiança nos pequenos que educavam. Meto um bocado de pão de milho e um punhado de azeitonas e figos secos no alforge, pego num pau para o caso de me ter que defender de um mau encontro canino, e saio para o campo. Não tenho muito por onde escolher: ou o rio, e a quase inexplicável vegetação que lhe cobre e protege as margens ou os olivais e os duros restolhos do trigo já ceifado, ou a densa mata de tramagueiras, faias, freixos e choupos que ladeia o Tejo para jusante...".

E sabem do que me lembrei? Do menino da "Maior Flor do Mundo", livro infantil de Saramago, em que um menino se aventura pelos campos e atravessa a sua aldeia para dar de beber a uma flor que está definhada. Aqueles percursos de Saramago, fizeram-me lembrar os percursos deste menino! 

Este livro é agri-doce e intenso. Com uma linguagem fluida, mas sem deixar de ser prospera. Somos convidados a explorar termos que se usavam naquela época, enriquecemos também nós o vocabulário, olhamos através dos olhos de Saramago enquanto criança. Conhecemos costumes, alimentos, tradições daquela zona do Ribatejo.


palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:
  • Ternura;
  • Nostalgia;
  • Vivências;
  • Aldeia;
  • Natureza;
  • Criança;
  • Humor e inteligência.

🌠Ler para:

- viajar com Saramago através da sua Azinhaga do Ribatejo;

- conhecer mais sobre as vivências da criança e jovem Saramago;

- adentrar pela linguagem rica em vocabulário;

- recordar palavras que se usavam em determinados locais e determinadas épocas;

-conhecer os "bastidores" do grande (e simples) Nobel da literatura portuguesa.


A minha edição é da antiga "Caminho", as páginas já se encontram soltas, mas este é dos poucos livros que apetece ler outra vez (revisitar muitas vezes).

Título: As pequenas memórias

136 páginas.

Autor: José Saramago

Editora: Porto Editora

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Será o lixo o meu lugar? De Sarah Roberts e Hannah Peck

 Esta é uma aventura de um saco de plástico que vai parar ao mar.

Com excelentes ilustrações que acompanham a viagem do Tomé (o tal saco que vai parar ao mar), esta história é muito didática e ao mesmo tempo divertida (embora com aspetos muito tristes...). 

É claro que o saco Tomé é confundido com uma alforreca, alimento para muitas espécies marinhas, o pior é que saco, entala qualquer um destes animais, estrangula-os ou sufoca-os, o que não é nada conveniente (nem para o Tomé...). Há uma tartaruga que decide que o saco é comida e depois fica aflita, a coitada! 

Resumindo e concluindo: o Tomé nem queria prejudicar ninguém, seria muito mais interessante se fosse transformado em novos objetos, ganhasse nova vida, mas o que é certo é que indo parar ao mar dá cabo de muitos seres vivos marinhos.

Esta história é assim um alerta para os mais novos que chama a atenção dos perigos do plástico no oceano, sendo que é muito fácil, por falta de cuidado das pessoas, os plásticos irem parar ao mar. 

Diria que é uma história para faixas etárias entre os 4 e os 8/9 anos por ser muito simples, as frases muito diretas, sem palavras difíceis e com ilustrações lindíssimas colocadas de modo a acompanhar as frases, portanto muito bem encaixadas. As próprias frases parece que flutuam com o Tomé, acompanhando-o em todo o seu infeliz percurso.

Gostei imenso, até porque penso que não há muitos livros que foquem estas temáticas para os mais novinhos. Seja como for, sou das que consideram que um livro abrange uma determinada faixa etária, mas pode abranger muitas outras!! Portanto, ele também é útil, para professores, educadores e adultos que adorem histórias bem construídas e ilustradas (esta história sendo muito simples acaba por dizer muito).


palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:

  • Conservação do ambiente;
  • Proteção da vida marinha;
  • Plásticos nos oceanos;
  • Consumo excessivo;
  • Educação ambiental;
  • Ecopontos.

🌠Ler quando:

- queres saber o percurso que poderá ter um saco quando não é colocado no local correto.

- és professor e queres ensinar, de forma divertida, a importância de colocar plásticos no ecoponto amarelo;

- és educador (pai; mãe; avó; etc e queres ler uma história que ensina e ao mesmo tempo diverte, os teus mais pequenos da família);

- te preocupas com a proteção ambiental;

- queres saber que tipo de animais ficam prejudicados com a presença de plástico nos oceanos.


Título: Será o mar o meu lugar?

32 páginas.

Autor: Sarah Roberts e Hannah Peck

Editora: BookSmile

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Almoço de Domingo de José Luis Peixoto

Com uma escrita sublime, José Luis Peixoto conduz-nos através da vida do grande empresário da Delta cafés, o senhor Rui Nabeiro. Este livro nem sempre é de fácil leitura, pois muitas vezes parece que estamos em fluxo de consciência. O autor alterna entre a primeira pessoa, como se estivesse nos pés do personagem principal — Nabeiro, outras vezes, a história é contada na terceira pessoa.

Há frases que ficam marcadas — coloquei post-its em várias páginas do livro, pois são únicas, são tão magníficas e, ao mesmo tempo, tão simples que foram as partes que mais gostei de ler. Passo a transcrever duas destas frases, sem, penso eu, correr o risco de dar denunciar a história:

"Se deixámos de ser quem éramos, quem passámos a ser? Ou será que não deixámos de ser quem éramos e passamos a saber melhor quem sempre fomos? "

"O silêncio é quebrado por uma explosão, estilhaça-se o silêncio em mil pedaços." 

A todo o momento somos recordados que o Sr. Rui não é e nunca foi doutor e que não quer ser tratado como tal. As suas origens são muito humildes e temos a prova disso mesmo ao longo de toda a história, onde lemos várias partes da infância e da adolescência deste empresário de Campo Maior.

Rui Nabeiro fez também muito pela sua terra - Alentejo, Campo Maior e pelas suas gentes, pelo que é reconhecido não só em Campo Maior, como também em Espanha, onde desde cedo foi para negociar o seu café. 

Através desta história cheia de idas e vindas do passado para o presente e deste para o passado, vamos percorrendo a vida de Nabeiro, vamos conhecendo um pouco da vida dos seus pais que a tanto custo foram criando os filhos, dos seus irmãos e do tio mais próximo, que talvez o tenha influenciado mais.  Compreendemos como nasceu a ideia da fábrica da Delta e que Nabeiro trata com reverência e reconhecimento todos os seus trabalhadores e que estes lhe reconhecem mérito e lhe são dedicados, tendo por ele um enorme respeito e consideração. Este respeito que Nabeiro tem por toda a gente e que é sem dúvida retribuído, é muito visível nesta passagem:

" O meu tio Joaquim ensinou-me a ir onde for preciso, e falar com as pessoa. Vale a pena falar até com aqueles que não nos dão uma oportunidade, que nos sujeitam à pior injustiça. Custa, mas vale a pena. O mais certo será que a gente goste dessas pessoas e que, afinal, essas pessoas acabem por gostar da gente."

Claro está que fiquei cheia de vontade de ler mais livros deste autor e que "Galveias" é daqueles que mais tenho curiosidade em ler.


palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:
  • Respeito e consideração
  • Perseverança e não desistência;
  • Não desistência de sonhos;
  • Ideias e criatividade;
  • Luta;
  • União;
  • Família.

🌠Ler para:

- saber mais acerca de personalidades importantes portuguesas;

- matar a curiosidade acerca das vivências nos anos 20 a 30 em Portugal;

-  reviver ou saber como foi vivido o 25 de abril por pessoas do povo (trabalhadores de fábricas);

- ficar a conhecer o dono da Delta cafés e a sua relação com a sua valiosa família.



Título: Almoço de Domingo 

267 páginas.

Autor: José Luis Peixoto 

Editora: Quetzal





quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Afirma Pereira de Antonio Tabucchi

 Este é um pequeno livro com muito recheio! 

Pereira é um jornalista que exerce a sua atividade nos anos em que também Salazar governava.

Aqui "afirma" é de dizer com certeza, não duvidava que era assim...e é muito engraçado como, ao longo de toda a história, o autor escreve na terceira pessoa, aplicando imensas vezes o verbo afirmar. Por exemplo:"Afirma que não o copiou todo, copiou só algumas linhas..."; " Pereira arrependeu-se, afirma...". Esta particularidade, dá um tom de graça ao texto, aliás, há aqui e além umas notas de humor que divertem o leitor. 

Não direi muito, além do que está escrito nas badanas do livro, porque sendo um livro pequeno, se escrever muito sobre ele, acabo por denunciar a história toda e não quero fazê-lo! Mas, devo dizer que este jornalista da época da ditadura, anda no limiar de consciência, percebe-se que não quer ir contra o que está estipulado, o que é a política vigente. Deve obediência ao seu Diretor, mas ao mesmo tempo, tem uma enorme vontade de afirmar a sua voz !! E é esta "guerra" de consciência que diverte o leitor. E embora seja divertida a história é também dura, porque não se inibe de ir dizendo umas verdades e, a dada altura, torna-se mesmo cruel.

Pereira adora beber a sua limonada (com carradas de açúcar) e come a sua habitual omeleta, com salsa, no café Orquídea. É assim que ganha uma barriga jeitosa e se sente anafado. Fala com a sua esposa, só que esta é apenas um retrato em cima de um móvel de sua casa. Trabalha na seção cultural do "Lisboa" e, atreve-se a traduzir autores franceses, mais liberais, que vão contra os ideais conservadores do regime português nesta época. Atreve-se a ir contra a vontade do seu Diretor, que lhe pede mais autores portugueses. O seu chefe, pede-lhe que seja mais patriota, o que significa, para Pereira, muito "mais do mesmo"...ora Pereira acha isto aborrecido de morte. Por falar em morte, este tema atrai Pereira, e anda de volta dele até encontrar um jovem que contrata, como estagiário, para escrever necrológios (elogios fúnebres) de autores que ainda não morreram, mas que nunca se sabe se vão morrer de um dia para o outro e assim, o jornalista encontra-se precavido! 

Mas, as coisas não lhe correm como deseja e a história agudiza-se, o que seria de prever num regime com censura e opressor, como era o da época...

Vale muito a pena ler este livrinho e diria que já é um clássico.

Encontra-se também em formato de Graphic Novel e esta deve ser mesmo muito boa e que com toda a certeza, se devora de um trago :-).


A minha edição é ainda da coleção Mil Folhas do Público.


palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:

  • Censura;
  • Ditadura;
  • Liberdade de expressão;
  • Divertimento;
  • Livros e autores;
  • Artigos de opinião;
  • Cultura;
  • Dar voz à Voz.

🌠Ler:

- quando queremos perceber como funcionava a censura;

- livros curtos e com uma escrita relativamente simples;

- queremos aprender mais sobre autores franceses (clássicos);

- quando acreditamos na liberdade de expressão;

- quando queremos alguma coisa com uma pitada de humor (quase negro). 


Título: Afirma Pereira

216 páginas.

Autor: Antonio Tabucchi

Editora: Dom Quixote 


Fica também o livro em formato de Graphic Novel, para quem quer ler neste formato mais atrativo! 

Esta obra foi também adaptada ao cinema italiano: Afirma Pereira filme.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

O Planeta Branco de Miguel Sousa Tavares

Uma tripulação de astronautas partiu da Terra, mais precisamente de África, em direção a um local, fora do sistema solar, que pudesse ter água. Era urgente descobrir água para levá-la para a Terra. Este nosso querido planeta, nesta história, está pelas ruas da amargura, triste e com uma grande falta de água, muitos incêndios, secas e destruição da camada de ozono: 

 "Também sobre as cidades, um halo cor-de-rosa, às vezes avermelhado, mostrava que poluição atmosférica, que tornava o ar envenenado e fazia aquecer todo o planeta, porque destruía a camada de ozono que protege a Terra. De ano para ano, os cientistas vinham notando que o buraco da camada de ozono, provocado pela poluição e pelos incêndios, tornava a Terra mais quente e mais indefesa."

 Ítaca - 3000 é a nave que os leva para fora do sistema solar, mas o problema é que Ítaca se desvia da rota original e vai parar a um planeta branco, fora do sistema solar e muito distante, dir-se-ia tão distante, que poderia tratar-se de uma outra realidade, uma realidade paralela! Na Terra já ninguém tinha esperança de contactar novamente com a tripulação de Ítaca, consideravam que a nave se tinha evaporado no espaço, sem deixar rasto...quando de repente, surge novamente contacto com a base em África. 
Os astronautas regressaram a Terra, com indicação de uma possível rota correta para um outro planeta onde haveria a esperança de obter água, esse líquido precioso que agora tanta falta fazia no nosso planeta. 
O estranho, no meio disto tudo, era que os astronautas daquela tripulação, pouco se lembravam do que tinha acontecido! 

 É um livro pequeno, que se lê muito bem, dirigido a uma faixa etária dos 8-12 anos e que aborda alguns temas pertinentes como a degradação do planeta e a urgência de o proteger, assim como a possibilidade de esgotamento de recursos tão essenciais como o oxigénio no ar atmosférico e a água.

Gostei bastante de o ler, uma vez que por vezes, não é fácil encontrar livros infantojuvenis que abordem as problemáticas ambientais para estas idades.
Embora as ilustrações não sejam fantásticas, acompanham muito bem o texto da história.

palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:
  • Universo;
  • Viagens espaciais;
  • Naves;
  • Seca;
  • Proteção ambiental;
  • Viagens no tempo;
  • Esperança e fé.

🌠Ler quando:

- se gostas de livros de ficção científica;

- se tem entre 8 a 100 anos :-), mas também pode ser dos 8 aos 12 anos;

- se te preocupas com o ambiente;

- se tens esperança na proteção e conservação do ambiente;

- se acreditas que há vida noutros sistemas solares.


Título: O Planeta Branco

87 páginas.

Autor: Miguel Sousa Tavares com ilustrações de Rui Sousa

Editora: Oficina do Livro






sábado, 17 de dezembro de 2022

O Terceiro Anjo de Alice Hoffman

 Este não é o primeiro livro que leio de Hoffman, e de ambos gostei!Os enredos de Alice Hoffman são sempre originais, não caem em lugares comuns, de maneira nenhuma! 

As histórias são meio estranhas, mas por isso mesmo é que vão cativando.

O Terceiro Anjo é a história contada em três épocas diferentes, três anos distintos:

Começa em 1999, depois passa-se em 1966 e por fim em 1952.

As histórias independentes umas das outras têm elos que as unem e não compreendemos completamente as três histórias até chegarmos ao final do livro que no fundo encerra e liga tudo, como se de um grande laço se tratasse. É uma espécie de cebola ou matrioska, se quiserem, com várias camadas.

Cada uma das histórias é contada por uma mulher, que está a viver a sua vida no ano respetivo em que conta a história, Madeline; Frieda e Lucy, todas se apaixonam por homens que lhes transformam e tocam nas vidas, de alguma maneira, e nem sempre da melhor forma...

É pequeno este livro (220 páginas), mas estão aqui escritas algumas passagens muito interessantes, como esta, por exemplo:

"Tanto quanto sei os fantasmas são a essência de uma pessoa filtrada até aos aspetos mais básicos. Um círculo de iluminação vibrante. Supostamente, é disso que todos somos feitos". Sim, porque a história também inclui um fantasma (ou talvez não...muito interessante quando se descobre de que se trata afinal).

E, melhor ainda para quem gosta de ler e de escrever, uma das personagens é apaixonada por livros e por escrever histórias! 

Esta autora escreve de uma forma muito clara, embora não ofereça tudo ao leitor, de uma só vez, é saborosa a leitura das linhas que escreve. Há também uma certa magia nas suas palavras e isso agrada-me bastante.


palavras do livro que despertaram, em mim, outras palavras:

  • Ligações;
  • Diversas partes que fazem parte de um Todo;
  • Histórias que se tocam de alguma forma;
  • Magia;
  • Espiritualidades;
  • Amantes de livros e de leituras;
  • Esperança e fé.

🌠Ler quando:

- se gosta de algum realismo mágico.

- se acredita em anjos.

- se pensa que os espíritos são apenas fantasmas.

- se gosta de livros, escrita e leituras.

- se gosta de histórias que se passam em Hotéis.


Título: O Terceiro Anjo 

220 páginas.

Autor: Alice Hoffman

Editora: ASA

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Um Estranho na Cidade de Kristin Hannah

Este foi o meu primeiro livro lido desta famosissíma autora. "A Grande Solidão " e o "O Rouxinol", são dois grandes títulos de Kristinn Hannah, com críticas muito positivas, no entanto, escolhi este como primeira leitura. O objetivo era ler a partir dos que são menos bons ou não tão falados para os outros que são comentados como sendo maravilhosos!

Esta é a história de três irmãs que ficam sem mãe muito cedo. O pai sempre mostrou ser duro e quase sem sentimentos, ou antes, nunca os conseguia expressar. As meninas crescem muito unidas umas às outras e cada uma, como é natural, com uma personalidade marcada e diferente das restantes duas.

Kristin Hannah caracteriza muito bem as personagens de modo a que sejam quase palpáveis, muito reais. Vivi Ann, a irmã mais nova é talvez a mais central desta história pois o busílis da questão vai desenrolar-se à volta desta personagem. Encantadora e capaz de atrair qualquer homem, é uma mulher sonhadora, com os pés mal assentes na Terra. Domadora de cavalos e com um dom natural para tal, centra a sua vida nos rodeos, corridas, de cavalos e eventos que prepara e organiza na grande propriedade da família (Grey), um terreno enorme.

Winona a irmã mais velha, é advogada e com uma baixa auto estima relativa à sua imagem. Tens uns quilos a mais, e pensa que isso condiciona todos os seus relacionamentos. É muito inteligente e super perspicaz, conseguindo ganhar muitos dos casos mais complicados do distrito.

Aurora, a irmã do meio, tem um casamento que se arrasta há anos, filhos e a autora descreve-a com aquele aspeto de doméstica a tempo inteiro, que vive para organizar a casa, fazer refeições, tomar conta dos filhos e ...nada a dizer se não ambicionasse mais do que isto. A imagem que passa ao leitor é um constante aperto com a vida que tem, como se gritasse. "quero expandir-me", o tempo todo. É das três, a que se sente obrigada a unir e conciliar, a geradora da paz na família, como uma boa mãe de todos e para todos, com os seus próprios problemas, mas habituada a olhar e cuidar dos outros e não de si...

E tudo estava bem e organizado, na paz do Senhor (como se costuma dizer...), Vivi Ann noiva de Luke, um rapazinho bem apessoado e com formação em veterinária. Eis senão quando, surge Dallas, conhecedor profundo de cavalos, que se apresentou para trabalhar no rancho da família Grey e que foi de imediato contratado pela Winona. Dallas tem um espírito rebelde, quase selvagem, faz o que lhe apetece e quando lhe apetece. Descendente de índios (nativo-americanos), tem marcas profundas de uma infância que teve tudo menos de feliz...é alvo fácil para preconceitos dos populares, se há alguém que se possa culpar, ele tem perfil para isso...

E é isto que é possível dizer sem entrar em spoiler  :-).
Devo dizer que esta leitura foi um pouco arrastada para mim, que só se torna verdadeiramente interessante lá para o meio do livro, no entanto, bom na mesma! 

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • união;
  • família;
  • amor;
  • fé;
  • sonhos;
  • determinação;
  • esperança;
  • liberdade;
  • persistência.
🌠Ler quando:

- se gosta de livros com julgamentos e tribunal;

- se acredita que a justiça pode tardar, mas acontece...

- se precisa de ler qualquer coisa onde a família se destaca pela sua união e ao mesmo tempo, pelos seus permanentes conflitos porque todos são diferentes...

- se gosta de dramas que acontecem entre irmãs;

- se gosta de livros que envolvem cavalos, ranchos, rodeos na costa oeste dos EUA. 


Título: Um Estranho na Cidade

414 páginas.

Autor: Kristin Hannah

Editora: Bertrand 



domingo, 31 de julho de 2022

Cinco Dias em Paris de Danielle Steel

Gostei bastante desta história. Embora seja daquelas que se podem ler entre leituras mais pesadas, sem relevância excepcional , é agradável e vai sendo veloz a sua leitura.

Foi a primeira vez que li alguma coisa desta autora tão famosa. Percebi que sabe contar histórias muito bem. A leitura é fácil e simples e o enredo até podia ser uma história real, embora muito romanceada, mas que sabe muito bem ler!

Peter é um homem honesto e com valores que coloca acima de tudo, no entanto, pelo seu sogro e casamento, vai fazendo várias concessões até que surge o dia em que a sua integridade e valores são postos em causa. 

No meio multimilionário das farmacêuticas em que a pressão é enorme vê-se entre a espada e a parede...optará pela sua integridade e honestidade ou passará a linha do vermelho, vergando-se às vontades autoritárias do sogro e da mulher ?

Num encontro em Paris realizado no âmbito de trabalho, para o seu patrão (o próprio sogro), conhece uma mulher que o fascina e que reencontra (após alguns outros encontros casuais pelo Hotel) um dia à noite nadando na piscina. Esta mulher, de nome Olivia Thatcher, estava a passar uma temporada em Paris para desanuviar dos seus "fantasmas" pessoais. Com vários problemas surgidos no seu casamento, não se podia dizer que era uma esposa feliz, com a vida dos seus sonhos. De facto, sentia-se posta de lado pelo próprio marido, um ser político da ribalta ao qual só interessavam as câmaras e o aspeto que transparecia para o público em geral. É certo que desta forma, "solidão" era o nome do meio de Olivia Thatcher.

Cliché ou não, os dois acabam por se encontrar e ter grandes conversas, como se fossem grandes amigos e conhecidos há séculos. Na companhia um do outro, começam a sentir-se menos sós...e quiça, mais apaixonados.

Estas duas personagens têm de facto algumas coisas em comum, a primeira de todas - a solidão, o não ter ninguém que realmente os oiça e os veja - acaba por ser o motor que os atrai intensamente um para o outro. A segunda coisa em comum - o casamento de fachada, no qual permanecem por puro comodismo e desconhecimento que há possibilidades bem melhores do que se acomodarem.

O cenário - Paris - tem tudo para resultar certo neste livro (como poucas páginas :-).

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Amor;
  • ternura;
  • paixão;
  • amizade;
  • desprezo;
  • manipulação;
  • aparências;
  • ilusões;
  • esperança.

🌠Ler quando:
nos apetece uma leitura leve e descontraída (q.b);
- precisamos de dar animo e alento à nossa vida;
- não nos conformamos com menos do que a felicidade;
- sentimos que precisamos de bater o pé e afirmar a nossa verdade;
- acreditamos que há amores apaixonantes e intensos.


Título: Cinco Dias em Paris 

205 páginas.

Autor: Danielle Stelle 

Editora: Bertrand

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Desafio Summerbook Bingo (2022)

 Bem, eu que nunca entro em desafios literários (ou muito raramente), desta vez apeteceu-me ...

Então resolvi aceitar o desafio feito pela Dora Santos Marques, do Books and Movies que sigo já há algum tempo e de que gosto bastante! 

Já li algumas das categorias (poucas!!) e até agora foram todos ótimos livros lidos! Valeram bem a pena e o bom destes desafios é que vamos tirar livros ao "baú" ou seja, olhamos para aqueles que permaneciam eternamente nas estantes e que nunca lhe pegávamos, sendo que provavelmente este seja um dos objetivos, certo?! 

E quantos é que eu já li? Ora, a minha lentidão habitual permitiu-me ler apenas 4 livrinhos de que gostei (uns mais do que outros):

- A trilogia de Nova York de Paul Auster - (categoria 1: Onde gostarias de passar férias - NY :-). Embora eu saiba que há muita miséria, solidão e tristeza por aquelas bandas...mas está nos meus planos conhecer Manhattan! Livro de 3 contos que mereceu 3 estrelas...houve momentos em que gostei imenso, outros chatos como tudo...

- Na categoria "livro que vais levar contigo" (no caso de irmos passar férias a um local qualquer que não a residência, li Verity de Colleen Hoover. Gostei mas não o suficiente para lhe dar 5 estrelas. Ficou-se pelas 4 estrelinhas e não foram muito gordinhas...

- As pequenas memórias de José Saramago entrou para a categoria "livro enguiçado", já o tinha nas minhas estantes há bastante tempo (este e outros de Saramago) e não lhe pegava. Parvoíce minha porque foi delicioso, gostei de coração cheio! Dei-lhe 5 estrelas cheias.

- Terminei há bem pouco tempo o livro que escolhi para "Livro que a Dora adorou" (4) e com este preenchi uma linha yesss :-). Trata-se dos Sete Maridos de Evelyn Hugo. Super rápido de se ler, autenticamente de entreter, mas sem contudo passar algumas mensagens bem pertinentes. 4 estrelas gordinhas :-).

- Estou em progressão no "autor com quem lancharias" Longa Pétala de Mar de Isabel Allende sem dúvida, por ser uma das autoras que aprecio mais! Os livros dela são daqueles que me fazem mesmo vibrar, extraordinária escrita e de fazer saltar emoções como só os escritores latinos conseguem (bem se calhar estou a exagerar).

O balanço é tão positivo!! Penso que não conseguiria ler tanto em pouco tempo se não fosse este desafio! 

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Uma questão de conveniência de Sayaka Murata

Uma questão de conveniência é um livro diferente, mas muito interessante, uma vez que de forma quase subtil, vai abordando algumas questões pertinentes da sociedade japonesa, sobretudo no que toca às mulheres.

Keiko é uma moça nova, ainda estudante universitária quando se perde, num dos seus percursos e encontra o "aquário" vazio que viria a ser uma loja de conveniência, num bairro elegante, cheio de edifícios altos e perto de uma estação de metro. Candidata-se a um emprego em part-time, porque lhe atrai a ideia de um dinheirinho extra. Telefona para o anúncio de pedido de pessoal que encontra afixado e de imediato é contratada.

A família de Keiko fica feliz porque esta rapariga sempre foi estranha nas suas atitudes e pensamentos, tinha uma forma de reagir aos acontecimentos de vida que não era habitual no resto das crianças da sua idade, e embora a família já estivesse habituada a este tipo de reações, havia sempre um certo embaraço e até vergonha.

Keiko torna-se adulta, vai viver para um apartamento super pequeno, mas tem a sua independência e a família sente-se feliz com estas. Keiko não segue o caminho da irmã que se casa e arranja trabalho permanente, tem filhos e segue a vida "normal". Esta trabalhadora, eternamente "temporária", nem namorado arranja (espante-se) e continua eternamente, funcionária de uma loja de conveniência (a mesma...). Sempre satisfeita na organização perfeita das prateleiras e no atendimento sorridente e atencioso dos clientes. 

Keiko sabe os códigos de barras dos produtos, os preços específicos e assimila as rotinas desta loja que passa a ser a razão da sua existência. Como vai percebendo que a sua reação às coisas não é a que a maioria das pessoas espera, vai repetindo comportamentos, respostas, modos de ser e até de se vestir e apresentar aos outros.

Um dia acontece o inesperado...Keiko arranja um namorado, mas este vai moldando a vida de Keiko e transformando-a em algo que ela não está habituada, não é o seu padrão e começa a sentir-se desconfortável. Terá esta mulher de 36 anos, a coragem de voltar para o que sente ser a "sua praia"?! Terá Keiko a determinação de confrontar o namorado e a vida de modo a assumir o que verdadeiramente a faz sentir-se bem? 

Gostei bastante desta perspetiva que nos dá esta autora japonesa e é dos pouco livros que leio deste país. É muito interessante ler acerca de outras posturas, outras culturas, outras formas de se estar e ser e realmente, poucas coisas para além dos livros nos conseguem dar!

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • inconformismo;
  • diferença;
  • respeito;
  • cultura;
  • afirmação;
  • conforto;
  • conveniência.
🌠Ler quando:

- queremos algo diferente e rápido de se ler;

- nos apetece ter um contacto com uma cultura diferente da ocidental;

- se não acreditamos que podemos ser felizes com pequenas coisas;

- se pensamos que a rotina e os padrões nos dão o conforto do dia-a-dia.


Título: Uma questão de conveniência

155 páginas.

Autor: Sayaka Murata

Editora: D.Quixote


Ahh, é um livro pequeno com uma letra grande e por isso mesmo lê-se muito rapidamente! 

domingo, 2 de janeiro de 2022

O Guardião dos Objetos Perdidos de Ruth Hogan

 Este livro é maravilhoso! É a sensação que se fica no fim de o ler. 

Certo que há alguma confusão no início pois há duas linhas de tempo (passado e presente) e várias histórias que se desenvolvem em paralelo, no entanto tudo se liga no final e se entrelaça com uma ternura infinita.

A história começa com Anthony Peardew, já idoso e quando morre, passa em testamento, a sua amada propriedade, jardins e casa (Pádua) para Laura, governanta e amiga, de Anthony. O que Laura desconhece é que Anthony tem uma enorme coleção de objetos que foi encontrando pela vida fora, guardando e etiquetando com a data e local onde foram encontrados.

Laura herda assim Pádua, a misteriosa e encantadora propriedade de Anthony, mas também fica com um pedido importante de Anthony: restituir os objetos perdidos que ele foi encontrando e que estão no seu atulhado escritório. Como se desenrascará ela? Dizia o velho senhor que se apenas um objeto restituído fizesse alguém sentir-se melhor, então já teria valido a pena! 

Ao longo do livro são encantadoras as pequenas histórias que estes objetos vão contando, como se fossem partes vivas da memória de alguém que os perdeu. E curioso que o este livro também tem escritores muito bons (como Anthony e Boomer) e muito maus, como Portia (irmã de Boomer). Portanto é um livro que envolve vidas de quem escreve e edita livros e das histórias que estes contam.

Também conseguimos perceber que o dinheiro não dita a um coração ternurento e que um coração ternurento pode não ter muito dinheiro, mas, neste caso, tem boas ideias, amor e criatividade.

Há também Eunice que ambiciona escrever um livro e nunca chega a fazê-lo para se dedicar à vida de Boomer, o seu grande amigo e chefe que também adora filmes, estabelecendo-se entre eles quase um código de linguagem cinéfila.

Há também que já tenha morrido, mas anda a assombrar Pádua de modo a que se encontre um objeto perdido muito importante na vida de Anthony e Therese e por causa desse mesmo objeto, a vida de Eunice "cruza" com a vida de Laura! Ou seja, é um verdadeiro emaranhado de ligações subtis que se vão revelando ao longo do livro e que se compreendem apenas nas últimas páginas do livro! 

Subtil, muito bem escrito, criativo e cheio de ternura é este livro.

Vale imenso a pena lê-lo! 

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 

  • Ternura;
  • Cuidado;
  • Atenção;
  • Respeito;
  • Tolerância;
  • Carinho;
  • Amor.
🌠Ler quando:

- nos apetece uma história quentinha e ternurenta;

- temos a intuição que está tudo ligado, mas não sabemos como;

- gostamos de colecionar coisas e objetos porque acreditamos que estão ligados a pequenas memórias;

- acreditamos que espaços, lugares e coisas têm de alguma forma uma "alma". 


Título: O Guardião dos Objetos Perdidos

262 páginas.

Autor: Ruth Hogan

Editorial Presença


sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Canibais de Michael Crichton

Este livro é muito diferente de todos os que Michael Crichton escreveu. Normalmente este autor escrevia histórias de ficção científica, ou mais especificamente, thrillers científicos, como foi o caso de Parque Jurássico ou a Esfera - este último lido e adorado por mim! 

Esta história tem uma parte ficcional mas também se baseia em relatos verídicos de uma viagem levada a cabo por Ahmad Ibn Fadlan, representante do poderoso califa de Bagdade. Este, quase "cronista", escreveu acerca de uma viagem às terras do Norte - Escandinávia (que inclui a Dinamarca, Suécia e a Noruega), na companhia dos Vikings.

Este livro inicia com Ibn Fadlan a ser "castigado" por se ter metido com uma jovem mulher, esposa de um velho rico e bem colocado na sociedade de Bagdade. Desta forma é enviado em missão em direção à terra dos turcos. A história desenvolve-se e, perto do rio Volga (Rússia), Ibn Fadlan tem um primeiro contacto com os Vikings que descreve como "homens do Norte":

" Vi com os meus próprios olhos como os homens do Norte tinham chegado com as suas mercadorias, e montado acampamento ao longo do Volga. Nunca vi um povo tão gigante: são altos como palmeiras, e de compleição corada e ruiva. Não usam camisola nem cafetãs, mas entre is homens usam um vestuário de tecido tosco, que é preso de um lado, para uma mão permanecer livre."

O que mais gostei neste livro foi a descrição dos povos e culturas que diferiam completamente do que estava habituado Ibn Fadlan, já que este era árabe com uma cultura completamente distinta do que foi encontrar em terras da Escandinávia. Espantava o facto destes homens terem diversas entidades que adoravam e não um Deus como Alá. Fica chocado com a falta de higiene que estes "bárbaros" têm e com a sexualidade desenfreada das mulheres do Norte.

Mais para a frente na história, Ibn Fadlan é levado, contra a sua vontade, como o elemento número 13 do grupo de Vikings (para dar sorte), que arrancam ao encontro de outros homens ainda mais bárbaros, temíveis e sanguinários, supostamente canibais. A partir desta altura, descrevem-se horrores e o livro torna-se meio sanguinário, mas não deixa de ser interessante pois é quase um relato do que este homem árabe, desencaixado da cultura nórdica e gélida, vai observando, embora ele próprio tenha um papel de guerreiro a certa altura, lutando ao lado do grupo de Vikings do qual é obrigado a fazer parte.

É curto este livro e é utilizada uma linguagem simples, embora os relatos sejam antigos.

Não foi um livro que gostasse de forma apaixonante, mas foi no mínimo interessante! 

Emoções / sentimentos despertadas com este livro: 


  • Espanto;
  • Interesse;
  • Curiosidade;
  • Horror;
  • Apreensão;
  • Medo;
  • Aventura.
🌠Ler quando:

- Se quer conhecer um pouco de culturas e povos diferentes dos nossos;

- lhe apetece algo distinto de romances ou formas "regulares" de escrita, ou seja, ler uma espécie de crónicas de um viajante (antigo);

- se é curioso a propósito dos povos do norte (Vikings) e da mitologia do norte.

Foi também feito um filme baseado nesta história: "The Eaters of the Dead".



Título: Canibais

227 páginas.

Autor: Michael Crichton

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Fantasia, Mágico, Surreal. De utilização gratuita.

A Fada do Lar de Sophie Kinsella

Abençoada hora quando decidi ler este livro em férias de verão...este é o livro ideal para levar nas férias! Tão divertido que nos embaraça,...