Este é, com quase toda a certeza, o livro mais antigo na minha estante! Já tem, nas minhas mãos, mais de três décadas...sim porque eu não sou assim tão jovem :-).
E se há livro mágico para mim, é este! Li-o vezes sem conta e a dada altura da minha vida, desapareceu...reencontrei-o novamente, no sótão de uma casa que tinha para vender (e há anos que ela estava para ser vendida). Encontrei-o, por um acaso, quando verificava se queria ficar com alguma "tralha" que lá estivesse. Portanto, não estava mesmo à espera de o reencontrar, pois já tinha perguntado por ele muitas vezes e já tinha ido à procura dele, nos locais onde seria suposto encontrá-lo. Como mudei de casa muitas vezes, foi mais ou menos natural considerá-lo perdido para sempre (para minha grande tristeza). Quando o encontrei de novo, pensei logo que se tratava de um bom presságio...de que a casa há imenso tempo para venda, iria vender-se! E vendeu-se!! Em plena pandemia :-).
Ora este ano, de novo nas minhas mãos, nas minhas estantes, voltei a relê-lo pouco antes do Natal.
Esta história já foi adaptada vezes sem conta. Existe em variadíssimas versões, desde banda desenhada, em forma de romance e em versões para cinema, série, bonecos animados, enfim. Parece que é um argumento muito bom e um verdadeiro clássico adaptável ao longo de várias gerações.
É a velha história do velho avarento, o Senhor Ebenezer Scrooge, que detesta o Natal e todas as coisas que se relacionam com o Natal (cânticos, refeições em família, tempo de paz e solidariedade entre os homens, enfim), a tudo isso ele responde com um "isso são balelas" o mesmo é dizer "fadinhos ao dinheiro" ou "tretas"...e exatamente na véspera do dia de Natal é visitado pelo fantasma do seu antigo sócio (já falecido) que lhe diz, por outras palavras, que tem de mudar, caso contrário, o seu fim é arrastar correntes e cadeados para toda a eternidade (tal como ele) devido à sua desumanidade.
E assim foi o começo da sua mudança. Scrooge é visitado nessa mesma noite, por 3 fantasmas, o primeiro é o do tempo passado, o segundo, o do presente e o último...o fantasma do seu futuro. Escusado é dizer que o futuro não é muito simpático! Com o passado ele revê como era a sua vida quando era um rapazinho de escola, no seu presente ele testemunha a união, amor e divertimento de familiares seus na véspera de Natal.
E Scrooge vai-se transformando...
Esta edição é super antiga, mas gosto imenso dos grafismos e de toda a forma como está escrita. Já li uma versão das edições da Coleção de Mil Folhas do Público, também gostei, mas pronto este é o meu livro do coração e voltarei a ele de certo!
Emoções / sentimentos despertadas com este livro:
Esperança;
Magia;
Transformação;
Avareza;
Bondade;
Amor.
🌠Ler quando:
- lhe apetece sentir a magia do Natal;
- quer conhecer um clássico de todos os tempos que já sofreu várias adaptações;
- quer descobrir até onde pode levar a avareza e a ganância;
- acredita que não é possível um homem avarento transformar-se num homem bondoso, caridoso e humano.
E lá estou eu a participar pela primeira vez num desafio literário (ou antes, numa maratona literária)!
Há coisa de 1 ano e meio descobri que havia pessoas tão "loucas" quanto eu por livros :-), desde aí que tenho seguido vários "BookTubers"; Bloguers e Instagramers, onde se discute e fala sobre livros, onde são dadas opiniões acerca do que se vai lendo, do que se poderá ler, de bons, maus e menos maus livros, para todos os gostos, idades e manias, enfim, um mundo verdadeiramente encantado e mágico...o mundo dos livros.
Descobri que existiam grupos de discussão, encontros para falar de livros e desafios literários! E tenho adorado esta viagem de descoberta.
O meu objetivo não é propriamente comprar mais livros (tenho já imensos cá por casa que ainda não li, como acho que acontece a todos os fanáticos por livros :-). Pretendi, isso sim, ir à descoberta de livros, nas estantes cá de casa, que pudessem encaixar em cada uma das categorias deste desafio. Só isto já me entusiasmou, pois descobri livros que não sabia ou já me tinha esquecido que tinha (sim, é verdade!). Aconteceu sobretudo com duas categorias - "título que comece com n" e "livro que tenha na capa elementos de Natal" - não estava a ser fácil encontrar livros nas minhas estantes com estas características, mas na verdade acabei por encontrar na coleção Mil Folhas do Público! Coleção essa que continua por ler quase toda, há anos e anos a fio (shame on me).
Com estas pessoas que gostam tanto ou mais de livros do que eu, tenho descoberto novas leituras e autores, tenho aprendido imenso! Tenho alargado até os géneros que lia e passei é claro (esta é a única desvantagem) a comprar mais livros, embora também goste muito de ir à biblioteca.
Esta maratona de leitura foi lançado pela Andreia do Croma dos Livros e pela Ana do The Phoenix Flight. Devo dizer que vejo assiduamente os vídeos delas e gosto imenso. Nem sempre os meus gostos vão de encontro ao que sugerem, mas alargam sem dúvida, as minhas opções literárias!.
As regras estão descritas aqui e o "timing" de leitura é de 22 de dezembro a 20 de março.
Na primeira categoria escolhi um livro do Matt Haig - "Como parar o tempo" que foi recomendado tanto pela Manganet como pelo José Santos
Na segunda categoria, livro que comece pela letra "n", depois de muito procurar lá encontrei "Nada do outro mundo" de Molina. Se sei do que se trata? Não, não faço a menor das ideias! Também é interessante partir para uma leitura assim...sem saber nada de nada (coincide com o título :-).
Na terceira categoria - livro que tenha na capa elementos de Natal, estava difícil mas mais uma vez os livros da coleção Mil Folhas do Público foram a minha salvação. Trata-se de uma antologia de Contos de Natal Portuguesas - Glória in Excelsis, compilados por Vasco Graça Moura e estou mesmo curiosa!
A quarta categoria: Conto de Natal, está no papo (ou talvez não...), estou com dúvidas pois é BD - cântico de Natal de Charles Dickens - como o "MAUS", que também estou a ler, é uma graphic novel, tenho a impressão que vou ter que encaixar um outro livro (não pode ser mais no que uma graphic novel e só agora reparei nisso)!
Na quinta categoria, vou ler "A grande Solidão" de Kristin Hannah, sobre o qual tenho ouvido as melhores críticas. Pelos vistos uma parte dele é em preparação para o inverno e depois consta que também se passa nesta estação e ainda por cima no Alasca, mais frio que isto não podia! Este foi comprado agora, muito recentemente, uma vez que existiu na Wook uma promoção que fez baixar o preço deste livro (muito). Os livros ainda são demasiado caros, para quem compra vários ao mesmo tempo e muitas vezes ao ano...aproveito sempre promoções ou compro em segunda mão.
Na sexta categoria, vou ler um livro de Luanne Rice, Irmãs Inseparáveis, indicando o título que é uma história de família, a menos que o título engane (e não li a sinopse, ou então não me lembro).
Na sétima categoria, um livro de uma autora nacional, aproveito para ler "Demência" de Célia Correia Loureiro, parado na estante há cerca de um ano e, segundo imensas opiniões, um excelente livro.
Na oitava categoria encaixo em autor nacional, o Nuno Nepumoceno e os seus Pecados Santos, que ando para ler há imenso tempo, também parado na estante, o que não pode ser!
Na nona categoria, já estou a terminar de ler - MAUS de Spiegelman, que se passa durante o holocausto e que é graphic novel, mas não é leve de modo nenhum...nem outra coisa poderia ser pelo tema que aborda.
Na décima categoria, com muita pena minha, não tenho cá livros das minhas autoras preferidas - Isabel Allende ou Laura Esquivel. Ou antes, até tenho, mas não me apetece ler "O bosque dos pigmeus" ou o "Plano Infinito", únicos de Allende ainda por ler cá em casa. Assim, e como o meu género preferido é romance, mas escrito por autoras ou da américa latina ou de língua latina (como a Sveva Montigani ou Maria Duenas), ganhou "um dia naquele inverno" de Sveva M. , até porque tem "inverno" no título!
Na décima primeira categoria em que a palavra NEVE tinha que ser formada com letras do título e do autor do livro, escolhi "um pEquENo faVor"de Darcey Bell e deve ser um livro rápido de se ler, pois também ouvi falar muito bem dele.
Na décima segunda categoria - não fição - escolhi "O fim da inocência" parte I de Francisco Salgueiro. Este livro retrata de forma bem real o caso de uma adolescente que desde cedo se mete em caminhos nunca imaginados pelos pais e que a conduzem a uma progressiva destruição (de ouvir algumas coisas sobre este livro). É baseado em factos que realmente aconteceram (infelizmente).
Na décima terceira categoria tive que comprar - A farmácia literária de Elena Molina, pois não é hábito comprar novos lançamentos, no ano em que foram lançados. Estes livros são sempre mais caros do que os livros mais antigos. Mas este livro não estava com preço inacessível e também temos que apoiar o mercado do livro! Mais uma vez, ouvi falar muitíssimo bem dele e ainda por cima, um livro que também fala sobre livros - é a cereja no topo do bolo!
Na décima quarta categoria...foi difícil encontrar pois eu sou quase a única a oferecer livros a mim própria e embora possa ser assim, andei à procura de um que fosse oferecido por alguém que não fosse eu! E descobri um da Nora Roberts que também é o início de uma série Saga da Baía de Chesapeake - "Levado pelo mar" (oferecido por uma amiga que vem cá a casa pedir emprestado muitas vezes e quando lhe ofereço livros ela devolve-os depois de os ler :-)
Na décima quinta categoria - livro com mais de 400 páginas, escolhi um do Dan Brown (com 550 páginas) - "A origem". Embora grandinhos são muito velozes, este autor costuma escrever de forma tão envolvente que os livros dele fluem com muita rapidez.
E por fim e não menos importante, na décima sexta categoria, escolhi o "Testamento de Maria" de Tóibim, com menos de 200 páginas (e que já estou a ler).
E pronto, é isto e embora tenha que fazer uns ajustes, no essencial vão ser estas as leituras. Embora possa não conseguir cumprir com tudo, valem as páginas lidas e não o cartão de bingo, e vale a participação pela motivação para a leitura!
Cartão bem giro das Estações Literárias de inverno:
E o que dizer deste must read book? Ok que é de desenvolvimento pessoal e que grande parte das pessoas que gostam de ler, deixam esta categoria de lado, torcem sempre o nariz aos livros de "desenvolvimento pessoal" ou de "auto-ajuda" (não gosto muito deste último termo, mas é assim que lhes chamam...). À parte destes pré-conceitos, é um excelente livro! E tem aquela característica que eu gosto particularmente - a história tem várias camadas, qual cebola que é descascada, casca por casca, são muitas histórias dentro da história principal. Esta está a ser contada por John, um antigo aprendiz de Julian Mantle, advogado de renome.
Julian Mantle tem um ataque cardíaco em plena sessão no Tribunal, quando defendia um cliente seu. Surge então a oportunidade para este homem tão atarefado, stressado e angustiado, de parar e, simultaneamente, fazer uma longa introspecção. De que forma estava a viver a vida até aqui? Como era o seu presente e, o mais importante...como queria que fosse a sua vida daí para a frente, se a sua ideia fosse viver plenamente e feliz?
Quando o seu médico lhe disse que teria forçosamente de parar ou arriscava a ter uma nova paragem, cardíaca que o poderia matar, Julian decide fazer uma longa viagem para se conhecer profundamente e descobrir o que realmente importa na vida.
Vende tudo o que tem, inclusive o seu adorado Ferrari e parte para as zonas recônditas dos Himalaias, onde lhe dizem que existe uma comunidade de monges (os sábios de Sivana). Julian anda bastante até conseguir encontrar tal comunidade. Quando finalmente a encontra fica lá a viver durante um período de tempo que lhe foi fundamental para alterar a sua forma de viver e de ver a vida.
Ao regressar ao local origem, Julian não é definitivamente o mesmo homem, todo ele brilha. O seu desenvolvimento foi a todos níveis: espiritual, emocional e fisicamente falando, todo ele espelhava alegria de viver e, parecia até, um homem bem mais jovem. Ao reencontrar-se com o seu anterior assistente de advocacia - John, ao qual ensinou bastante acerca da profissão, este não o reconhece, mas quando tal acontece, fica disponível para o ouvir acerca da sua enorme aventura. Para Julian é essencial passar a mensagem da qual é portador e que aprendeu com os sábios de Sivana (os monges dos Himalaias, seus grandes mestres) e, à medida que vai ouvindo, John fica cada vez mais encantado com tais ensinamentos. Passando uma noite em claro, com Julian a transmitir os ensinamentos mágicos dos Sábios de Sivana que por sua vez, John "bebe" avidamente.
É brutal, verdadeiro, acredito eu, em todos os ensinamentos que são transmitidos. É um dos que devemos abrir várias vezes e, pasmem-se, arrepiem-se os cabelos, saltem as órbitas oculares... sublinhar, marcar, eu sei lá que mais. Eu tenho a certeza que quero mesmo voltar a ele várias e várias vezes pois é tanta e tão importante a informação que transmite, que é impossível apenas com uma leitura absorver tudo o que transmite!
Muito, mas mesmo muito bom e essencial a qualquer humano que quer melhorar a sua e a vida dos outros que o rodeiam. Recomendo vivamente !
Que grande livrinho este de tão poucas páginas! Esta é uma leitura para ler e reler, cheia de conteúdo.
Na introdução a autora explica-nos que o conteúdo deste livrinho é uma versão modificada de uma palestra TEDxEuston, em dezembro de 2012, e ao longo destas curtas páginas Chimamanda vai-nos dando exemplos de como ainda é bom reforçar e apoiar a ideia de ser feminista, pois são muitos os casos que ela testemunhou ou, ela própria viveu, em que era notória discriminação apenas por ser mulher/rapariga/menina. E são ainda mais os casos que relata, no continente africano, muitos deles na Nigéria, a sua terra natal.
Chimamanda desmonta desde cedo, neste livro, o pré-conceito da palavra "feminista". Ela própria, acusada de o ser, logo em criança e por um grande amigo de infância, fica com vergonha de indicar ao amigo que não entende ou não percebe essa palavra. Logo quando regressa a sua casa, procura no dicionário o significado de tal palavra e descobre que feminista é: "uma pessoa que acredita na igualdade, social, política e económica entre os sexos".
Numa linguagem muito clara, parecendo que está a falar diretamente connosco, a autora vai explicando que ser apelidada de feminista é algo que todos deveríamos querer pois ainda vivemos num mundo em que a mulher, só por ser do sexo feminino ainda é menosprezada em comparação com o homem. Numa sociedade em que a força era determinante para a sobrevivência, esta diferença, eventualmente faria sentido e seria "aceitável", na Pré-História, em tempos muito antigos, em que era necessário a imposição pela força e brutalidade. Mas, felizmente a humanidade evoluiu e hoje em dia homens e mulheres têm capacidades que lhes permitem exercer os mesmo cargos, acederem aos mesmos lugares pois a inteligência, determinação, persistência, criatividade, não escolhem sexo, cor ou idade!! Ou seja, não faz sentido haver diferenciação.
A autora também diz que é óbvio que somos diferentes - homens e mulheres - mas que essas diferenças não podem servir de base para descriminações ou diferença de tratamento entre ambos os sexos. Atualmente homem e mulher podem receber o mesmo salário e serem destacados pela sua progressão individual nas carreiras que têm. Se uma mulher se destaca na sua profissão pode ser promovida em igualdade de condições do seu colega de trabalho masculino...seria assim que deveria ser, pois...mas muitas vezes não é! Tal como acontece por exemplo com a melanina a mais ou a menos. Agora pergunto eu ...quando é que estas coisas deixam de acontecer? Quando é que estes assuntos deixam de ser assuntos? É que se ainda são é porque a diferença (non sense) ainda existe...
Muito bom! Super mega recomendado!
No fim ainda temos o conto "casamenteiros" da obra "A coisa à volta do teu pescoço" de Chimamanda e um pequeno resumo das outras obras da autora, que me deram mesmo vontade de as ler!
Aqui está a prova de que um livro muito pequeno (com 63 páginas), uma história curta, pode ser um grande livro, uma grande história!
Não sei quanto a vocês, mas quando começa a chegar o final do ano e eu ainda não atingi a meta de leitura do Goodreads, proposta por mim no início do ano, fico com comichões e variações (só para rimar é claro :-) e desato a ver se não tenho livros parados na estante que me permitam cumprir a dita meta (este ano estava reduzida a 30 livros e ainda assim só tinha 26 lidos!). Não que vá escolher qualquer coisa para ler (no desespero...) nunca, jamais, porque tudo o que entra cá em casa foi escolhido com muita devoção e muitas opiniões lidas ou ouvidas em booktubers...pronto, por acaso, este não foi o caso ! :-)).
O Salva-Vidas de Stephen Crane foi um daqueles livros que estão na seção dos 4,99 eur na Wook ou mais baixo ainda, e não sei porquê chamou-me à atenção. Longe de perceber o reduzido tamanho que tinha, o livro quando chegou cá a casa revelou-se um mini-livro e só passado um ano é que lhe peguei...ou seja, agora, e adorei!
A história transporta-nos para dentro de um pequeno bote, num mar revolto, com ondas bem grandes, espuma e água gelada por todo o lado e o autor consegue realmente colocar-nos, a nós leitores, neste cenário húmido e gélido. Com 4 personagens apenas: o maquinista; o cozinheiro; o capitão e o jornalista, a história vai-se desenvolvendo, rápida e com muita vontade nossa de ver qual o desfecho.
É muito curta a história, mas igualmente bem escrita e claramente visualizamos todas as aflições destes 4 homens que nunca deixam de ser cordiais uns para com os outros.
"- Vens substituir-me por um bocado? - perguntou, resignado.
- Claro que sim Billie - disse o jornalista, acordando e arrastando-se de forma a ficar sentado. Trocaram de lugares com cuidado e o maquinista, aconchegando-se na água do mar ao lado do cozinheiro, pareceu adormecer instantaneamente."
Imagem de Myriams-Fotos por Pixabay
É claro que a dada altura só querem saber se estes 4 corajosos homens sobreviveram...e terão de ler o livrinho para descobrir isso! Que aqui não são feitas revelações, mais do que as necessárias, o prazer, esse está mesmo nas leituras.
Este livro começou muitíssimo bem, com uma ideia interessante e desenvolvimento "sobre rodas", no entanto, logo arrefeceu pois parece que tudo foi meio artificializado e encaixado para "andar para a frente" e chegar ao fim! Pena, porque todos os livros deste autor, que li até agora, foram muito bons, ou antes, foram para mim leituras de 4 a 5 estrelas.
A base desta história gira à volta de um desafio entre Deus e o diabo. Cansados de andar às turras e em guerras pelo poder (ora agora mando eu e depois mandas tu, ora agora as coisas vão correr muito mal e depois vão correr muito bem e vice-versa), decidem estabelecer um desafio que, a ser ganho, dará a regência da Terra para toda a eternidade. Assim, quem ganhasse este desafio poderia mandar e, se fosse o bem, correria tudo sempre às mil maravilhas e seria o paraíso na Terra e caso contrário, o mal a ganhar tornaria a Terra um local infernal.
Cada um dos "presidentes", quer do céu quer do inferno, escolhe o seu melhor e mais eficiente anjo que tem a missão de liderar todo o processo que conduzirá à vitória ou de uma ou de outra parte.
"...Para atestar a legitimidade daquele a quem incumbirá reger a Terra durante o próximo milénio, lançámos um último desafio cujos termos estão descritos abaixo:
Durante sete dias, enviaremos aos homens aquele ou aquela que considerarmos como o melhor dos nossos agentes. O mais capaz de levar a humanidade para o bem ou ou para o mal dará a vitória ao seu campo, prelúdio à fusão das nossas duas instituições. O poder de administrar o novo mundo será dado ao vencedor."
Ora lido este texto, perto do início, pensamos logo (isto promete...), mas depois as coisas começam a ser algo mal encaixadas, não compreendi diversas situações, sucedem diversos acontecimentos paralelos como a relação entre Zofia (o anjo do bem) e a sua senhoria ou a sua melhor amiga, há explosões estranhas só para subentender que o mal vai no encalço do bem, mas tudo um pouco forçado.
Acontece portanto, algo que não era suposto acontecer, ou antes, que o leitor percebe que não era suposto acontecer, mas no fim, chegamos à conclusão que afinal até estava previsto e seria uma espécie de batota feita por Deus (confuso!).
Não diria que é um livro que não se deve ler pois seria perda de tempo, nada disso, gostei qb, mas o qb realmente já não me satisfaz e este ano foram vários assim (mornos, que não me aqueceram verdadeiramente).
Às vezes ponho-me a pensar o que tem de ter um livro para ser um cinco estrelas...acho que não é algo racional (não completamente), penso que me tem de envolver, fazer saltar para dentro da história, ser coerente desde o princípio até ao final, ser uma história bem contada, tocar na alma...isto é extremamente subjetivo e tem a ver com a própria história de cada um dos leitores que lê um mesmo livro. Penso que é por isto mesmo que para uns o livro pode ser um 5 estrelas e para outros 2 estrelas...mas é também por isto que os livros são extraordinários!!
Acabadinho de ler e portanto fresquinho para fazer uma opinião !
Este é apenas um dos muitos livros deste autor de fição científica, digamos que este é um "techno-thriller".
Eu gostei, pela temática que aborda e por fazer-nos questionar muitos assuntos que são altamente polémicos para a maioria das pessoas. Para uma boa parte da população "mexer" com o genoma humano ou os genes dos seres vivos em geral, é algo que não se deve fazer pois pode-nos conduzir a paragens muito incertas e até com um nível elevado de perigo. Para outros, este mundo genético abre portas a uma série de possibilidades que por sua vez conduz a grandes lucros de "monstros farmacêuticos".
Este livro tem múltiplas histórias que envolvem a transgenia, manipulação genética com mistura do genoma humano com o de outros seres vivos, e aproveitamento de células mais eficazes para uso em várias terapêuticas. Existe assim uma história que envolve um papagaio cinzento falante - o Gerard, e até com um nível de inteligência interessante, um macaco com grandes semelhanças aos humanos e que também fala, animais florescentes que são criados para efeitos publicitários, etc...sim chega a ser repugnante pensar nas possibilidades que existem e que para humanos sem ética as podem usar com fins de lucro e pouco mais!
Este é um assunto bem atual cujas consequências não estão ainda bem determinadas, mas que podem conduzir a humanidade a caminhos bem obscuros, sendo que quando há verdadeiro interesse, a parte interessada arranjas sempre desculpas convincentes, daquelas que são para dar uma qualidade superior de vida às pessoas e que são para melhorar tudo e mais alguma coisa.
Quanto a mim, cada vez mais tenho a certeza que o mais simples e natural, o menos manipulado é melhor para a saúde e para a vida em geral, por isso, não creio que seja muito boa ideia andar a "brincar" com genes!
Acho que vale a pena ler, mas tenho a certeza que existem muitos outros livros do mesmo autor que são melhores do que este. Por exemplo, esfera e presas, ou mesmo os canibais, são livros que devem ser mais viciantes e muitos deles foram transformados em filmes. É por exemplo, o caso do Parque jurássico.